Ex-funcionário que denunciou a Apple por escutar conversas privadas pede mais investigações [atualizado]

Siri no iPhone

Quando a Apple pensa que se livrou de um problema, algo (ou, nesse caso, alguém) mostra que nem tudo que passou foi, de fato, esquecido. Falo do grande problema de privacidade pelo qual a companhia foi denunciada, em julho passado, envolvendo a Siri.

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Caso você não se lembre, refrescarei-lhe a memória: há cerca de dez meses, um funcionário de uma empresa contratada pela Apple para analisar de trechos de áudios coletados pela Siri denunciou, anonimamente, que frequentemente ele (e outros contratados) ouviam gravações de conversas privadas/pessoais de usuários.

Embora a Apple tenha respondido prontamente que todos os áudios eram coletados de forma anônima, o funcionário terceirizado afirmou que, em alguns casos, o trecho coletado era tão longo que era possível traçar o perfil daquela pessoa. A situação ficou tão suspeita para o lado da Maçã que ela suspendeu a análise de áudios e, com o lançamento do iOS 13, tornou opcional a coleta dessas interações com a Siri.

Dito isso, meses se passaram e pouco foi falado sobre esse problema novamente — é provável que muitas pessoas tenham, inclusive, esquecido desse acontecimento. Agora, porém, o ex-funcionário terceirizado que denunciou todo esse esquema veio a público em protesto pela falta de ações e investigações contra a Apple. As informações são do The Guardian.

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Thomas le Bonniec enviou uma carta a todos os órgãos reguladores e de proteção de dados europeus anunciando sua decisão; nela, ele também afirma que o fato de a Apple (e não apenas ela) “continuar ignorando e violando os direitos fundamentais é preocupante”.

Estou extremamente preocupado com o fato de as grandes empresas de tecnologia estarem basicamente interceptando populações inteiras, ainda mais quando os cidadãos europeus são informados de que a União Europeia possui uma das leis de proteção de dados mais fortes do mundo. A aprovação de uma lei não é suficiente: ela deve ser aplicada aos infratores da privacidade.

Ele disse, ainda, que não eram apenas os clientes da Apple que (diretamente) tinham a privacidade violada, mas também outras pessoas próximas aos donos de iGadgets:

As gravações não se limitaram aos donos dos dispositivos da Apple, mas também envolviam parentes, amigos, colegas e quem mais pudesse ser gravado pelo dispositivo. O sistema registrou tudo: nomes, endereços, mensagens, pesquisas, argumentos, ruídos de fundo, filmes e conversas. Eu ouvi pessoas falando sobre câncer, referindo-se a parentes mortos, religião, sexualidade, pornografia, política, escola, relacionamentos ou drogas, tudo isso sem intenção de ativar a Siri.

O ex-funcionário continua:

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Eu ouvia centenas de gravações todos os dias, de vários dispositivos da Apple, como iPhones, Apple Watches e iPads. […] Esses processamentos foram feitos sem que os usuários tivessem conhecimento e foram reunidos em bancos de dados para corrigir a transcrição da gravação feita pelos dispositivos.

Apesar de não mencionar as mudanças (supracitadas) que a Apple fez em sua política desde as denúncias do ano passado, o ex-funcionário parece mais focado no fato de a companhia ter saído “ilesa” desse grande problema de privacidade.

Nem a Maçã nem os órgãos europeus responderam às alegações, por ora.

via 9to5Mac

Atualização, por Eduardo Marques 21/05/2020 às 16:23

A Reuters informou que, após o contato de Thomas le Bonniec (clamando por mais proteções envolvendo privacidade das leis europeias), a Comissão de Proteção de Dados da Irlanda está conversando com a Apple sobre o assunto.

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O vice-comissário Graham Doyle disse que o órgão esteve em contato com a Apple quando o problema surgiu pela primeira vez — e que a empresa fez algumas alterações do processo —, mas que, agora, a comissão tem outros questionamentos a fazer.

Veremos o que acontecerá.

via MacRumors

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