CEO da Basecamp responde à Apple e diz que problema da App Store é a falta de opção

HEY

A disputa entre a Basecamp (criadora do cliente de email HEY) e a Apple não termina — o que, bem ou mal, dá uma dinâmica diferente à WWDC20 que se iniciará em breve, já que estamos falando de um entrave envolvendo uma companhia, mas que reflete-se em muitos desenvolvedores.

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Caso você não faça ideia do que estamos falando, sugiro ler esses dois artigos os quais publicamos anteriormente:

Por dentro do assunto? Ótimo. Então você viu que a Apple deu a última cartada nessa história. Mas a Basecamp não quis deixar barato e publicou uma carta aberta em seu site, escrita pelo CEO1 da empresa, Jason Fried, respondendo novamente à Maçã.

Nela, apesar de afirmar que dinheiro é importante e que a discussão se os 30% que a Apple cobra pelas In-App Purchases são ou não justos acaba ganhando mais destaque no noticiário, Fried disse que não se trata apenas de dinheiro, e sim “sobre a ausência de escolha e como a Apple se insere à força entre sua empresa e seu cliente”.

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Será que a maior empresa do mundo deveria decidir como milhões de outras empresas podem interagir com seus próprios clientes?

Na carta, Fried explica como a Apple determina os limites que empresas podem ajudar seus clientes ao adotar o sistema de pagamento interno da App Store, e como isso tem um impacto negativo na experiência do cliente e na relação das empresas com eles. Isso porque toda a relação financeira (o negócio em si) é feito com a Apple, que segura os 30% e repassa o resto para a empresa. Então, na verdade, absolutamente tudo dessa relação fica nas mãos da Maçã, mesmo que a empresa em questão tenha lutado para conquistar aquele cliente.

Na Basecamp, por exemplo, nós ajudamos as pessoas por diversos motivos. Aplicamos crédito às contas por todos os tipos de razões. Abrimos exceções por todos os tipos de razões. Damos descontos do nosso software para professores. Fornecemos versões gratuitas para socorristas. Estendemos testes para aqueles que precisam de mais tempo. Ocasionalmente, estendemos as condições de pagamento para aqueles que estão com dificuldades no mês. Abrimos exceções porque as pessoas são excepcionais. Temos muito orgulho em ajudar as pessoas. E nós somos muito bons nisso.

Se tivéssemos que passar toda essa relação com nossos clientes pelo sistema da Apple, não poderíamos fazer nada disso. […]

Sem falar, é claro, em toda a parte burocrática que é trabalhar com dois ou mais sistemas de pagamentos — a Basecamp trabalha com um único, centralizado.

Outro grande problema apontado por Fried tem a ver com usuários que migram de plataforma:

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Digamos que alguém se inscreva no HEY em um iPhone, pague com o sistema In-App Purchase da Apple, e decida mudar para um telefone Android. O faturamento está totalmente bagunçado agora. Eles não podem atualizar seus cartões de crédito por meio do aplicativo HEY no Android, porque suas informações de cobrança são armazenadas com a Apple. E nós não podemos ajudá-los. Quem ganha? A Apple ganha. Isso cria um bloqueio imenso quando todas as suas assinaturas de serviço estão vinculadas a uma única plataforma. Se você mudar de telefone, agora também precisará alterar seu endereço de email?

É por isso que temos um sistema de cobrança centralizado, universal e não específico de plataforma. Fazemos um produto multiplataforma. Web, macOS, Windows, Linux, Android e iOS. Pague-nos em qualquer lugar, nós podemos ajudá-lo em qualquer lugar. Exceto que a Apple não permite isso — você não pode nos pagar da nossa maneira se estiver usando o aplicativo para iOS. Você tem que pagar da maneira da Apple e estragar tudo para todos, exceto, você adivinhou, para a Apple.

Fried fez questão de deixar claro que não quer o fim das In-App Purchases (da forma como elas funcionam). Na verdade, esse tipo de sistema pode e deve ser útil para muitos desenvolvedores — ainda que ele considere 30% uma fatia muito grande. Para o executivo, o problema é a falta de opção.

Apple, basta dar a seus desenvolvedores a escolha! Deixe-nos cobrar nossos próprios clientes por meio de nossos próprios sistemas, para que possamos ajudá-los com extensões, reembolsos, descontos ou qualquer outra coisa à nossa maneira. É o nosso negócio, não o seu. E a sugestão de Phil Schiller, de que devemos aumentar os preços para clientes iOS para compensar a margem adicional da Apple, é a cereja do bolo antitruste.

Argumentos sólidos, não é mesmo?

Por falar em antitruste, comentamos recentemente que a Comissão Europeia abriu uma investigação justamente para entender se existe monopólio no negócio envolvendo a App Store. A investigação tem como base denúncias feitas pelo Spotify e pela Kobo (uma distribuidora canadense de ebooks).

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O Engadget resolveu conversar com alguns desenvolvedores para entender o que eles achavam da investigação e da briga envolvendo a Apple e a Basecamp. Enquanto alguns (The Match Group, Deezer, Epic Games, etc.) acreditam que se trata de um monopólio e que mudanças nesse sentido precisam ser feitas, outros (Omni Group, Shiny Frog, Readdle, etc.) entendem que, ainda que tudo possa sempre melhorar, a App Store é um bom local para distribuir seus aplicativos e que é justo a Apple ficar com uma parte da receita para que tudo continue funcionando (afinal, não é nada simples manter uma estrutura dessas rodando).

Aos interessados nessa queda de braço, vale a pena conferir mais a fundo as opiniões dos desenvolvedores/das empresas.

via 9to5Mac

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