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Reparo de iPhone

Apple já considerou apoiar o movimento “direito ao reparo”

Até agora, entretanto, nada mudou

O depoimento de Tim Cook ao Senado dos Estados Unidos não revelou muita coisa além do que a Apple já tem expressado em comunicados, entrevistas ou estudos financiados por ela própria.

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Muito mais polpudos, por outro lado, são os emails revelados pela empresa ao subcomitê que investiga suas (possíveis) práticas monopolistas: já falamos aqui sobre o “acerto especial” entre a Apple e Amazon, que contradiz o argumento da isonomia há tanto tempo mantido pela empresa acerca da App Store. Agora, mais um conjunto de mensagens mostra que a Maçã discutiu, internamente, se deveria apoiar as questões de direito ao reparo.

Os emails, trazidos pela iFixit, mostram que as discussões internas foram iniciadas em 2019, quando o jornalista Binyamin Appelbaum, do New York Times, entrou em contato com Cupertino para fazer algumas perguntas acerca do assunto. Alguns meses depois, o jornal publicou um marcante editorial defendendo o direito ao reparo — e citando diretamente a dificuldade que um consumidor teria de reparar o próprio iPhone (ou fazê-lo numa oficina independente) pela falta de colaboração da Apple.

O trecho de um dos emails divulgados pelo subcomitê mostrou que, dentro do campus da Maçã, ninguém sabia exatamente como lidar com a questão:

• Qual a nossa estratégia de reparo?
• Nós acreditamos que é importante nos antecedermos a quaisquer regulações adicionais sobre opções de reparo na Europa ou nos EUA?
• Nós estamos confortáveis liberando nossos manuais de reparo para todos os nossos produtos daqui para a frente?
• Nós queremos promover o programa de Reparo com Peças Genuínas como parte dos nossos esforços de dar mais opções aos consumidores?
• Como nós devemos nos posicionar publicamente sobre o direito ao reparo para levar em conta as atualizações que estamos fazendo? Devemos ligar os pontos ou é melhor deixar tudo separado?

O editorial do New York Times não foi o único catalisador por lá, entretanto. Um mês antes, a iFixit descobriu manuais de reparo completos dos novos iMacs, com mais de 100 páginas de descrições completas para substituição e conserto de peças, disponíveis livremente na página de suporte da Apple — eles continuam lá, inclusive (21,5″ e 27″). O site entrou em contato com a Maçã, perguntando se aquilo era um erro ou se a empresa pretendia adotar a prática para todos os produtos dali em diante.

A Apple nunca respondeu a iFixit, mas o email gerou mais discussões internas: um memorando da Maçã afirmou que “as coisas [a posição da empresa sobre o direito ao reparo] estão acontecendo num vácuo e não há uma estratégia geral”. O mesmo documento citou que a empresa estaria lutando contra legislações de direito ao reparo em 20 estados dos EUA — uma das razões, aliás, para que essas leis ainda não tenham entrado em vigor em diversos estados americanos.

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No fim das contas, a liberação dos manuais do iMac foi apenas uma estratégia para a Apple conseguir um selo verde do EPEAT, o padrão da indústria de eletrônicos para avaliar o impacto ambiental de um determinado produto. Ainda assim, diferentes equipes dentro da companhia continuaram discutindo se os documentos deveriam permanecer online ou não, já que eles representavam uma posição diferente daquela tomada publicamente pela empresa.

O fato é que, até o momento, a Apple não dá sinais de mudar sua estratégia: mesmo com algumas medidas de abertura, a empresa continua defendendo que apenas ela própria ou oficinas autorizadas consertem seus produtos — entre as razões, a Maçã cita a segurança do consumidor e a integridade dos dispositivos.

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Por outro lado, o “monopólio do reparo” pode ser mais uma face dos problemas que a empresa está enfrentando — e, talvez, a Apple seja forçada a mudar essa posição para escapar de possíveis processos ou multas. Vamos ter de acompanhar.

via MacRumors

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