Por que versões “.0” do iOS consomem mais bateria (e outros sistemas também)

Há alguns meses, escrevi um artigo aqui para o site explicando por que a maioria dos usuários não deveria se aventurar em instalar versões beta dos sistemas operacionais da Apple.

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Um dos motivos principais contra isso, claro, é bateria. No ponto 5, no meio daquele artigo, escrevi:

Uma das formas de a Apple identificar problemas e aprimorar seus sistemas nessas fases beta é rodando, em plano de fundo, uma série de ferramentas de monitoramento e diagnóstico em todos os sistemas operacionais. Isso consome recursos do aparelho e, consequentemente, bateria. Ou seja, é natural que sistemas beta não rodem com a mesma performance de versões finais e é perfeitamente esperado que eles consumam mais bateria. É assim que é.

Pois bem. Na semana passada, horas antes da liberação do iOS 14, do iPadOS 14, do watchOS 7 e do tvOS 14, também publicamos aqui no site um alerta explicando que talvez não fosse uma boa ideia atualizar para os novos sistemas logo de cara — nesse caso, com uma ênfase especial a apps de terceiros ainda não-adaptados.

Como acontece em *qualquer* atualização de sistemas da Apple, desde que os novos sistemas saíram, temos recebido relatos de leitores reclamando de um consumo exacerbado de bateria — especialmente com seus iPhones e Apple Watches. Pois saibam que isso não é nada surpreendente, e eu explicarei a seguir por quê.

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O principal motivo, vejam só, é exatamente o mesmo das versões beta. Quando chegamos ao estágio “.0” final, muitos desses sistemas de “telemetria” são sim desativados pela Apple, mas não todos.

Ocorre que a fase beta dos sistemas, por mais que leve alguns meses e hoje abranja um número maior de pessoas (graças ao Apple Beta Software Program, que abriu os testes para além de desenvolvedores de apps), não chega nem aos pés do que é, de fato, lançar um novo sistema operacional para milhões de pessoas simultaneamente. Conforme noticiamos aqui no site, em apenas cinco dias o iOS/iPadOS 14 já estava instalado em cerca de 27% dos iPhones, iPads e iPods touch em uso atualmente. Vocês podem imaginar que isso significam muitos milhões de dispositivos, certo?

Sendo assim, a Apple naturalmente ainda mantém vários sistemas de monitoramento ativados nos novos sistemas nesse período, a fim de coletar dados de milhões de pessoas e ir aprimorando ainda mais o software. Com a liberação gradual de updates, essas telemetrias vão então sendo desligadas e apenas as mais básicas se mantêm, o que contribui para uma redução no consumo de bateria.

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Ou seja, isso por si só já significa que, quando chegarmos ao iOS 14.1 ou 14.2, o sistema vai sim consumir menos bateria. É natural e esperado, e acontece todos os anos. Por isso mesmo, muita gente prefere esperar essas versões para só então atualizar seus dispositivos.

Aliás, enquanto eu escrevia este artigo aqui, a Apple liberou o iOS 14.0.1, o iPadOS 14.0.1, o watchOS 7.0.1 e o tvOS 14.0.1. É até possível que eles já desativem algumas dessas telemetrias extras, mas eu não colocaria tanta fé ainda. Aposto mais no iOS 14.1/14.2, mesmo, daqui a algumas semanas.

Outro aspecto é mais “imediatista”, e o desenvolvedor brasileiro Guilherme Rambo até lembrou disso em seu Twitter no dia em que os sistemas foram liberados:

Lembrete anual de que logo após a atualização para uma nova versão importante do iOS, seu dispositivo faz um monte de coisas pontuais em segundo plano que podem diminuir a vida útil da bateria por alguns dias. Deixá-lo conectado a noite toda é uma boa maneira de garantir que tudo isso seja feito o mais rápido possível.

Sim, pode levar alguns dias para uma grande atualização como essa (13 » 14) ser concluída para valer. O processo de upgrade “visível” leva apenas alguns minutos, mas a partir dali o sistema ainda precisa executar uma série de coisas em segundo plano que levam tempo e, obviamente, consomem bateria.

“O sistema tenta priorizar a execução desses processos enquanto o aparelho está ocioso e sendo recarregado, mas nem sempre acontece desta forma”, explicou Rambo ao MacMagazine. “Recomendo muito que todos se acostumem a deixar seus devices recarregando à noite, porque o aprendizado de máquina do iOS incorpora que esse é o melhor momento para executar tais tarefas. Faço isso há muito tempo e não sinto mais tanto impacto assim na bateria após essas grandes atualizações.”

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Em paralelo a isso, naturalmente quando sai um sistema cheio de novidades assim, é normal que nós passemos um tempo maior explorando o que mudou, reconfigurando certas coisas, experimentando novos recursos e por aí vai. Às vezes não percebemos, mas por algum tempo passamos usando os devices de forma muito mais ativa do que o normal (você mesmo pode verificar isso, pelo Tempo de Uso). Ora, adivinhem o que acontece com a bateria! 😬

Por fim há, é claro, os famosos bugs e as otimizações que inevitavelmente vão sendo feitas à medida que novos updates são liberados pela Apple. Pensem que cada coisinha minúscula que roda em seu iPhone pode afetar drasticamente o consumo de bateria, no somatório de um dia inteiro. A tela ativa do Apple Watch (Series 5 ou 6), por exemplo, é mantida num brilho específico que foi extensivamente testado pelos engenheiros da empresa a fim de proporcionar um equilíbrio legal entre uma boa experiência do usuário sem afetar muito a sua bateria. São trocentos exemplos do tipo.

Posto isso tudo, não há muito o que fazer senão esperar atualizações. A tendência é sempre de melhora nesse sentido; de vez em quando ainda aparecem alguns casos pontuais de pessoas que, mesmo em versões bem adiantadas (tipo um iOS 13.7 da vida) ainda enfrentam problemas com bateria, mas aí realmente são casos mais específicos.

Via de regra, “early-adopters” de novos sistemas sempre sofrerão um pouco mais com essas coisas do que quem tem paciência de esperar sucessivos updates com correções de bugs e melhorias. Faz parte. 😉

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