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iPhone 12 Pro Max

Review: iPhone 12 Pro e 12 Pro Max

…com alguns pitacos sobre o 12 e o 12 mini

Pela primeira vez na história do iPhone, em pleno ano de pandemia, a Apple em 2020 lançou quatro modelos “flagship” de uma só vez: o 12 mini, o 12, o 12 Pro e o 12 Pro Max.

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Não só isso, mas eles chegaram ao mercado em duas etapas: primeiro o 12 e o 12 Pro, e algumas semanas depois vieram o 12 mini e o 12 Pro Max. Por isso mesmo, tive a oportunidade de usar o iPhone 12 Pro por um tempo enquanto aguardava a chegada do 12 Pro Max, e este review cobrirá então ambos os modelos.

Também tratarei dos iPhones 12 e 12 mini em alguns momentos, mas apenas para destacar o que há de diferente neles em relação aos modelos Pro. Não cheguei a usar nenhum dos dois como meu aparelho principal.

iPhones 12 e 12 mini

Vamos, portanto, destrinchar os iPhones de 2020.

Quatro modelos, três tamanhos

Sim, temos quatro modelos principais de iPhones agora, mas apenas três tamanhos diferentes.

O sucessor direto do iPhone 11 é, naturalmente, o iPhone 12 — e ele continua com uma tela de 6,1 polegadas. Mas o sucessor direto do iPhone 11 Pro, o 12 Pro, passou de 5,8 para as mesmas 6,1 polegadas. Ambos 12 e 12 Pro têm exatamente as mesmas dimensões.

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Aí, nos extremos, ganhamos um novo modelo mini com 5,4 polegadas, enquanto o modelo Max passou de 6,5 para 6,7 polegadas.

A linha, nesse sentido, está agora bem coesa e diversificada. O tamanho intermediário é o ideal para a maioria das pessoas, e agora temos um modelo bem compacto para quem sonhava com isso, enquanto o modelo grande ficou ainda maior.

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A maior novidade aqui sem dúvida é o iPhone 12 mini, que tem dimensões menores que as do iPhone SE de segunda geração, porém com uma tela que ocupa toda a sua parte frontal. É uma delícia usar ele, e realmente dá para fazer quase tudo com uma mão só.

Eis uma tabela completa de dimensões e pesos:

12 mini1212 Pro12 Pro Max
Altura131,5mm146,7mm146,7mm160,8mm
Largura64,2mm71,5mm71,5mm78,1mm
Profundidade7,4mm7,4mm7,4mm7,4mm
Peso133g162g187g226g

Sim, todos os novos iPhones têm 7,4mm de espessura e ficaram mais finos em relação à geração anterior: o iPhone 11 tinha 8,3mm, enquanto os iPhones 11 Pro e 11 Pro Max tinham 8,1mm.

O iPhone 12 Pro Max, mesmo maior que o 11 Pro Max, tem o mesmo peso do seu antecessor. No outro extremo, como vocês podem ver, o 12 mini é bem leve. Na mão, parece até de brinquedo.

Materiais e cores

Ainda analisando a tabelinha acima, observem que o iPhone 12 Pro é 15% mais pesado em relação ao 12, mesmo com dimensões iguais. Isso ocorre, claro, devido a dois fatores: primeiro que ele tem uma câmera extra e o scanner LiDAR na traseira, segundo — e mais importante, nesse caso — que ele tem laterais em aço inoxidável em vez de alumínio.

E está aí o principal fator de diferenciação externo dos modelos “normais” dos Pro: todos eles têm vidro na frente e atrás, mas nas laterais o aço inoxidável dos modelos mais caros (que está mais polido e brilhante do que nunca, quase como um “ímã” para marcas de dedos) proporciona um ar bem premium a eles, especialmente se você olhar os modelos dourado ou prateado. O bom do alumínio anodizado é que ele não pega marca nenhuma.

Atrás dos iPhones, acontece justamente o oposto. Os modelos 12 e 12 mini têm um vidro brilhante, que pega bastante marcas de dedos; já o dos iPhones 12 Pro e 12 Pro Max ganha um acabamento fosco, que eu adoro.

Nas cores, a Apple também segue a cartilha de anos passados. Os modelos 12 e 12 mini são mais “divertidos”, joviais, disponíveis em cinco cores: azul, verde, vermelho/(PRODUCT)RED, branco ou preto. Já os modelos 12 Pro e 12 Pro Max são mais sérios, rebuscados, em quatro cores: azul pacífico, dourado (com um acabamento especial, desta vez), grafite ou prateado.

O azul pacífico foi a minha escolha, e ele chegou para tomar o lugar do verde meia-noite dos iPhones 11 Pro/11 Pro Max. No ano passado eu acabei não optando por ele porque não sou muito fã de verde, então acabei indo de cinza espacial. Desta vez não pensei duas vezes, e não me arrependo; esse azul pacífico ficou realmente muito legal. Já o azul dos iPhones 12/12 Pro, eu não curti tanto; acho que a Apple errou a mão na tonalidade.

De qualquer forma, a escolha de cor não importará muito se você for colocar o iPhone dentro de uma case que não seja transparente. Eu, que sempre coloco AppleCare+ nos meus iPhones, já tem um bom tempo que estou usando-os completamente “nus”. Dá medo, mas a experiência no dia a dia é muito legal.

Ceramic Shield

Se é para usar iPhone (digo, qualquer smartphone) sem capinha, que ele seja então o mais resistente possível. E a Apple nos trouxe boas notícias, este ano.

Sabemos que a Apple trabalha há muito tempo com a Corning, a qual fabrica os tradicionais Gorilla Glass usados na maioria dos smartphones premium. Desta vez, em vez de usar a última geração do Gorilla Glass nos iPhones 12, a Apple trabalhou com a Corning em algo novo.

Tela Super Retina XDR do iPhone 12

É o que ela chamou de Ceramic Shield — ou, traduzindo diretamente, “Escudo de Cerâmica”. Como ela mesma explica no site dos iPhones:

Apresentamos o Ceramic Shield. Ele é produzido a partir da aplicação, no vidro, de cristais de nanocerâmica mais duros do que a maioria dos metais. Parece simples, mas é um processo complexo, já que a maioria das cerâmicas não é transparente. Controlando o tipo de cristais e o grau de cristalinidade, desenvolvemos uma fórmula exclusiva que maximiza a resistência da cerâmica sem afetar a transparência. Essa foi a inovação que fez do Ceramic Shield ideal para a tela. É o primeiro do gênero em qualquer smartphone e mais forte do que qualquer outro vidro para celular.

De acordo com a Apple, esse processo especial torna a tela dos iPhones (todos eles, vale notar) até 4x mais resistente a quedas. É importante pontuar isso, porque esse vidro especial *não* é 4x mais resistente a arranhões.

A Apple até diz que também implementou nele seu “processo de troca iônica dupla usado no vidro traseiro para proteger contra riscos e desgaste do dia a dia”, mas na prática não deve-se esperar muita melhoria nesse sentido. Contra quedas, sim — e inúmeros testes de resistência já corroboraram as promessas da Apple. O Ceramic Shield é para valer.

Por falar nisso, a Apple também ampliou a resistência dos novos iPhones a água. Eles continuam com classificação IP68, mas agora aguentam 6m de profundidade por até meia-hora, contra 4m da geração anterior. Ainda assim, não recomendo que você mergulhe o seu na piscina para tirar fotos subaquáticas.

Laterais achatadas

Pegando um dos novos iPhones nas mãos, logo de cara percebemos que suas laterais achatadas proporcionam uma “pegada” bem diferente ao smartphone.

Elas certamente vêm com uma sensação bacana de nostalgia. Para quem não lembra, os iPhones eram assim em suas gerações 4, 4s, 5 e 5s, e da geração 6 até a 11 tivemos laterais curvas.

Eu estou gostando muito dessa mudança, já me adaptei bem e acho que a lateral achatada me dá mais segurança no manuseio do iPhone. Mas, enquanto assista à keynote de lançamento dos aparelhos, tinha a sensação de que seria algo que me faria uma diferença maior do que realmente fez.

Conhecendo o ritmo de mudanças de design que a Apple implementa nos iPhones, podemos esperar que essas laterais achatadas permaneçam entre nós por pelo menos alguns anos de novo — e, por mim, tá ótimo. Mas eu também não reclamaria se ela voltasse rapidamente para laterais curvas; acho que o acabamento premium da Apple, seja flat ou curvo, me agrada de forma similar.

Notch e Face ID

Pois é, o recorte superior (notch, testa… chame como quiser) não mudou nos novos iPhones, nem o Face ID.

Quem acompanha o nosso podcast sabe que eu perderia fácil qualquer aposta em relação a isso. Achei que o notch já ficaria um pouco menor no ano passado(!), que dirá vê-lo igual ainda em 2020.

iPhone 12 na cor azul pacífico

Embora eu ache bastante decepcionante que a Apple não tenha conseguido nem reduzir um pouco o recorte ainda (que dirá removê-lo completamente), ele continua sendo algo que eu acabo “esquecendo” no dia a dia. Faço parte do grupo das pessoas que até preferiria que ele não estivesse ali, mas definitivamente não é algo que me afeta/incomoda no uso normal do aparelho.

É importante pontuar aqui que, como o notch é o mesmo em todos os aparelhos, ele “parece” maior no 12 mini do que no 12 Pro Max. E o curioso é que, mesmo com mais espaço nas laterais do modelo maior, a Apple optou por não colocar mais nada nas suas “orelhas”. Com o aparelho desbloqueado, sempre temos a hora com o indicador de localização na esquerda, e na direita temos sinal da operadora, ícone do Wi-Fi e bateria (sem porcentagem visível). Isso em todos os modelos.

O Face ID também não mudou. Nos últimos anos a Apple tornou ele mais rápido, especialmente graças a otimizações feitas no próprio iOS, mas a tecnologia em si é basicamente a mesma desde o iPhone X.

E, de novo, eu perderia qualquer aposta com relação à evolução do Face ID. Adoro esse sistema biométrico, mas esperava que a Apple já teria conseguido, no mínimo, aumentar um pouco o seu ângulo de funcionamento e permitir que ele identifique a pessoa mesmo com o iPhone deitado, tal como fazem os iPads Pro desde 2018.

Se antes de entrarmos numa pandemia e todos seremos obrigados a usar máscaras para cima e para baixo já havia gente sonhando com um Touch ID sob a tela dos iPhones, que dirá agora. Mas é outra coisa que não veio e, sinceramente, já tenho minhas dúvidas se um dia virá.

Tudo OLED!

Em 2018 e 2019, a Apple diferenciava o modelo de entrada da sua linha flagship não só em tamanho e materiais externos, mas principalmente por usar uma tela LCD1, com resolução inferior à dos modelos Pro.

Isso acabou em 2020. Agora, todos os quatro modelos têm telas OLED2 (que a Apple chama de “Super Retina XDR”) com excelente densidade de pixels, todas com suporte a HDR3 (com brilho máximo de 1.200 nits), todas com contraste de 2.000.000:1, todas com tecnologia True Tone, todas com ampla gama de cores P3 e todas com Haptic Touch. A única diferença, pouco perceptível no dia a dia, é que os modelos 12 e 12 mini chegam a 625 nits de brilho num uso normal, enquanto o 12 Pro e o 12 Pro Max vão a 800 nits.

Eis uma tabelinha de resoluções e densidades:

12 mini12/12 Pro12 Pro Max
Tamanho5,4″6,1″6,7″
Resolução2340×1080 pixels2532×1170 pixels2778×1284 pixels
Densidade476ppp460ppp458ppp

Embora haja uma diferença nas densidades (que favorece o 12 mini, por sinal), isso definitivamente não é algo perceptível ao olho humano.

A tela do iPhone 12 Pro Max já foi eleita pela DisplayMate a melhor já colocada num smartphone, mas para mim ela é tão boa quanto a do 11 Pro Max. Tirando a diferença de 0,2 polegada, ambas são e continuam sendo sensacionais.

Mas não, não foi neste ano que a Apple implementou a tecnologia ProMotion dos iPads Pro nos iPhones 12, com taxas de atualização variáveis de até 120Hz. Todos continuam com 60Hz, o que não faz diferença nenhuma para a grande maioria das pessoas, mas vai incomodar muito aqueles fanáticos por especificações técnicas e gente que realmente já usou uma tela de 90/120Hz e consegue perceber essa diferença no dia a dia.

Independentemente de ser algo mais específico, é certamente uma falta e tanto para smartphones tão premium e caros como iPhones. Vale lembrar que telas de 90/120Hz já começaram a se tornar comuns em Androids flagship em 2019, então a Apple não entrar nesse barco em 2020 é um tanto vergonhoso.

Há duas explicações para isso provavelmente ter ficado para 2021: a primeira é uma limitação técnica, que requer telas LTPO4 para possibilitar a tecnologia ProMotion nos iPhones (caso contrário, a Apple teria que fazer como fabricantes de Android fazem, oferecendo uma opção manual para habilitar isso nos Ajustes); a outra é um consumo maior de bateria em 120Hz que, somado ao 5G, não seria nada legal nos aparelhos deste ano.

Falando nisso…

5G

Quem acompanhou a keynote de lançamento dos iPhones 12 sabe que a Apple, junto à sua parceira Verizon nos Estados Unidos, bateu muito, muito, muito na tecla do 5G.

Se em 2019 tinha gente reclamando que a Apple não tinha colocado 5G em nenhum dos iPhones, em 2020 agora vemos gente reclamando que ela deu atenção demais a algo que beneficiará pouquíssimas pessoas, em lugares específicos que já contam com a cobertura da nova tecnologia. 🤷🏼‍♂️

De fato, neste review eu não posso comentar absolutamente nada sobre a minha experiência com 5G no iPhone, porque ainda não tive essa experiência e nem sei quando terei. Aqui em Portugal, me parece que o processo de implementação da tecnologia, leilão de frequências e tudo mais está um pouquinho mais avançado que o do Brasil, mas também é algo que só deverá se concretizar em algum momento de 2021 e talvez começar a se tornar mais comum em 2022.

Não acho que a Apple errou em colocar 5G em todos os iPhones flagship de 2020, ela talvez só tenha exagerado um pouco na importância disso. Para quem vai comprar um desses novos iPhones agora e pretende ficar com o aparelho por dois, três, quatro anos ou mais, é bacana saber que ele já está pronto para o futuro. Porque é isso que o 5G é hoje, uma aposta futura.

Já tem gente no Brasil vendo os novos iPhones operando em “redes 5G”, mas isso nada mais é do que o chamado “5G DSS”, que basicamente utiliza a infraestrutura existente de 4G/3G para oferecer um 5G que está mais próximo de “4,5G” do que de um 5G de verdade. Não deixa de ser 5G, mas não chega nem perto de oferecer os benefícios que realmente esperamos dessas redes — que dirá do 5G mmWave, que só está presente nos iPhones 12 americanos.

A boa notícia é que, como a Apple voltou a usar modems da Qualcomm, pela primeira vez em muitos anos todos os iPhones 12 são compatíveis com todas as frequências utilizadas por operadoras brasileiras. Ou seja, você não precisa se preocupar com isso se for comprar um fora do Brasil.

A14 Bionic

Este será o tópico mais curto do review, porque simplesmente não há muito o que falar aqui. A Apple continua nadando de braçada com seus chips, e não é à toa que eles estão chegando agora pela primeira vez aos Macs.

O A14 Bionic, que foi colocado simultaneamente nos novos iPhones e no iPad Air de quarta geração, é o primeiro chip de 5 nanômetros da indústria. Somado a uma nova geração do Neural Engine, estamos falando de um baita poder de processamento para todos os aparelhos, então performance não será um problema sob nenhum aspecto.

Aqui vale citar apenas mais um diferencial dos modelos Pro em relação aos “normais”: eles passam a ter 6GB de RAM5, contra 4GB dos outros. Mas, ainda assim, é algo que só faz diferença em cenários bem específicos e permite um ou outro recurso extra nos modelos mais caros, relacionados às capacidades das suas câmeras — que, claro, tratarei mais em detalhes a seguir.

Bateria

Muito legal os novos iPhones terem ficado mais finos este ano, né?

Calma lá, caubói. Se tem uma coisa que é diretamente impactada quando smartphones ficam mais finos, são suas baterias. E, com a linha iPhone 12, não foi diferente.

Baterias dos iPhones 12 mini e 12 Pro Max (iFixit)
📷 iFixit

Comparando as capacidades dos novos modelos com seus antecessores diretos, todas elas foram reduzidas do ano passado para cá. Veja a tabela:

ModeloCapacidade anterior (iPhones 11)Nova capacidade (iPhones 12)
mini2.227mAh
“Normal”3.110mAh2.815mAh
Pro3.046mAh2.815mAh
Pro Max3.969mAh3.687mAh

Tirando o iPhone 12 mini, que não tem antecessor direto na linha, em média as capacidades caíram 8%. Mesmo não sendo muito, o simples fato de terem caído já é um ponto negativo.

Ainda assim, de acordo com a Apple, as autonomias na prática ou ficam na mesma ou são até superiores às do ano passado — graças não só a otimizações de software, mas principalmente ao chip A14, que com seu processo de 5nm é mais econômico que o A13 (7nm).

A Apple tem algumas métricas diferentes para informar a autonomia de baterias em seu site, mas pegando uma delas como exemplo, a de reprodução de vídeos, ela promete 15 horas para o iPhone 12 mini, 17 horas para o iPhone 12/12 Pro e 20 horas para o iPhone 12 Pro Max.

Eu, que faço um uso moderado para intenso do iPhone, tive uma experiência “okay” nas semanas em que fiquei com o iPhone 12 Pro, sendo que houve dois dias em que tive que dar uma pequena carga extra para conseguir usá-lo antes de dormir. Com o iPhone 12 Pro Max, isso não acontece; frequentemente chego ao fim do dia com mais de 40% de bateria restante.

Isso é algo que tem que ser levado muito em consideração por quem estiver considerando comprar um iPhone 12 mini. Ainda que a tela dele seja menor, sua pequena bateria é também a que proporciona a menor autonomia de todos. Para mim, com certeza ele não daria conta; então, tome cuidado.

Que carregador?!

Pois é, certamente você não está sabendo da novidade lendo este review, mas é verdade: pela primeira vez este ano, os iPhones (nenhum deles, nem mesmo os modelos antigos que continuam à venda) não incluem mais em suas caixas o adaptador de parede para recarga do aparelho.

Não só isso, mas a Apple aproveitou e eliminou do pacote também os fones de ouvido EarPods (Lightning). Nesse caso houve quem tenha ficado chateado, mas comparado com o carregador certamente é algo bem mais “aceitável/compreensível”.

Caixa do iPhone 12

A Apple por muitos anos insistiu em incluir na caixa dos iPhones um carregador bem compacto, mas de baixíssima potência (5W) pros padrões atuais. Em 2019, finalmente, ela deu um upgrade no adaptador dos modelos Pro e passou a entregar um modelo USB-C de 18W.

Agora, ou você usa um carregador que já tem em casa (pode ser um desses antigos de 5W, mas aí você precisará usar um cabo antigo também, porque os novos são de USB-C para Lightning), ou será obrigado a comprar o acessório junto ao iPhone.

Carregador USB-C de 20W da Apple

Já tem alguns anos que eu não tiro nem os fones, nem o carregador da caixa dos meus iPhones. Mas tenho total consciência de que faço parte de um grupo minoritário e, mesmo sendo esse o meu caso, considero a retirada do carregador da caixa um exagero por parte da Apple — ainda mais porque ela, na prática, não “compensou” os consumidores fazendo isso. Simplesmente usou o (fraco) argumento de ser uma medida “em prol do meio ambiente” e reduziu um pouquinho o preço do seu adaptador de 20W.

Mas essa é uma polêmica já bastante batida por nós aqui no MacMagazine, eu diria. A Apple sabe que, mesmo com essa atitude ousada, consumidores reclamarão mas, ainda assim, comprarão seus aparelhos — e as primeiras pesquisas de mercado sobre a performance de vendas dos iPhones comprovam isso. Ela pode até ter passado o limite para algumas pessoas com essa atitude, mas infelizmente acabará influenciando outras fabricantes e, em breve, isso tende a se tornar padrão no mercado.

Com relação à potência de recarga em si, nenhuma novidade aqui: com um adaptador de 20W (ou mais), todos os novos iPhones chegam a 50% de bateria em meia-hora. Não é nada de outro mundo, mas é razoável.

MagSafe

Se você olhar para a traseira dos iPhones 12, não perceberá nada muito diferente em relação à da geração anterior. Mas há ali por trás do vidro, bem no meio, um novo sistema de recarga sem fio criado pela Apple, que usa ímãs.

E sim, ela reutilizou uma marca antiga e saudosa: MagSafe. Para quem não lembra, esse nome designava os antigos cabos magnéticos usados para recarga de MacBooks, que se desprendiam facilmente caso alguém tropeçasse no fio (funcionava que era uma maravilha!).

Nos novos iPhones, os ímãs servem para alinhar perfeitamente acessórios como o primeiro lançado pela própria Apple, chamado obviamente de Carregador MagSafe.

Há algumas vantagens nesse sistema:

  • Praticidade: não há como comparar ímãs como um conector para um fio, por mais que o Lightning seja bem prático pelo fato de o plugue não ter lado certo (tal como o USB-C). Basta aproximar o iPhone do carregador e pronto, está preso e alinhado.
  • Porta Lightning liberada: quando a Apple retirou a saída de 3,5mm dos iPhones, ela complicou a vida de quem precisa usar um fone com fio ao mesmo tempo em que recarrega o aparelho. Agora, é possível recarregá-lo via MagSafe enquanto usa um fone conectado à porta Lightning, sem problemas.
  • Potência: desde as gerações 8/8 Plus e X, os iPhones suportam recarga sem fio pelo padrão Qi — inicialmente limitada a 5W, depois expandida para 7,5W. Com o MagSafe, temos uma recarga “sem fio” com o dobro de potência, 15W.

Sobre este último ponto, embora eu entenda a justificativa da Apple de que os ímãs do MagSafe garantem um alinhamento perfeito para otimizar a recarga sem fio, achei muito baixo da parte dela ainda limitar a recarga Qi convencional para os 7,5W de antes. Sim, você só consegue chegar a 15W usando um acessório MagSafe — seja da Apple ou de terceiros.

E olha que 15W nem é algo extraordinário. Já há Androids por aí oferecendo recarga sem fio com o dobro dessa potência ou até mais, então o mínimo que a Apple poderia fazer era virar essa chave para todos os acessórios Qi.

Claro que o sistema MagSafe como um todo vai muito além desse primeiro carregador que testamos. Inúmeras fabricantes já começaram a apresentar acessórios superbacanas que fazem uso dos ímãs, incluindo powerbanks, suporte veiculares, adaptadores para câmeras e outros. Num piscar de olhos, a Apple acaba de criar um novo mercado bilionário de acessórios para iPhones.

Câmeras

E chegamos ao tópico que certamente mais interessa a boa parte dos consumidores de smartphones, hoje em dia. Quão melhores são as câmeras dos iPhones 12, afinal?

Antes de falarmos do que mudou, resumamos o que continua igual: o iPhone 12 (e seu irmão mini) continua com duas lentes, uma grande angular e uma ultra-angular, enquanto os modelos Pro têm uma terceira lente, teleobjetiva — além de um scanner LiDAR, que trataremos num tópico à parte, a seguir. Todas as câmeras continuam com 12 megapixels de resolução.

A câmera frontal continua igual em todos, com abertura ƒ/2.2. A grande angular de todos agora tem abertura ƒ/1.6 (contra ƒ/1.8 da geração anterior), a ultra-angular continua em ƒ/2.4 e a teleobjetiva tem ƒ/2.0 no 12 Pro (com zoom óptico de 2x) e ƒ/2.2 no 12 Pro Max (com zoom óptico de 2,5x).

Aqui, um parêntese importante. Na keynote de lançamento dos iPhones 12, a Apple citou que o “alcance de zoom óptico” do iPhone 12 Pro era de 4x, enquanto o do 12 Pro Max era de 5x. Ela foi bem “safada” nesse marketing, visto que calculou essa variação de zoom a partir da câmera ultra-angular em vez de a partir da grande angular padrão. Não caiam nessa.

Talvez o maior avanço nas câmeras dos iPhones, este ano, seja o fato de que todas — inclusive a frontal — agora suportam HDR Inteligente 3, Deep Fusion e Modo Noite. A única exceção é a teleobjetiva, que continua não suportando Modo Noite — e nós comprovamos isso num vídeo de testes [abaixo].

Em termos de hardware das lentes, em si, a que recebeu mudanças mesmo foi a grande angular principal. Além da abertura maior de diafragma que citamos acima, ela agora tem um novo sistema de sete elementos e, no caso do iPhone 12 Pro Max, conta com um sensor 47% maior do que todos os outros modelos — o que proporciona uma entrada maior de luz e pixels maiores, de melhor qualidade.

Além do sensor maior (que gera pixels de 1,7μm, nada mau), a câmera principal do iPhone 12 Pro Max incorpora algo inédito em smartphones, que só estamos acostumados a ver em câmeras mirrorless profissionais: um sistema de estabilização no próprio sensor, em vez de na lente.

Como o sensor-shift é superior à estabilização óptica convencional, temos não só vídeos mais bacanas, como também fotos mais nítidas — especialmente em ambientes escuros, em que temos que segurar o iPhone por 1-3 segundos para capturar a foto.

Na prática, como vocês também viram em nossos vídeos, o salto este ano não foi tão significativo assim — exceto em casos óbvios, como usar a câmera ultra-angular com o Modo Noite, que vai da água pro vinho. Houve sim aprimoramentos aqui e ali, especialmente considerando o sistema do iPhone 12 Pro Max, mas nada tão drasticamente perceptível assim.

Ainda este ano, com o iOS 14.3, a Apple liberará para donos de iPhones 12 Pro e 12 Pro Max o formato de captura ProRAW, que promete proporcionar mais flexibilidade na edição de imagens capturadas pelo aparelhos ao reter mais informações “cruas” no momento em que são capturadas, ao mesmo tempo em que utiliza todos os recursos de fotografia computacional da Maçã.

Em captura de vídeos, a grande novidade é a chegada do Dolby Vision — basicamente um HDR avançado e de excelente qualidade para vídeos. Ele suporta até 4K com 30 quadros por segundo nos iPhones 12 e 12 mini, e até 4K60 nos iPhones 12 Pro e 12 Pro Max.

Outra coisa bacana em vídeos é que agora o modo time-lapse também funciona com o Modo Noite, o que faz uma grande diferença. Só não entendo por que ele continua gerando vídeos em Full HD (1080p), sem nos dar a opção de 4K nesse caso. Não há nenhuma limitação técnica para tal.

Scanner LiDAR

iPhone 12 Pro dourado

Além da terceira lente (teleobjetiva), os iPhones 12 Pro e 12 Pro Max trazem mais uma coisinha no seu sistema de câmeras traseiro que foi introduzida primeiro pela Apple nos últimos iPads Pro: um scanner LiDAR.

Como ela mesmo explica:

O scanner LiDAR no iPhone 12 Pro mede o tempo que a luz leva para refletir de um objeto e cria um mapa de profundidade de qualquer espaço. Com tanta rapidez e precisão, os apps de realidade aumentada agora podem mostrar exatamente como um tênis vai ficar no seu pé ou até transformar sua sala na superfície de outro planeta.

Com os iPads Pro, vimos que o scanner ajuda bastante em apps de realidade aumentada. Isso por si só, para quem usa aplicativos ou curte games do tipo, já é bem bacana.

Mas nos iPhones, a Apple foi além e começou a utilizar o scanner também para melhorar fotos e vídeos. Ele torna o foco automático mais rápido e preciso (especialmente em situações de baixa luz), bem como habilita pela primeira vez a possibilidade de combinarmos o Modo Retrato com o Modo Noite.

Na minha opinião, só faltou mesmo a Apple nos oferecer um Modo Retrato para vídeos. Poder de processamento e hardware para isso nós temos de sobra, então resta apenas a Apple querer, mesmo.

Mais detalhes

Aqui, mais algumas coisinhas que não podemos deixar de tratar neste review, mas que não merecem uma seção separada:

  • As capacidades dos iPhones 12 e 12 mini continuam iguais às do ano passado (64GB, 128GB e 256GB), mas nos modelos Pro a Apple dobrou o modelo de entrada para 128GB (além de continuar oferecendo opções de 256GB e 512GB).
  • Não percebi nenhuma mudança/melhoria nos alto-falantes ou no Taptic Engine (motor vibratório) dos novos iPhones, mas isso não é problema visto que eles já eram excelentes.
  • Nenhuma novidade em conectividade wireless, também: temos Wi‑Fi 6 (aka 802.11ax) com MIMO, Bluetooth 5.0, NFC e o chip U1 de banda ultralarga.
  • Todos os iPhones continuam sendo Dual SIM, ou seja, suportam tanto um Nano-SIM físico (pela bandeja de chip lateral, que mudou de posição) quanto um eSIM digital.
  • Caso ainda não tenha ficado claro para você, o conector inferior dos iPhones continua sendo Lightning — apenas o cabo incluso na caixa tem a outra ponta USB-C. E tudo indica que nunca veremos um iPhone com porta USB-C

12 Pro vs. 12 Pro Max

Muito antes de a Apple apresentar os iPhones 12, eu estava “decidido” a, após alguns anos, voltar a usar o tamanho intermediário em vez do Max. Eu não tive um iPhone 6 Plus nem um 6s Plus, mas me rendi ao tamanho maior na geração 7, devido aos avanços nas suas câmeras. Desde então, estou nessa.

Todas as cores do iPhone 12 Pro Max de lado, inclinados

O fato de o iPhone 12 Pro ter chegado primeiro ao mercado acabou me forçando a usá-lo por algumas semanas, e não há dúvida nenhuma de que o tamanho dele é bem mais confortável de usar no dia a dia que o do 12 Pro Max. Mas eu senti, sim, falta da telona — especialmente porque hoje em dia não tenho um iPad, então uso muito o iPhone para assistir a vídeos.

Além disso, como citei acima, em dois dias de um uso mais intenso eu consegui acabar com a bateria do iPhone 12 Pro — algo quase impossível de eu fazer no Max. Como eu estava em casa (alô, pandemia!), não foi lá um grande problema colocá-lo um pouco para recarregar, mas acabou me deixando um pouco preocupado num cenário futuro em que não fosse muito fácil fazer isso.

E a Apple me aprontou, claro, de colocar uma câmera superior no modelo Max. Eu mostrei num vídeo que as diferenças não são tão perceptíveis assim quando eu desejaria, mas elas existem e isso acaba contando, também, como vantagem para o iPhone 12 Pro Max.

O curioso foi que bastaram 2-3 semanas de uso do iPhone 12 Pro para eu me desacostumar completamente com o tamanho do modelo grandão. Quando migrei para ele, achei muito esquisito e quase me arrependi; agora, após mais algumas semanas de uso do 12 Pro Max, já estou achando ele “normal” de novo. Claro que não deixou de ser um smartphone enorme, mas já estou devidamente adaptado.

Pros vs. “normais”

Pode soar esquisito eu fazer esta recomendação tendo escolhido um iPhone 12 Pro Max para mim, mas o ditado “façam o que eu digo, não façam o que eu faço” não existe à toa.

Na minha opinião, se você está pensando em comprar um dos novos iPhones, deveria considerar fortemente o iPhone 12 “normal”. A meu ver, esse é o aparelho com o conjunto mais equilibrado de recursos e preço de toda a linha.

Todas as cores do iPhone 12 mini lado a lado

Falando de uma forma geral sobre os iPhones 12 e 12 mini, esta é a listinha básica do que eles *não* têm em relação aos iPhones 12 Pro e 12 Pro Max:

  • Lateral em aço inoxidável e traseira de vidro fosco;
  • Lente teleobjetiva e scanner LiDAR;
  • Vídeos em Dolby Vision a 4K60;
  • Suporte ao formato Apple ProRAW;
  • 6GB de RAM, em vez de 4GB;
  • Tela com 800 nits de brilho, em vez de 625;
  • Modelo com 512GB de capacidade.

Pode parecer bastante coisa, mas a maioria desses itens são bastante específicos e praticamente metade deles dizem mais respeito a quem realmente se importa com o melhor hardware possível para fotos e vídeos capturados por smartphones.

Claro que, se um ou mais itens da lista importam muito para você, então você está dentro do público-alvo dos modelos Pro (como eu estou). Além disso, os modelos mais caros são também destinados a quem quer a melhor bateria e a maior tela possíveis (caso do 12 Pro Max).

Ou, quem sabe, tudo o que você queira seja um iPhone de última geração na cor dourada. Aí, não tem jeito: terá que escolher entre o 12 Pro e o 12 Pro Max. 😉

Conclusão

Eu não teria escrito um review tão longo quanto este se os iPhones 12 fossem “iguais” aos anteriores, com só uma ou outra coisinha diferente/melhorada. Como vocês podem ver, a Apple continua num ritmo de evoluções bacana na linha.

Mas devo confessar que, ao contrário de outros anos, não houve uma “grande” novidade este ano suficiente para me fazer optar pelo upgrade. O conjunto todo somado, sim, até justifica o investimento para algumas pessoas — mas, como sempre, as mudanças são mais perceptíveis para quem vem de 2-3 gerações atrás ou mais.

Se não há algo nos iPhones 12 que realmente tenha lhe interessado, ou mesmo se você não estiver de fato precisando de um smartphone, sugiro aguardar a geração do ano que vem. Foi, por sinal, o que eu fiz com o Apple Watch; as novidades do Series 6 foram bacaninhas, mas não suficientes para me fazer trocar o meu Series 5. Se eu ainda estivesse no Series 3, como o Diogo estava, aí sim valeria muito a pena o upgrade.

Empregada de Apple Store identificando caixas de iPhones 12 e 12 Pro

Isso tudo somado ao ano difícil de pandemia que ainda estamos enfrentando, bem como um real bastante desvalorizado em relação ao dólar, tornam esta recomendação possivelmente a mais difícil em muitos anos. Ou, talvez, esta seja justamente a melhor oportunidade para você comprar um iPhone 11 Pro/11 Pro Max, caso consiga achar um à venda por um preço bacana por aí. Eles continuam sendo aparelhos fenomenais e têm muitos anos de suporte garantidos ainda pela frente.

Só recapitulando os preços oficiais da Apple, a linha iPhone 12 nos EUA parte de US$730 pelo mini de 64GB, chegando a US$1.400 pelo 12 Pro Max de 512GB. No Brasil, eles vão de R$7.000 a R$14.000.

Enfim, espero que este review ajude na sua decisão. 😊


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