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Tim Cook na Esquire

Entrevista: Tim Cook fala sobre privacidade, pandemia e direitos sociais

O CEO comentou diversos pontos importantes da atualidade

Tim Cook está completando dez anos como CEO1 de uma das maiores empresas do mundo. Sobre a liderança de dele, a Apple revolucionou o mercado de smartphones e wearables, e está focando cada vez mais em saúde, privacidade e direitos humanos.

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Nesta semana, o executivo foi entrevistado pelo jornalista Jorge Alcade, da Esquire (versão espanhola), e falou sobre a sua formação, os conselhos de Steve Jobs e as mudanças da pandemia sobre a Apple.

Infância e tecnologia

Crescido no Alabama, o CEO disse que, quando criança, seu contato com tecnologia era mínimo e que a coisa mais próxima de tecnologia com que tinha contato era uma máquina de escrever.

O seu primeiro contato real com tecnologia foi um jogo de pingue-pongue, daqueles bem antigos; ele já estava na faculdade quando viu pela primeira vez um computador pessoal: “Esses dois eventos claramente marcaram minha vida”, disse Cook.

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Quando perguntado sobre sua formação em engenharia:

Desde pequeno fiquei intrigado com matemática. Eu era uma daquelas raras crianças que gostava das aulas de matemática. E adorava me relacionar com outras pessoas. Com o tempo, descobri que a engenharia industrial era o melhor cenário para desencadear minhas duas grandes vocações: números e contato humano.

CEO da Apple

Após dez anos como diretor executivo da Apple, Cook foi perguntado sobre seu primeiro dia no cargo:

Eu tenho isso gravado na minha memória. Foi um dia de sentimentos confusos: assumir aquela responsabilidade emocionante sabendo que estava fazendo isso porque Steve não tinha energia para continuar liderando. Sempre pensei que enquanto eu estivesse na Apple, ele ficaria na empresa, talvez como presidente. Mas isso não seria possível. Foi um dia de claro e escuro.

Questionado se Jobs lhe deu algum conselho para ajudá-lo a enfrentar aquele primeiro dia, Cook respondeu:

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Quando ele me ligou para me oferecer a sucessão, me contou uma história da Disney. Me disse que, após a morte de Walt, por um longo tempo, os executivos da empresa sentaram-se para tomar decisões pensando “o que Walt Disney faria neste caso?” Steve me disse: “Tim, não quero isso para a Apple. Não quero que você se pergunte o que eu teria feito em cada caso.” Com aquele conselho simples, ele tirou um peso enorme de cima de mim. Não parei de pensar nessas palavras nesses dez anos.

Quando perguntado sobre a idade da Apple e a possibilidade de um futuro menos inovador, Cook disse que isso não vai acontecer. Segundo ele, a Apple mantém um espirito dos anos 1970 até hoje e ainda o manterá em 2050:

Só contratamos pessoas que compartilham essa paixão de mudar o mundo com cada produto. Esse é o nosso segredo.

Falando em sucessos e fracassos como CEO, Cook salientou as inovações da empresa, a incrível variedade de iPhones e seus recursos avançados, como o Face ID. Ele ainda aproveitou para puxar sardinha para o Apple Watch: “Quem teria sonhado que você poderia monitorar a saúde do seu coração com o seu relógio?”

Sobre os fracassos, Cook evitou responder a pergunta, dizendo que ele erra todos os dias e que a lista seria interminável. “Felizmente, temos a possibilidade de corrigir o curso. Eu faço isso diariamente.”

Pandemia e saúde

Falando um pouco sobre problemas atuais e como a Apple mudou com a pandemia da COVID-19, Cook disse que desde o primeiro momento eles estavam pensando de que forma a empresa poderia ajudar. Designers assumiram o papel de desenhar máscaras de proteção e a Apple aproveitou para se juntar ao Google na criação da API2 de rastreamento da doença.

Aprendemos a viver de maneira diferente graças à tecnologia. As máquinas nos ajudaram a estar mais conectados à distância, as crianças se adaptaram ao ensino por meio de uma tela. Mas a tecnologia nunca substituirá o contato humano. Quando estivermos próximos do fim e pudermos nos abraçar novamente, será um grande dia.

Ao ser perguntado sobre o que aprendeu com a pandemia, Cook respondeu que o importante é que possamos viabilizar a construção de uma sociedade mais igualitária e empática.

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Falando sobre saúde e o Apple Watch, Cook disse que a Maçã está desenvolvendo coisas realmente incríveis em seus laboratórios. Segundo ele, a empresa também possui aplicativos de saúde incríveis em execução. 🤔

Dados e privacidade

Já sobre privacidade, Cook falou que ela deve ser reconhecida como um “direito humano”. Ele também comentou os rótulos nutricionais da App Store e como a Apple procura deixar claro para usuários como e quais dados são utilizados.

Cook também falou sobre a Transparência do Rastreamento de Apps (App Tracking Transparency, ou ATT), que força desenvolvedores a pedir a permissão de usuários antes de rastrear suas atividades em aplicativos e sites de terceiros. Cada aplicativo da App Store deve atender ao requisito de dar o poder da decisão ao usuário, para que ele escolha o que deve ser feito com os seus dados privados.

Privacidade e segurança andam de mãos dadas. Sem um, não há outro. Todos os dados que você gerencia com o seu iPhone são criptografados. A Apple não pode descriptografá-los. Nós nos retiramos deliberadamente da equação.

Sem citar nomes, Alcade comentou com Cook que a maior ameaça à privacidade é proveniente de “governos, anunciantes e nossos vizinhos”. Sobre isso, Cook disse que o ataque a privacidade vem de todos os lados e que algumas praticas de publicidade digital precisam ser reformadas.

Sem dúvida. A Europa fez um excelente trabalho com o GDPR (Regulamento Europeu de Proteção de Dados). Espero que todos tomem nota e que um regulamento global seja implementado para o uso correto de dados pessoais.

Direitos sociais

Já conversando a respeito de movimentos sociais, Cook citou alguns momentos de referência importantes da sua infância, como a Marcha sobre Washington liderada pelo congressista John Lewis e por Martin Luther King, em 1963. O outro seria decisivo para sua vida pessoal: a Rebelião de Stonewall em Nova York (1969), marco que mudou o curso da luta pelos direitos LGBT.

E eu sinceramente acredito que agora estamos em um momento semelhante. O assassinato de George Floyd criou um novo ambiente para protestar nas ruas e permitiu que o mundo parasse por um momento para pensar até que ponto o racismo sistêmico se instalou em nossa sociedade. O fusível que surgiu nos Estados Unidos agora acendeu em todo o mundo e alertou para um problema que está muito presente em muitos lugares.

Alcade: E a tecnologia pode ser o motor dessa mudança?

Claro. Acontece algo agora que não acontecia nos anos 1960. Hoje, todos nós carregamos uma câmera no bolso. Muitas coisas que antes não podiam ser registradas hoje ocorrem aos olhos de milhões de testemunhas. Nada melhor do que uma sequência de vídeo para fazer você refletir ou impedir que alguém finja que não estão acontecendo injustiças.

Cook também foi perguntando sobre o ataque ao Capitólio americano e se as transmissões/vídeos gravados tornam a sociedade mais informada. Ele disse que em casos como esse, pode ocorrer um excesso de informação.

Sim, às vezes você pode sentir que está sofrendo de uma overdose de informações sobre certos temas, mas, no longo prazo, a mídia continua a desempenhar seu papel legítimo em uma democracia: ser a guardiã do que os cidadãos, instituições e governos fazem.

Cook disse também estar orgulhoso das iniciativas da Apple em defesa ao direitos sociais e à igualdade de oportunidades. Nos últimos anos, a empresa começou a fazer sérios investimentos para desenvolver programas em universidades historicamente negras com fundos para educação em áreas como empreendedorismo, inteligência artificial, aprendizado de máquina e muitas outras tecnologias essenciais para o futuro.

A educação é o grande motor da igualdade. Se não há educação de qualidade para todos, você obriga as pessoas a começarem suas vidas de posições muito diferentes, com vantagens demais para poucos.

O CEO também deixou claro que a empresa busca desenvolver esses programas em outros países e que trabalha intensamente para prover igual acesso a mulheres, pessoas negras, hispânicas e grupos LGBT.


No final da entrevista, Cook respondeu algumas perguntas rápidas, como o aplicativo que mais usa (Mail, da Apple) e qual seria o lugar para onde gostaria de escapar (Espanha).

A entrevista completa estará disponível na edição de junho da Esquire.

dica do Nuno Luz

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