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Tim Cook: lojas alternativas “destruiriam” segurança do iPhone

Em entrevista, o executivo discutiu também o lado sombrio da tecnologia e as falhas da Apple
Tim Cook
Engadget

O tour de imprensa pós-WWDC continua a todo vapor: depois do papo de Craig Federighi e Greg Joswiak com John Gruber, hoje foi a vez de Tim Cook em pessoa de assumir os holofotes — e tratar não apenas de anúncios da conferência, mas também de outros temas que têm tido destaque no universo da Maçã nos últimos tempos.

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Na conferência VivaTech, maior evento de startups de tecnologia da Europa, Cook foi entrevistado por Guillaume Lacroix, CEO1 da Brut. E, como era de se esperar, mais uma vez boa parte da conversa girou em torno da privacidade — e especificamente do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia, que Cook disse apoiar: segundo o CEO, as normas do bloco econômico em relação à privacidade dos usuários deveriam ser adotadas como padrão no mundo inteiro.

Por outro lado — finjam surpresa — Cook não parece estar muito feliz com a Lei dos Mercados Digitais (Digital Markets Art), ainda em fase de proposta na União Europeia e que, caso aprovada, poderá obrigar a Apple a admitir lojas de aplicativos alternativas no iOS/iPadOS. Segundo o executivo, tais regulamentações destruiriam a segurança do ecossistema da empresa e acabariam com recursos recentes de privacidade, como a Transparência do Rastreamento de Apps e os dados nutricionais da App Store.

Confirme nós olhamos para isso [as lojas alternativas], eu penso que elas destruiriam a segurança do iPhone e muitas das iniciativas de privacidade que nós embutimos na App Store. Elas seriam um dano para a privacidade e a segurança. Quero dizer, veja o exemplo do malware: o Android tem 47 vezes mais malware que o iOS. Por que isso acontece? Porque nós projetamos o iOS de forma que só há uma App Store e todos os aplicativos são analisados antes de entrar na loja. Isso mantém boa parte dos malwares fora do nosso ecossistema. Nossos usuários dizem continuamente o quanto eles valorizam isso. Então nós defenderemos nossos usuários nessas discussões e veremos onde tudo isso dará. Eu estou otimista, vejo que boa parte das pessoas analisando a questão da segurança sabem que este é um risco grave.

Cook e Lacroix discutiram também o “lado sombrio da tecnologia”, referindo-se a elementos como o vício em smartphones e o potencial da desinformação espalhada pelos meios virtuais — o CEO da Apple destacou, por exemplo, as campanhas negacionistas que têm afetado o ritmo de vacinação em várias partes do mundo.

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Segundo Cook, entretanto, a solução tem que partir dos humanos, e não da tecnologia em si:

A tecnologia por si mesma não quer ser boa. Ela também não quer ser ruim. Ela é neutra. Se ela é boa ou não, depende do inventor — da criatividade, da empatia, da paixão do inventor. Está claro que algo deve ser feito aqui [sobre o lado sombrio da tecnologia]. Isto não é um estado aceitável das coisas. E eu não sei se alguém já tem uma solução de como consertar isso por inteiro.

Tempo de Uso no iOS 12
Recurso Tempo de Uso

Falando sobre o futuro dos produtos da Apple, Cook foi — obviamente — bem lacônico quando questionado sobre como ele espera que o iPhone seja daqui a 20 ou 30 anos. Ele também expressou seu interesse nas tecnologias de realidade aumentada e inteligência artificial como formas de expandir a funcionalidade e a utilidade dos produtos e serviços da empresa.

Bom, ele [o iPhone do futuro] será melhor que o iPhone 12, você pode ter certeza disso. Ele resolverá mais problemas para seus usuários. Na raiz da questão, a nossa missão é fazer produtos que enriquecem a vida das pessoas. Nós não faremos um produto que não pode cumprir essa missão. Por isso nós fazemos uma quantidade limitada de coisas. […] Eu fico animado com a realidade aumentada porque vejo como uma tecnologia que enriquece a vida em formas bastante amplas. Nós trabalhamos com AR primeiro nos iPhones e iPads, e depois veremos para onde isso vai em termos de produtos. A questão-chave é enriquecer as vidas das pessoas. E sobre a inteligência artificial, eu fico animado pela possibilidade de remover algumas coisas que ocupam as pessoas e liberar mais tempo de lazer para os usuários.

Cook também foi questionado sobre os prospectos do “Apple Car” — e, obviamente, não falou nada além do fato de que a empresa tem seus segredos e não pode comentá-los publicamente.

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Sobre as falhas cometidas, tanto pessoalmente por Cook quanto pela Apple enquanto empresa, o CEO compartilhou um pouco da filosofia da Maçã sobre o assunto:

Eu falho diariamente em certas coisas. Nós nos permitimos falhar. Nós tentamos falhar interna em vez de externamente porque não queremos envolver os consumidores na falha, mas nós desenvolvemos coisas e às vezes decidimos não lançá-las. Nós começamos a seguir um certo caminho e às vezes mudamos de rota significativamente por causa de alguma descoberta no processo. Então sim, absolutamente, falhas são parte da vida e são parte de novas empresas, startups e companhias que estão por aí há bastante tempo tentando coisas novas. Se você não está falhando, você não está tentando coisas diferentes o suficiente.

A entrevista completa de Cook pode ser conferida logo acima.

via CNBC

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