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iPad Air
Foto de Sanjeev Mohindra no Unsplash

Review do iPad Air: “Pro o suficiente”

Desde que vendi o meu último iPad (um Air 2, Wi-Fi de 64GB), há cerca de quatro anos, esperei por aquele que iria me proporcionar tudo o que vinha sentindo falta desde então.

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Eu amava aquele iPad e sabia que não pagaria o mesmo preço de antes ao comprar um novo, mas também sabia que a próxima experiência que eu teria com um iPad moderno, quando pudesse adquiri-lo, seria bastante diferente — ainda que, de certa forma, muito familiar graças à orientação evolutiva do iOS/iPadOS.

O iPad Air de quarta geração foi lançado em outubro de 2020, com a promessa de ser “Pro o suficiente“ para muita gente. Em março de 2021, finalmente adquiri o meu, e desde então venho utilizando-o como meu computador principal para uso pessoal e acadêmico no dia a dia — e vez ou outra para o trabalho, de casa.

Já com esses alguns meses de uso recorrente e intenso, posso afirmar que a experiência tem sido surpreendente por uma série de bons motivos — uns previsíveis, outros nem tanto.

iPad como computador

Uma pergunta sobre a qual eu poderia discorrer a respeito aqui é: “O iPad pode substituir o seu computador?”

Mas esse debate tem muito mais nuances do que parece e pode não ter uma resposta assertiva acerca das inúmeras variáveis e diferenças entre os nossos perfis de uso pessoais, acadêmicos e profissionais.

Busca no novo iPad Air

Por isso, vou focar em responder uma pergunta mais realista e objetiva: “O iPad Air de quarta geração pode se tornar o seu computador principal?”

É o que vamos entender a seguir nesta análise, escrita e publicada totalmente no iPad Air, como todos os artigos que escrevi anteriormente aqui para o MacMagazine.

Design

Pela primeira vez, o iPad Air agora vem em cores: azul, verde e ouro rosa, além das opções clássicas cinza espacial e prata. Além disso, também é novidade para a linha Air o design industrial de chanfro quadrado — herdado dos iPads Pro de 2018 —, com tela ponta a ponta e bordas reduzidas, aclamado por muitos e pelo qual sou completamente apaixonado! 😍 

Todas as cores do novo iPad Air

O chanfro quadrado do novo formato pode ser um pouco menos confortável para quem está fazendo o upgrade de um modelo antigo do Air ou da linha de entrada, que conta com um formato levemente arredondado — o que ajuda bastante na ergonomia do aparelho quando usado por algumas horas, mas não chega a ser um problema.

Passo algumas horas diárias lendo e navegando tranquilamente no novo iPad Air, especialmente com o aparelho na orientação vertical, sem nenhum incômodo.

iPadOS 14 — e o futuro iPadOS 15

Nos últimos anos, a Apple demonstrou que enxerga o iPad com mais seriedade, diferenciado-o do iPhone em recursos de softwares voltados para o tablet — por isso, falamos agora de dois sistemas distintos: o iOS e o iPadOS.

O iPadOS, portanto, vem evoluindo com maturidade, cada vez mais, visto como um aparelho que pode se tornar o computador principal de alguns usuários — como no meu caso.

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Com o iPadOS 14, a Apple trouxe interfaces compactas para facilitar as atividades multitarefa no iPad. O recurso Scribble (Escrever à mão, em português), agora disponível no nosso idioma, e o reconhecimento de formas geométricas foram ótimas implementações para usuários do iPad e do Apple Pencil.  

Já o iPadOS 15, que será disponibilizado ao público geral em meados de outubro deste ano, trará bons recursos ao iPad que até então eram exclusivos do iPhone, como a Biblioteca de Apps (no Dock, com direito a um mostrador de pastas inteligentes e lista com todos os aplicativos instalados no aparelho), que acaba com a necessidade de manter-se todos os apps nas telas iniciais do tablet.

Outro recurso bastante popular do iOS, agora trazido para o iPadOS, são os widgets na tela inicial — que, apesar de não serem interativos e agirem apenas como “atalhos” de recursos dos aplicativos, podem ser bastante úteis dependendo dos apps.

Ainda com aprimoramentos na facilidade de se invocar o sistema multitarefa do iPad a partir de qualquer aplicativo que adote o recurso e a Siri com — alguns — comandos offline, ampliação do Áudio Espacial em apps de mídia e mais, o iPadOS 15 pode ter desapontado muitos de nós que, como relatamos aqui, esperávamos por mais novidades, mesmo sem sabermos pelo que esperar.

Depois de alguns meses usando o iPad Air com o iPadOS 14 e, desde a WWDC21 deste ano, com as primeiras versões beta do iPadOS 15, afirmo que a experiência de software como um todo não vai deixar a desejar em nada para quem procura uma boa solução mobile para tarefas do dia a dia como navegação na web, leitura de emails, edições intermediárias de documentos e planilhas, navegação em redes sociais e consumo de mídia em geral.

Bateria

Como de costume, o desempenho da bateria no novo iPad Air foi apresentado com a promessa de 10 horas diárias, o suficiente para um dia de uso completo.

Particularmente, tenho uma média de 5 horas diárias de tempo de tela ligada e 1h30 em standby registradas pelo sistema, o que sugere que essa calibração do uso da bateria ainda precisa melhorar muito por parte da Apple1. Digo isso porque, entre uso pessoal, acadêmico e profissional, consigo variar entre 6 e 8 horas de uso diário sem nenhuma necessidade de recarregar o iPad.

Touch ID no botão superior

O Touch ID roubou a cena durante a apresentação dos recursos do iPad Air no ano passado. Agora implementado no botão de ligar/desligar o aparelho, para dar mais simetria e espaço para a tela com bordas mais finas, há quem se preocupe com a falta do Face ID, que ficou dedicado à linha Pro.

iPad Air com seu Touch ID

A verdade é que, para um usuário de iPhone com Face ID como eu, a volta do Touch ID não compromete em nada o uso do iPad no dia a dia — muito pelo contrario! A implementação do sensor no botão superior (ou lateral, se você estiver usando o iPad na horizontal) é muito bem-vinda e pode até ser mais confortável e intuitiva do que no iPhone, que ainda não suporta o Face ID na horizontal como o iPad Pro.

Quando comparado, ainda, aos modelos Air (anterior) e de entrada, a nova solução do Touch ID parece ainda melhor localizada fora da vista.

O que muda quando comparado aos iPads Pro de 2021?

Basicamente, a quarta geração do iPad Air tem a mesma estrutura física do iPad Pro de 11″ (modelo 2021), com poucas diferenças visuais que podem ser percebidas apenas no módulo de câmeras traseiras. No entanto, quando se comparam as especificações, a história é outra.

Então, vamos analisar ponto a ponto.

Hardware

Na frente do iPad Air você encontrará uma tela LCD2 ligeiramente menor — de 10,9 polegadas — sem o recurso ProMotion, o Touch ID como recurso de segurança biométrica (agora integrado ao botão de ligar/desligar) em vez do Face ID, e uma câmera frontal HD de 7 megapixels contra uma de 12MP dos Pro.

Já atrás do aparelho, nota-se apenas uma câmera grande-angular, de 12MP, enquanto os modelos Pro contam com a mesma grande-angular de 12MP e outra ultra-angular de 10MP, acompanhadas de um flash TrueTone e do scanner LiDAR.

Tela

Quando comparado ao iPad Pro maior, com a tela de 12,9 polegadas, as diferenças técnicas ficam ainda mais evidentes: o iPad Air tem com uma tela LED3 IPS com resolução de 2360×1640 pixels a 264 pixels por polegada, enquanto o iPad Pro de 12,9″ conta com um painel Mini-LED IPS com resolução de 2732×2048 pixels a 264ppp, suporte a HDR4 e uma calibração de brilho pouco superior.

Em suma, é como comparar a qualidade de tela de um iPhone 8 com a de um iPhone X, 11 ou 12.

Processador

O processador do iPad Air é o A14 Bionic, o mesmo presente nos iPhone 12 e 12 Pro, com velocidade de 3GHz, seis núcleos de processamento (dois de alta performance e quatro de alta eficiência) e 4GB de RAM5. Em comparação, os novos iPad Pro contam com o processador M1 — o mesmo presente nos novos MacBook Air e Pro do último ano — e 8 núcleos de processamento (sendo 4 de alta performance e 4 de alta eficiência), além das “opções” de 8GB ou 16GB de memória, dependendo do modelo.

Armazenamento e preço

Para os padrões americanos, o novo iPad Air se trata de um tablet de preço intermediário e pode ser visto como a opção ideal para a maioria das pessoas na atual linha de iPad. Por US$600, você leva o modelo Wi-Fi de 64GB, enquanto o segundo modelo, de 256GB, sai por US$150 a mais.

No Brasil, seguindo a tabela da Apple, os mesmos modelos saem por R$7 mil e R$8,7 mil, respectivamente. Se você optar pelo modelo com conectividade celular, os preços ficam ainda maiores em qualquer país, podendo chegar a R$10,3 mil pela versão de 256GB aqui. No caso do iPad Air, as variações se dão apenas a partir das opções de armazenamento já citadas, uma vez que há um tamanho único de tela — o de 10,9″. 

Magic Keyboard: a cereja do bolo

O Magic Keyboard, apresentado pela Apple como um acessório companheiro para os iPad Pro do início de 2020, também pode ser usado perfeitamente com o iPad Air. Eu garanti o meu após um período de testes com o catastrófico Keyboard Pro+ (da Brydge) e não me arrependo; a Apple realmente acertou a mão com o Magic Keyboard, que atua como um complemento essencial ao iPad.


Magic keyboard para iPads
Magic Keyboard para iPads Air e Pro de Apple Preço à vista: a partir de R$3.149,10
Preço parcelado: em até 12x de R$291,58
Compatibilidade: iPads Air (4ª geração), Pro de 11″ (1ª, 2ª e 3ª gerações) e de 12,9″ (3ª, 4ª e 5ª gerações)
Lançamento: abril de 2021

Diferentemente do seu teclado antecessor, o Smart Keyboard, a versão “mágica” — que leva o nome por causa de um conjunto de ímãs que prendem o iPad ao teclado — proporciona uma experiência de uso bastante agradável num design folio, ou seja, com formato de uma pasta. Clipe o iPad no teclado para usá-lo como laptop e feche o tablet envolto pela capa quando não for mais utilizá-lo. Se preferir usar o iPad na vertical, basta apenas desencaixá-lo magneticamente do suporte do teclado enquanto a case estiver aberta.

O Magic Keyboard tem sido nada menos do que essencial no uso do iPad no meu dia a dia. A experiência de digitação é, sem exagero, a melhor que eu já tive em um teclado; o espaçamento das teclas é confortável o suficiente para um aparelho de 11″, e os materiais que a Apple usa tanto para o teclado quanto para a capa aparentam ser duráveis, além de darem uma bela sensação premium.

Apesar de alguns poucos bugs que se encontra entre alguns aplicativos ainda não otimizados para teclados de hardware, como o Magic Keyboard — e do layout de escrita americano —, nada se pode reclamar da experiência do acessório. Todos os acentos e letras que usamos na língua portuguesa estão presentes em atalhos de hardware e também há inúmeros atalhos/gestos de software que dão muito poder de digitação à dupla iPadOS e Smart Keyboard.

Mesmo com uma bateria integrada, carregada unicamente pelo Smart Connector enquanto encaixado ao iPad, e uma porta USB-C, não há qualquer preocupação em manter o teclado carregado, afinal, ele vive da bateria do iPad e o consumo de energia é tão pequeno que você não vai notar diferença na autonomia do tablet enquanto usa o teclado.

Conclusão (custo-benefício)

O iPad Air pode ser, de fato, “Pro o suficiente” para muita gente. Se, como eu, você tem um uso pessoal (reservado a navegação e consumo de mídias) e profissional ou acadêmico (que se inclina à edição de documentos na nuvem ou no aparelho e no uso de ferramentas web como plataformas de publicidade digital), é perfeitamente possível fazer do iPad o seu computador principal.

Para isso, sugiro que você estude os aplicativos essenciais instalados no iPhone para ter como referência a experiência expandida que poderá ter no iPad, caso ainda não esteja familiarizado com o tablet da Apple. Muito do que funciona no iPhone vai funcionar igualmente bem ou melhor no iPad, dependendo da vontade do desenvolvedor e da compatibilidade do software que você está utilizando.

Família de iPads — Pro, Air, normal e mini
Todos os modelos de iPads à venda atualmente (Pro, Air, “comum” e mini)

Hoje em dia, o básico do que se espera de softwares terceiros (como as suítes Office, Adobe e Google para desktop/web) é perfeitamente entregue em cada um desses aplicativos em suas versões para iPad — claro, se você procurar por todos os recursos nativos dessas ferramentas, pode dar falta de algumas aqui ou ali, mas o básico estará presente. E o básico, aqui, significa muita coisa funcionando bastante bem!

Com o tempo, a Microsoft tem otimizado cada vez mais a suíte Office para os softwares da Apple, enquanto a Adobe tem proposto soluções quase que tão completas para o Photoshop e o Illustrator como em suas versões desktop.

A premissa de nunca comprar um aparelho com promessas de software é muita verdadeira, mas quando se analisa a evolução do iPad nos últimos anos, percebemos um esforço da Apple para correr contra o tempo. O iPad hoje é muito diferente do imaginado e apresentado por Steve Jobs, em 2010. Por isso, hoje, temos linhas que buscam atender a todas as necessidades e vontades (mini, iPad, Air e Pro), além de ter sua experiência ampliada com acessórios como o Apple Pencil (que não é uma simples caneta stylus) e o Smart Keyboard, periféricos que ajudam o trabalho a ser feito com excelência.

Certamente, o iPad Air é a melhor escolha para a maioria que pode pagar por ele, mas você perde muito pouco se optar por comprar o iPad de entrada, como falamos nesse artigo especial:

Com o novo Air, você vai pagar um pouco mais caro para ter um processador mais atual e rápido, câmeras levemente superiores e um design moderno — mantendo, ainda, a mesma experiência de software do modelo de entrada, que é uma opção mais assertiva para quem quer ingressar no mundo Apple com um iPad ou realizar tarefas simples como jogar Candy Crush Saga e navegar no Twitter

Por outro lado, quando comparado aos iPads Pro, você também mantém a mesma experiência de software e design, ainda que com um poder de processamento um pouco menor — o que não significa perceptivelmente inferior, se você não tem familiaridade com softwares profissionais que exigem um alto processamento.

Para brasileiros, em particular, é muito difícil sugerir um produto que custa a partir de R$7 mil como cabível “para a maioria”, mas certamente o novo iPad Air é o ideal para quem busca um computador fino, leve, móvel e “Pro o suficiente” — rodando um software que você provavelmente já conhece e gosta.


iPad Air
iPad Air de Apple Preço à vista: a partir de R$6.299,10
Preço parcelado: em até 12x de R$583,25
Cores: cinza espacial, prateado ouro rosa, verde ou azul céu
Capacidades: 64GB ou 256GB
Lançamento: setembro de 2020
Geração: 4ª geração

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