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Design: iMac G3 e novo iMac

Design de produto da Apple: passado, presente e futuro

Para saber o que vem adiante, precisamos olhar para trás

Poucas empresas têm uma filosofia de design tão reconhecida e reverenciada como a Apple: desde os primórdios da companhia, a verve quase obsessiva de Steve Jobs com o visual das coisas guiou seus produtos — e a crise enfrentada pela empresa durante os anos de exílio do cofundador foi, também, uma crise estética.

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Vejam bem: não é minha intenção, aqui, sugerir que as duas eras Jobs — ou a fase atual, pós-Jobs — são imunes a erros e escolhas equivocadas. Por outro lado, é inegável que, nesse processo de criação de produtos (de hardware e software), há um nível de critério raramente visto em outras empresas ou mesmo na própria Apple, nos seus anos de colapso.

O fato é que, desde a morte do seu cofundador, a Maçã tem tentado manter os princípios e a atenção meticulosa aos detalhes que caracteriza a sua filosofia na área. Não seria exagero, portanto, dizer que — ao menos em termos de design — a Apple ainda vive, de certa forma, a segunda era Jobs. Ou será que não?

Abaixo, vamos fazer uma viagem pelas quatro “fases” de design da Maçã desde o retorno de Jobs, em 1997, e a partir delas traçar algumas perspectivas do que estamos vendo nos últimos tempos — tudo para, no fim das contas, entendermos para que direção a empresa está caminhando na sua filosofia de design e o que podemos esperar, em termos de produtos e até serviços, para os próximos tempos.

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Vamos lá?

Fase 1: translúcida

1998 – 1999

Impossível não começar essa linha do tempo com o produto que basicamente basicamente reergueu a Apple da cova: o iMac G3.

iMac G3

Com suas linhas arredondadas e o plástico translúcido multicolorido, o computador quebrou todos os paradigmas de design da indústria de computadores da época (e até da própria Apple, até aquele momento): saía o bege quadradão e entrava em cena uma abordagem muito mais jovial, mais amigável, mais cool — ressuscitando o próprio espírito “Hello” do Macintosh original.

O que também ajudou bastante o iMac a atingir o nível de popularidade e status que obteve foi o lançamento do computador em várias cores e temáticas — ok, aquela versão florida a gente esconde na fanbase.

O lançamento do iMac G3 deslanchou alguns outros produtos multicoloridos: notavelmente, o iBook G3 e o Power Macintosh G3, como vocês veem acima.

Houve também alguns tiros no pé, como o primeiro Apple Mouse — o periférico, que acompanhava o iMac, já foi citado como um dos piores produtos da história da tecnologia.

Fase 2: branca

1999 – 2006 (mas ainda viva!)

A segunda fase da nossa viagem é, sob muitos aspectos, aquela que consolidou a “nova” linguagem de design da Apple: a fase do plástico branco e dos acabamentos altamente polidos, quase brilhantes.

AirPort original de 1999
AirPort (1ª geração)

O produto que estreou essa fase foi o AirPort de primeira geração, e vimos traços desta filosofia também no Apple Studio Display e no eMac.

O caráter icônico desta fase, entretanto, foi atingido em outros produtos — nomeadamente as primeiras gerações do iPod e o iMac G4, provavelmente um dos mais belos computadores produzidos pela Apple. Seu sucessor, o iMac G5, também é um integrante desta geração, e introduziu o “visual do iMac” ao qual estamos acostumados hoje em dia.

Mais exemplos da “geração branca” incluem o icônico MacBook “white” e o Mighty Mouse. E não há como não citar o Power Mac G4 Cube, uma criação tão bela quanto fracassada.

Apple - Power Mac G4 Cube
Power Mac G4 Cube

E para quem acha que a fase branca ficou para trás, basta dar uma olhada nos AirPods [Pro], no AirTag ou na Bateria MagSafe para perceber que ela ainda vive — e pode encontrar uma nova vocação justamente na área dos acessórios, ao que indicam as tendências de design da Maçã.

Fase 3: metálica

2003 – atualmente

Em 2003 (vejam que as fases se sobrepõem), a Apple apresentou o produto que basicamente influenciaria toda a sua linguagem de design dali em diante: o PowerBook G4, que posteriormente — com a transição para os processadores Intel — foi substituído pelo MacBook Pro — ainda com um visual bastante parecido.

Estava tudo ali, a começar pela predominância do alumínio e pelas linhas retas e minimalistas. Obviamente, outros adventos foram adicionados posteriormente, como a construção unibody, as bordas da tela em vidro preto, os trackpads cada vez maiores e os projetos cada vez mais finos.

Ainda assim, pode-se dizer que todos os MacBooks até hoje ainda seguem a mesma linhagem deste design, testado e aprovado, de quase 20 anos atrás.

A fase metálica logo se espalhou entre os produtos da empresa. Boa parte dos iPods abraçou a linguagem, especialmente as gerações posteriores do iPod shuffle. Todos os Macs também entraram na era do alumínio, como o Mac mini, o iMac e o Mac Pro. Os iPads também fazem parte desta grande família, em todos os seus tipos e gerações.

Fase 3,5: as joias

2010 – atualmente

A princípio, seria fácil colocar o iPhone e o Apple Watch na fase do alumínio, mas analisando com um pouco mais de calma, vemos que não é muito bem o caso — as duas linhas têm, de certa forma, uma linguagem própria, que está relacionada à fase acima mas não de forma plena. Consideremos, portanto, esta uma fase “3,5”.

iPhone 5
iPhone 5

Mas a que eu me refiro, exatamente? Simples: tanto os iPhones (especialmente do iPhone 4 em diante) quanto os Apple Watches têm toques de requinte nos seus projetos de hardware que não são vistos nas linhas simples, frias e minimalistas dos demais produtos da empresa.

Um exemplo óbvio — e um tanto quanto ridículo — é o Apple Watch Edition original de ouro, mas também está em elementos mais sutis: as bordas chanfradas do iPhone 5, as laterais de aço inoxidável polido dos iPhones 11/12 Pro, a Digital Crown e os fechos de algumas pulseiras do Apple Watch.

iPhone 12 Pro
iPhone 12 Pro | Foto: Hadrian / Shutterstock.com

São características que, de certa forma, dão a estes produtos um certo ar de joias.

Fase 4: o futuro

Todas as fases de design até aqui foram lideradas, com grau de influência cada vez maior, pelo lendário designer Jonathan Ive — provavelmente o nome mais importante, depois do próprio Steve Jobs, na reconstrução da Apple pós-quase-falência e na sua trajetória rumo ao topo do mundo.

Agora, entretanto, a Apple não tem mais Ive: o designer anunciou a sua saída da Maçã em 2019 e, por mais que tenha prometido continuar colaborando com a empresa, é fato que sua liderança e sua influência não existem mais em Cupertino. O departamento de design industrial da Apple é, hoje, liderado por uma das ex-subordinadas de Ive, Evans Hankey.

Com um cronograma de projetos e lançamentos que avança por muitos anos (ou mesmo décadas) no futuro, é óbvio que a influência de Ive continuará sendo sentida nos produtos da Apple ainda por bastante tempo. Ainda assim, já conseguimos começar a notar alguns desvios na linguagem tradicional da Maçã.

Novo iMac (amarelo)

A meu ver, o “porta-bandeira” desta fase da Apple é o novo iMac. Ainda que guarde as linhas gerais que tornaram-se características no tudo-em-um ao longo dos últimos 15 anos, o novo computador representa também algumas rupturas: nomeadamente, a ausência da Maçã no queixo frontal, as bordas de vidro brancas e, especialmente, as cores.

Família de novos iMacs de 24 polegadas com chip M1 coloridos de lado

Sim: até segunda ordem, podemos chamar essa (possível) nova fase de design da Apple de fase colorida. Além dos novos iMacs, já vimos opções multicoloridas nos novos iPads Air, nos iPhones 11 e 12 e até mesmo nos AirPods Max — uma releitura contemporânea da fase do plástico translúcido, talvez?

Outras características que parecem despontar nessa possível nova fase são as de um design mais lúdico, mais acessível e mais “quente” — como se a Apple quisesse descer do salto e passar a vender produtos menos sérios, por assim dizer. Por essas e outras, há quem diga que o novo iMac se assemelha a um brinquedo — o que, ao menos na opinião deste que vos escreve, é um direcionamento interessante. Afinal, de frieza e cores acinzentadas já basta o mundo, não é mesmo? 😜

Obviamente, isso não significa que todos os produtos da Apple ganharão cores fortes e visuais lúdicos. Meu palpite, com base no que já vimos e em rumores recentes, é que teremos uma bifurcação: produtos direcionados ao público geral — como o iMac, os iPhones não-Pro, o MacBook Air e os iPads “comuns” — deverão abraçar essa estética, enquanto produtos “Pro” (MacBook, Mac, iPad) deverão seguir na fase do alumínio — também com evoluções que ainda precisaremos aguardar para ver, é claro.

Render do futuro MacBook Air
Render do (possível) novo MacBook Air

Vejamos, portanto, o que o futuro nos aguarda. O que vocês esperam ver nos próximos anos?

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