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Homem vazando notícia

Apple teve “agente duplo” na indústria de vazamentos por quase um ano

Agora, ele expôs a história por considerar que a empresa não o retribuiu como deveria

Não é novidade para ninguém que, a cada ano, a Apple empreende esforços monumentais para coibir a cada vez mais voraz indústria de leakers.

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Desde o infame seminário antivazamentos que vazou (heh) em 2017 até medidas recentes, como a intimação de figuras conhecidas na área, a empresa tem uma verdadeira força-tarefa para evitar que seus segredos sejam expostos ao mundo antes da hora — com resultados… mistos, na melhor das hipóteses.

Uma reportagem publicada hoje pela VICE, por outro lado, mostra que as iniciativas antivazamento da Apple vão além de tudo o que foi exposto até agora. Segundo a matéria, a Maçã manteve por mais de um ano um “agente duplo” no mundo dos leakers — isto é, uma pessoa que negociava segredos industriais da empresa e, ao mesmo tempo, estava repassando informações desse universo diretamente para Cupertino.

A figura em questão é o pesquisador Andrey Shumeyko, mais conhecido online pelo pseudônimo YRH04E. De acordo com Shumeyko, suas relações com a Apple começaram em 2017, quando ele alertou a empresa sobre uma possível campanha de phishing direcionada a empregados de lojas da Maçã.

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Ao longo dos anos seguintes, Shumeyko manteve-se em contato com a empresa — e mais especificamente, com seu grupo antivazamentos, conhecido como Apple Global Security. Até que, em meados de 2020, o pesquisador foi convocado para auxiliar Cupertino nas investigações de um dos vazamentos mais significativos da sua história, o do iOS 14. Foi a senha para Shumeyko tornar-se, efetivamente, um infiltrado da Apple no mundo dos leaks.

Como parte das suas funções, o pesquisador colheu e forneceu informações confidenciais da empresa a leakers e outras figuras conhecidas do mundo dos vazamentos. Ele obteve uma cópia do iOS 14 vazado e conseguiu informações de como aquele arquivo confidencial tinha escapado dos porões de Cupertino, compartilhando com a Apple dados de pessoas, empresas e fornecedores envolvidos no vazamento.

Sua motivação, segundo o próprio Shumeyko, era se “redimir” após anos como parte da comunidade — e, no processo, ganhar algum dinheiro da Maçã com o seu trabalho. O pesquisador era considerado uma figura extremamente confiável no mundo dos vazamentos e dos jailbreaks, o que facilitou bastante seu trabalho — e possibilitou que ele ficasse quase um ano repassando informações para a Apple.

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O que fez Shumeyko se revelar, então? Segundo o próprio, foi o descaso da Apple em relação à sua segurança e aos seus problemas financeiros. O pesquisador esperava que, após meses a fio de colaborações, a empresa fizesse alguma compensação financeira ou ao menos tomasse medidas para proteger a identidade dele, mas nada foi feito — a Apple Global Security simplesmente repetia, em todas as mensagens, que Shumeyko deveria “fazer o que achava que seria certo para proteger a Apple”, sinalizando que as ações do pesquisador não seriam recompensadas.

O primeiro sinal dessa frustração veio em setembro de 2020, quando Shumeyko estava em contato com um funcionário da Apple na Alemanha, coletando dados confidenciais sobre os Mapas da empresa. Contrariado com a aparente falta de reciprocidade na sua relação com a Maçã, Shumeyko decidiu repassar as informações que obteve ao 9to5Mac — informações estas, claro, que repercutiram por toda a imprensa tecnológica.

Quase um ano depois, as relações de Shumeyko com a Apple são quase inexistentes. Alegando passar por problemas financeiros, ele vende informações confidenciais da empresa no Twitter — voltando, basicamente, à sua posição original na indústria dos vazamentos. Só que, agora, com sua identidade de agente duplo já publicamente exposta.

Resta saber, agora, quais serão os efeitos dessa história para o mundo dos vazamentos. Pelo visto, qualquer pessoa envolvida neste universo pensará (mais) duas vezes antes de compartilhar qualquer informação obtida.

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