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Visão traseira de um iPod Touch
Hadrian / Shutterstock.com

Afinal, ainda há espaço para um iPod na linha da Apple?

A revolução portátil da música digital pode estar próxima do seu retorno — nem que seja por pura nostalgia

Não sei quantos de vocês lembram, mas em 23 de outubro de 2001 a Apple apresentou ao mundo o primeiríssimo iPod, posteriormente um estrondoso sucesso de vendas da empresa que só foi descontinuado em 2014 (quando já era conhecido como iPod classic).

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A partir de seu iminente êxito, o produto continuou evoluindo à medida que as necessidades dos usuários precisavam ser supridas, ajudando a Maçã a superar largamente a concorrência do então nascente mercado dos MP3, que havia surgido em 1998.

Os MP3 players cumpriam exatamente o que prometiam, mas sempre tiveram uma certa “data de validade” — não explícita, óbvio —, dado que, poucos anos após “nascerem”, os telefones celulares também passaram a armazenar e reproduzir músicas — não com a mesma eficiência, fluidez e rapidez de um iPod, claro.

Haja vista que quase 20 anos se passaram, a revolução portátil da música digital da Apple pode estar próxima do seu retorno, nem que seja por pura nostalgia. Há alguns meses, o leaker Steve Moser afirmou que a empresa estaria preparando uma edição comemorativa do iPod touch ainda para este ano.

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Segundo ele, o produto contaria com um design similar ao dos iPhones mais recentes e uma variedade de cores, tal como os novos iPads Air, os novos iMacs e, quem sabe, os próximos MacBooks Air.

Apesar dos poucos rumores, a volta do iPod touch é esperada para o outono do hemisfério norte, que começará no próximo mês, e a promessa é de que o foco do dispositivo sejam os cinco principais serviços da companhia: Apple Music, Apple TV+, Apple Arcade, Apple News+ e Apple Fitness+.

A sétima geração dos iPods touch — a mais recente, diga-se de passagem — foi lançada há mais de dois anos, em maio de 2019, sem muitas novidades. Portanto, essa intenção de colocar um modelo redesenhado no mercado é vista pelos analistas como uma tentativa da empresa de aproximar o dispositivo dos modelos mais baratos dos iPhones, embora no Brasil seu preço não faça muito sentido.

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Dessa forma, incluir um novíssimo conjunto de hardware e software tornaria compreensível o objetivo da Maçã em deixar os modelos atualizados prontos para serem, mais uma vez, destaque em seu segmento — tal como foi no início dos anos 2000.

Ainda assim, o grande “xis” da questão é: será que, de fato, ainda há espaço para um iPod na linha da Apple? Para responder a esse questionamento, preciso dar alguns passos para trás e tentar esclarecer uma grande dúvida.

Por que a Apple ainda mantém um iPod na linha?

Como mencionei anteriormente, em 2019, a Maçã fez pequenos aprimoramentos no iPod touch — o primeiro e único em quatro anos.

Seu processador pulou do A8 para o A10 Fusion, dando-lhe o mesmo desempenho do iPhone 7, e seu armazenamento máximo passou a ser de 256GB, a maior capacidade da história dos iPods — mais até do que o iPod classic, que chegou a oferecer 160GB de memória.

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Talvez essas mudanças não soem como grandes novidades (e, realmente, não são), mas o que pegou muita gente de surpresa não foram as melhorias em si, mas sim o fato de que o aparelho havia sido atualizado, visto que há anos circulavam rumores de que ele seria descontinuado.

iPod touch (sétima geração)

Fato é: os iPods são muitíssimo importantes para a Apple justamente por terem mudado não apenas a forma como as pessoas ouviam música, mas a história da empresa em si.

Em meio ao sucesso dos pequenos dispositivos, a experiência de ouvir música passou a ser outra: saíram de cena os baratos dispositivos feitos de plástico que armazenavam, no máximo, 30 músicas e entraram belos e ágeis aparelhos, que guardavam milhares de faixas e eram fáceis de usar.

O auge dos iPods se deu com o iPod mini, apresentado em 2004, que chegou com diversas cores (prata, rosa, azul e verde) e duas versões: 4GB (na época, por US$200) e 6GB (US$250).

Um ano depois, a Maçã o substituiu pelo iPod nano, ainda mais acessível, com uma incrível autonomia de bateria e mais que o dobro de capacidade, sendo vendido pelos mesmos preços da geração anterior — embora uma versão de 2GB tenha sido lançada a US$150.

Steve Jobs apresentando o iPad nano em setembro de 2005
📷 Reuters/Lou Dematteis

Eu, pelo menos, não vivi essa época, mas basta uma rápida pesquisa no Google para ver e entender o quanto esses modelos de iPods eram populares e desejados. Eles eram, de fato, o sonho de consumo de uma grande massa, mesmo que as pessoas não possuíssem um aparelho Macintosh ou sequer soubessem que marca era a “maçã mordida”.

Devido a esse grandioso sucesso, mais e mais pessoas passaram a conhecer e se interessar pelos produtos da empresa de Steve Jobs, o que, consequentemente, ajudou a aumentar as vendas de MacBooks, iMacs e, claro, abriu caminho para a magnificente apresentação do iPhone em 2007.

Então, por que apenas o iPod touch ainda é vendido?

Desde que o iPhone foi lançado, as vendas dos iPods caíram exponencialmente – algo já esperado pela Maçã —, então não foi um grande choque quando a companhia descontinuou o iPod classic, em 2014, e os iPods nano e shuffle, em 2017.

Como provoquei anteriormente, algumas pessoas acham bastante estranha a presença do iPod touch na linha ainda em 2021. E não apenas isso, devido ao “escanteio” do produto por parte da Apple, muitos esperavam que ele fosse descontinuado.

Mesmo que as vendas não fossem mais as mesmas, mesmo que pouquíssimas pessoas se interessassem pelo iPod, mesmo que todos os outros modelos tenham sido descontinuados, há um excelente motivo pelo qual a Apple ainda não matou o iPod touch: o iOS.

iPod touch (sétima geração)

Caso vocês não lembrem, todos os outros modelos (classic, mini, nano e shuffle) possuíam seus próprios sistemas operacionais e, embora funcionassem perfeitamente bem, não se adequavam mais à estratégia de negócios da companhia. Afinal, quando seu mais popular e mais lucrativo produto roda o iOS, há uma certa “tendência” para que todos os seus produtos desfrutem dessa mesma plataforma. Assim, seus usuários desejarão comprar um iPhone no futuro.

E não apenas isso: descontinuando todos os outros modelos da linha, a Maçã forçou seus fãs que queriam um iPod a comprarem justamente o touch, levando-os, assim, para dentro do seu ecossistema e aumentando as chances de escolherem o iPhone quando forem trocar de smartphones.

Inegavelmente, essa foi uma jogada de mestre por parte da companhia, afinal de contas, esse tipo de ação é bastante característico da Apple. Muito mais do que uma simples compra, a empresa se preocupa com o pós-venda de seus produtos e é isso que a torna tão única.

Esse talvez seja um dos motivos pelo qual os vendedores das Apple Retail Stores não ganham comissão em cima de suas vendas, nem tentam lhe vender o produto mais caro a qualquer custo. O intuito deles é, simples e unicamente, encontrar o produto que lhe atenda da melhor maneira e fazer com que você volte à loja futuramente para comprar outros aparelhos.

Finalmente, ainda há espaço para um iPod?

Visto tudo isso, entendemos que o iPod touch é o produto mais acessível que roda o iOS, além de ser o único modelo entre todos os iPods que já rodou tal sistema.

Isso o faz ideal, por exemplo, para consumidores únicos, como as crianças. Muitas delas usam um iPad ou um iPod antes que seus pais lhes deem um iPhone. E basta alguns poucos conhecimentos de marketing para saber que os pequenos são os melhores consumidores de todos. Estudos comprovam que, quando expostos a uma marca desde muito cedo, tendem a ser mais fiéis aos produtos que cresceram vendo.

iPods touch

Portanto, se a Apple tiver a chance de colocar um dispositivo barato nas mãos de jovens o mais cedo possível, provavelmente ela ganhará no longo prazo, haja vista que mais tarde eles escolherão um iPhone como seu primeiro smartphone e, posteriormente, passarão a usar MacBooks, Watches e AirPods à medida que forem adentrando o ecossistema da empresa.

Talvez esse seja o motivo pelo qual ela não está tão preocupada em fazer dos iPods touch sua “galinha dos ovos de ouro”. Por ora, a Apple está focada em atrair usuários a longo prazo, apresentando-os ao seu mundo por um dispositivo acessível e um preço bastante atrativo.

Isso não quer dizer, contudo, que apenas os mais jovens são os ideais consumidores para os iPods touch. Dado o seu preço, o aparelho pode ser ótimo se tiver um apelo voltado para regiões como a China, a Índia e o Brasil, onde os iPhones são verdadeiros itens de luxo.

Como mencionei anteriormente, fazer desse device a porta de entrada para um ecossistema que já é conhecido como “jardim murado”, o qual a Maçã tem orgulho de ter construído ao longo dos anos, pode parecer uma boa jogada.

Outro motivo pelo qual a Apple pode retomar o iPod touch são suas simples configurações. Em todo o mundo, há diversos restaurantes onde garçons e garçonetes os usam para registrar de forma rápida e fácil os pedidos em vez de papel ou, simplesmente, memorizarem.

Justamente pela rapidez e fluidez do iOS, combinado com um hardware simples, mas potente, os iPods touch poderiam se tornar cada vez mais presentes em setores profissionais.

Ainda assim, talvez o uso mais popular desses aparelhos possa ser efetivamente para quem quiser desfrutar dos cinco serviços que a Apple possui hoje. De todos, destacam-se o Apple Music, o Arcade e o TV+, que estão presentes em mais mercados que os outros dois (Apple News+ e Fitness+).

Embora hoje haja uma vasta quantidade de dispositivos que nos permitam desfrutar dos conteúdos, há quem prefira ter um dispositivo apenas para ouvir músicas, assistir a séries e filmes, e jogar.

Sim, talvez o aparelho nem faça muito sentido para quem já está acostumado a ouvir músicas por streaming, mas dado que os atuais iPods touch não contam com suporte ao Dolby Atmos, seria uma boa introduzi-los com um produto totalmente redesenhado.

Sem contar, claro, com as milhares de pessoas que possuem uma coleção de música acumulada por anos, muito antes de o streaming existir, e tiram proveito do iTunes Match. Dessa forma, importar um enorme acervo de músicas para o iPhone provavelmente não deixaria muito espaço sobrando para apps e fotos.

Por isso, comprar um dispositivo dedicado a essas atividades, como um iPod touch, o torna ainda mais aceitável para um possível retorno. Além da economia de bateria que traria aos iPhones, dado que as coleções se concentrariam exatamente onde o usuário quisesse.

Conceito: "iPod Max"
Conceito de “iPod Max”

E não podemos deixar de mencionar que o iPod touch ainda conta com a saudosa saída P2 (3,5mm) para fones de ouvido, uma baita conveniência para quem ainda possui ou prefere usá-los — afinal, nem todos os fones suportam os formatos sem perdas (lossless) — ou gostam de ouvir seus sons via cabos auxiliares.


Depois de tudo o que expus aqui, concluo que, sim, ainda há espaço para um iPod… mesmo que seja por pura nostalgia. Portanto, há boas razões para que a Apple o mantenha por mais algum tempo, embora seu futuro permaneça incerto.

Vocês concordam ou discordam? Estão empolgados para um possível redesign do iPod touch? Será que a Maçã vai continuar atualizando apenas seu processador a cada três ou quatro anos para que ele continue compatível com as versões mais recentes do iOS? Opinem aí embaixo. 🙃


iPod touch (7ª geração)
iPod touch de Apple Preço à vista: a partir de R$1.529,10
Preço parcelado: em até 12x de R$141,58
Cores: rosa, prateada, cinza espacial, dourada, azul e (PRODUCT)RED
Capacidades: 32GB, 128GB e 256GB
Lançamento: maio de 2019

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