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Privacidade na Apple
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Empregados da Apple relatam abusos de privacidade internos

Se você perguntar a qualquer pessoa minimamente familiar ao universo tecnológico quais são os valores mais defendidos pela Apple publicamente, a privacidade certamente estará no topo (ou próxima ao topo) das respostas de qualquer um. A empresa tem se posicionado na vanguarda do tema, lançado recursos inéditos na indústria e até se envolvido em polêmicas intermináveis com outros setores por conta das ferramentas destinadas a proteger ou aprimorar a privacidade dos seus usuários.

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O problema é que essa preocupação quase obsessiva, pelo visto, não vale caso você trabalhe na Apple. Pelo contrário: de acordo com alguns relatos coletados pelo The Verge, a Maçã tem algumas políticas e práticas internas deveras questionáveis quando o assunto é a privacidade dos seus empregados.

Um dos principais problemas apresentados pelos funcionários tem a ver com a forma com que a empresa trata as contas de cada um. Ao começar a trabalhar na Apple, cada empregado precisa ligar o seu Apple ID pessoal a uma nova conta, dedicada ao trabalho — a justificativa é que isso facilitará o fluxo e a centralização de informações.

O problema é quando você resolve deixar a Apple. Um exemplo é o do engenheiro de firmware Jacob Preston: ao pedir demissão, ele foi instruído a devolver o MacBook Pro cedido pela Maçã — até aí, tudo normal. O computador, entretanto, estava cheio de conteúdos pessoais seus, justamente porque a Apple instruiu Preston, no ato da contratação, a ligar sua conta pessoal ao ID de trabalho. E a parte surpreendente: o engenheiro não poderia formatar a máquina antes de devolvê-la à Apple porque, pelo protocolo da empresa, todos os arquivos precisam estar intactos para análise.

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Caso parecido foi o de Ashley Gjøvik, gerente sênior do programa de engenharia da Apple — que pintou por aqui recentemente por conta da sua suspensão relacionada às denúncias que fez sobre a empresa. Em 2018, a equipe da engenheira se envolveu num processo judicial que nada tinha a ver com Gjøvik pessoalmente, mas ainda assim a empresa precisou coletar arquivos do seu iPhone e do MacBook cedidos pela Apple.

Segundo Gjøvik, esses eram seus únicos aparelhos — a Apple desincentiva que seus empregados tenham dois dispositivos, um pessoal e um de trabalho. Até por conta disso, eles estavam repletos de dados e arquivos pessoais, incluindo fotos íntimas enviadas pela engenheira a um rapaz com quem se comunicava remotamente. Os advogados da Apple afirmaram que não precisariam acessar os dados pessoais de Gjøvik, mas quando a engenheira perguntou se poderia deletar as fotos sensíveis (que, reiterando, nada tinham a ver com o processo), os advogados disseram que não.

No contrato empregatício, a Apple se reserva ao direito de “conduzir vigilância extensiva sobre os empregados”, incluindo física, de vídeo ou eletrônica, bem como buscas em seu local de trabalho como armários, mesas e escritórios (mesmo trancados). Os funcionários também “não devem esperar ter privacidade” ao usar seus dispositivos pessoais ou os de outrem para negócios da Apple, ao usar os sistemas da empresa ou suas instalações.

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Nada disso deveria ser um problema — afinal de contas, tudo o que está ligado à empresa em si pode ser analisado e revisado pela própria companhia. O problema, aqui, é a cultura interna da Apple de incentivar seus funcionários a misturar vida pessoal e profissional, seja com aparelhos eletrônicos, contas digitais ou quaisquer outros aspectos; quando esses dois universos ficam indistintamente fundidos, é quase impossível para um funcionário manter sua vida privada longe dos olhos famintos da Maçã.

Pelo visto, o dito popular “casa de ferreiro, espeto de pau” nunca esteve tão presente quanto em Cupertino.

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