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Na Web Summit em Lisboa, Craig Federighi discursa contra sideloading no iOS

Conforme cobrimos nas últimas semanas, o vice-presidente sênior de engenharia de software da Apple, Craig Federighi, apresentou hoje na Web Summit 2021, em Lisboa (Portugal), uma keynote focada em privacidade e segurança.

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Quem nos segue pelo Instagram acompanhou — via Stories — alguns clipes ao vivo da apresentação, já que tive a oportunidade de comparecer ao evento in loco para conferir o que Federighi tinha a nos dizer. Essa foi, provavelmente, a primeira keynote feita por ele presencialmente desde o início da pandemia.

A keynote estava prevista para durar meia-hora e, de fato, não passou disso. O que não sabíamos, antes dela, era que foco Federighi daria à sua apresentação; e ela trouxe um tema bastante atual para a Apple, funcionando quase que do começo ao fim como um discurso oficial da empresa contra o sideloading de apps no iOS — isto é, de abrir as portas para que usuários possam instalar apps de qualquer fonte (fora da App Store).

Não foi por menos que o executivo escolheu esse tema, afinal, a Apple tem sido alvo de inúmeras investigações antitruste e também processos judiciais que envolvem essa e outras questões — inclusive, e talvez principalmente no caso de um evento como esse realizado na Europa, o chamado Digital Markets Act (Ato Legislativo sobre os Mercados Digitais).

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Na primeira parte de sua apresentação, Federighi explicou de forma um tanto lúdica e simples como funciona todo o esquema de segurança do iOS desde a sua gênese — incluindo as proteções de software implementadas pela Apple no sistema operacional em si, mas também o processo de revisão manual de cada app publicado na loja e o fato de esse ser o único meio, oficial, de usuários buscarem e instalarem aplicativos e jogos em seus iPhones e iPads.

Como um engenheiro que deseja que o iPhone permaneça o mais seguro possível para nossos usuários, há uma parte com a qual me preocupo: a provisão que exigiria que o iPhone permitisse sideloading. Em nome de dar aos usuários mais opções, essa disposição tiraria a escolha do usuário de uma plataforma mais segura.

Durante talvez dois terços do discurso dele, tive a impressão de que ficaríamos no mesmo “blá, blá, blá” de sempre, mas Federighi deixou mais para o final talvez a parte realmente interessante do discurso, que foram argumentos contra quem sempre alega que a Apple deveria dar ao próprio usuário a opção de escolher se quer ou não fazer sideloading de apps em seus dispositivos.

O executivo levantou alguns pontos importantes que rebatem esse argumento, deixando claro que a coisa não é tão simples quanto parece. Alguns exemplos:

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  • Abrir essa possibilidade permitiria que desenvolvedores *escolhessem* não estar na App Store por qualquer motivo que seja, como por exemplo evitar as proteções de privacidade estipuladas pela Apple. Nesse caso, muitos usuários se veriam forçados a baixar certos aplicativos de fora da loja já que não teriam escolha.
  • Essa abertura também daria a crackers as ferramentas e o ambiente de que precisam para fazer ataques mais direcionados a usuários desatentos, como os muitos casos, por exemplo, de clones “perfeitos” do Google Play que existem no mundo Android.
  • É possível que usuários avançados conseguissem manter controle total sobre a procedência dos apps que instalam em seus iPhones e iPads, mas e as milhões de outras pessoas não tão experientes assim? Maridos/esposas, filhos(as), tios/tias, avôs e avós… Definitivamente, eles ficariam mais vulneráveis da noite pro dia.

Enfim, a polêmica não é pequena e não acabará por aqui. O fato de Federighi ter escolhido esse como tema para uma keynote dessa magnitude demonstra a preocupação que a Apple tem pela possibilidade de ser forçada, mais cedo ou mais tarde, a permitir sideloading no iOS. Pelo tom do discurso que assisti hoje, ela lutará até o fim, com todas as forças, contra isso.

Para quem quiser assistir à keynote toda, aqui está:

YouTube video

No fim das contas, todos sabemos que há um forte interesse comercial por parte da Apple em manter todo esse controle — seja de forma direta, lucrando por cada app vendido em sua loja, ou indireta, por meio do discurso de que o iOS é a plataforma móvel mais segura e privada do mundo (e atraindo, assim, consumidores para o seu ecossistema).

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Eu, como usuário experiente, gostaria sim de ter essa opção e todo o controle em minhas mãos — como tenho desde sempre no mundo Mac, por exemplo. Mas é inegável que alguns argumentos a favor da Apple são bastante pertinentes.

De um jeito ou de outro, foi para mim um privilégio ter a oportunidade de assistir a uma keynote de Federighi, mesmo que breve e sem grandes novidades, tão pertinho de onde eu moro hoje em dia. Até a próxima Web Summit! 😊

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