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Apple Music, AirPods e Spotify
nikkimeel / Shutterstock.com

Comparativo: Apple Music vs. Spotify

Um comparativo detalhado, que mostra pontos positivos e negativos dos dois principais serviços de streaming musical da atualidade. Quem leva a melhor nessa?!

Embora não seja nem de longe o serviço de streaming preferido dos brasileiros, o Apple Music é um sucesso no mercado mundial — especialmente nos Estados Unidos, onde o serviço da Maçã é o mais utilizado.

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Do outro lado está o Spotify, um dos primeiros aplicativos a se popularizar por esse tipo de serviço e consagrado na liderança do mercado mundialmente (inclusive no Brasil).

Hoje, colocaremos ambos frente a frente.

Minha história com esses serviços

Este que vos escreve utilizava o Spotify desde que mergulhou profundamente no universo fantástico dos streamings de música, dando adeus aos velhos (e saudosos) arquivos MP3. No ano passado, mesmo já tendo passado por experiências não tão bem-sucedidas com o Apple Music anteriormente, resolvi dar uma nova chance ao serviço da Maçã.

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Foi tiro e queda: o app conseguiu manter minha experiência com música em um patamar semelhante ao do Spotify — o que, aliado à integração com o ecossistema da Apple, conseguiu me convencer a permanecer nele.

Embora muito semelhantes no cumprimento do objetivo principal (reproduzir músicas), os dois contam com algumas diferenças relevantes. Com finalidades comparativas, resolvi tornar novamente o Spotify o meu serviço de streaming de música padrão por um mês, o que me permitiu observar os pontos positivos e negativos de cada um deles.

E é isso que vos trago de maneira bastante detalhada neste artigo especial.

Interface e organização

Definir um vencedor em uma análise comparativa da interface de qualquer software geralmente é algo muito difícil de ser feito, principalmente se ambas forem bem construídas — como é o caso das interfaces do Spotify e do Apple Music.

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Quando falamos de organização, no entanto, elas não são tão semelhantes assim.

Player principal

Vamos começar pela tela de reprodução principal, aquela onde é mostrada a capa do álbum, a barra de navegação para selecionar um trecho da música em específico e controles essenciais em qualquer app de reprodução de músicas — como avançar/retroceder e tocar/pausar.

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Ambos os aplicativos trocam a cor de fundo do player a depender da capa da música que está sendo reproduzida no momento, o que torna o visual menos monótono. A grande diferença entre os dois nessa parte se dá pela quantidade de opções e controles disponibilizados para os usuários.

Player principal do Spotify e do Apple Music
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

No Spotify, estão disponíveis — de cara — opções para curtir uma música, ativar o modo aleatório ou o controle de repetição de faixa/álbum. No Apple Music, por sua vez, é necessário um passo extra para ter acesso a tais controles, que estão disponíveis no menu que mostra o histórico de reprodução e as músicas seguintes.

Em vez dessas opções, que são bastante úteis, o app da Maçã dispõe de um controle de volume, que (a meu ver) é desnecessário — não lembro de tê-lo usado alguma vez, pra ser mais claro. Adicionar uma canção à lista de músicas salvas na biblioteca também poderia ser uma tarefa menos complicada, já que isso só pode ser feito acessando o menu contextual da canção (ao tocar nos três pontinhos).

Letras no Apple Music e no Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

O acesso às letras das canções também se dá de forma diferenciada: enquanto no Apple Music elas podem ser mostradas tocando em um botão, no Spotify elas ficam localizadas na parte inferior do player, o que torna o design do produto nada uniforme — já que uma borda de cor bem contrastante fica “pendurada” e à mostra no player, tornando-o menos agradável visualmente que o do seu rival.

Menus principais

Os menus principais dos dois aplicativos são bem diferentes, embora contem praticamente com as mesmas funcionalidades e consigam chegar aos mesmos resultados. Essa diferença se dá principalmente em termos de organização, já que um software consegue separar muito bem seu conteúdo em abas específicas; o outro, nem tanto.

Ao entrar no Apple Music, o usuário se depara com cinco áreas diferentes na barra inferior: “Ouvir Agora”, “Explorar”, “Rádio”, “Biblioteca” e “Buscar”. No Spotify, por sua vez, são apenas três: “Início”, “Buscar” e “Sua Biblioteca”. Pode parecer pouca coisa em termos numéricos, mas as duas opções a mais no app da Maçã fazem toda a diferença.

Os dois aplicativos contam com uma curadoria para recomendar canções de acordo com o gosto do usuário (o que leva em consideração fatores como histórico de reprodução e músicas curtidas), bem como uma mais generalizada, que não depende tanto do usuário (ela mostra as paradas e os lançamentos do momento).

Enquanto o Apple Music tem um “setor” específico para cada um dos dois tipos de recomendações, o Spotify as condensa todas na aba “Início”, o que pode ser um pouco confuso para usuários — mais ainda porque o app mistura podcasts e músicas, o que será discutido adiante.

Abas Ouvir Agora (Apple Music), Início (Spotify) e Explorar (Apple Music)
Apple Music à esquerda e à direita; Spotify ao centro

No app da Maçã, a aba “Ouvir Agora” mostra uma seleção exclusivamente dedicada a conteúdos relacionados ao usuário, mostrando faixas reproduzidas recentemente, playlists personalizadas relacionadas a artistas, gêneros e até o que seus amigos estão ouvindo.

Enquanto isso, a aba “Explorar” serve para mostrar exclusivamente o tipo de conteúdo que não tem, necessariamente, relação com o gosto do usuário. É lá que ficam as músicas mais tocadas por cidade/país, os novos lançamentos e também conteúdos utilizados para promover novos recursos do aplicativo — como playlists que contam só com músicas em Áudio Espacial.

A aba “Buscar” é a mais semelhante entre os dois aplicativos, contando com (obviamente) um campo de buscas e, logo abaixo, blocos específicos para gêneros musicais específicos e outras categorias disponibilizadas pelos serviços.

Ao tocar no campo de busca, nos dois aplicativos também são apresentadas as pesquisas recentes. Porém, o Spotify consegue ser mais direto e prático, já apresentando todos os resultados disponíveis e opções de filtros no momento em que o usuário vai digitando os termos de pesquisa, em tempo real.

Busca no Apple Music e no Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

No Apple Music são apresentados alguns resultados prévios, mas somente tocando na tecla buscar do teclado que é possível obter todas as respostas, bem como aplicar filtros para ver somente artistas, álbuns, músicas, playlists ou outras categorias.

O outro campo exclusivo do Apple Music é o “Rádio”, que, ao contrário dos outros já citados, não se faz tão necessário, já que estações de rádio já estão disponíveis no “Explorar” e no “Ouvir Agora”. Porém, é de se entender essa aba “extra” pelo fato de as rádios serem um forte diferencial do app da Maçã, que produz programas de rádio em estilo tradicional, com locutores e tudo.

Biblioteca

Aqui é onde mora a grande diferença na interface entre os dois aplicativos e que me faz preferir a do Apple Music — mesmo com as pequenas limitações já mencionadas. O app da Maçã consegue fornecer todas as informações necessárias para uma library, mas de uma maneira organizada e uniforme.

Ao tocar na aba “Biblioteca”, o usuário é apresentado a um menu em forma de lista, no qual é possível acessar “Playlists”, “Artistas”, “Álbuns”, “TV e Filmes”, etc. No canto superior, há um botão “Editar”, onde é possível remover qualquer uma das opções padrão, bem como adicionar outras (“Feito para Você”, “Videoclipes”, “Gêneros”, “Coletâneas”, “Compositores” e “Downloads”).

Dentro de cada seção do menu, é possível realizar uma busca interna e também há a possibilidade de ordenar a exibição dos itens seguindo determinados critérios. Nas músicas salvas, por exemplo, é possível escolher visualizá-las por ordem alfabética, pela data de adição ou por artista.

Nas listas de músicas, é possível tocar nos três pontinhos para acessar um menu contextual com opções como adicionar a determinada playlist, compartilhar a música, gostar ou mostrar a canção no seu álbum original. As mesmas opções podem ser acessadas tocando e segurando o item por um segundinho.

Biblioteca do Apple Music e do Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

No caso do Spotify, a página principal da biblioteca acaba sendo um tanto poluída e até bagunçada, mesmo oferecendo praticamente as mesmas possibilidades que temos no Apple Music.

De cara, na biblioteca, nos deparamos com uma grande lista que junta os álbuns, as playlists e os podcasts salvos pelo usuário. Duas listas em específico ficam fixas, a de músicas curtidas (que equivale ao de músicas salvas do Apple Music) e outra para novos episódios, referente a podcasts.

Os menu para filtros específicos fica na parte superior, onde os usuários podem escolher se querem ver somente “Playlists”, “Artistas”, “Álbuns” ou “Podcasts e programas”, não oferecendo os filtros extras disponíveis no app rival.

A união de músicas e podcasts certamente pode ser um diferencial positivo para usuários que não querem baixar mais de um aplicativo, mas a forma como isso fica disposto no Spotify não é nada organizado.

Não me parece uma ideia muito boa colocar essa funcionalidade e a de músicas no mesmo “balaio”, o que acaba sendo bastante confuso para quem usa. Uma aba especial para podcasts seria uma novidade muito boa — e há espaço suficiente, já que o Spotify só tem três abas na sua parte inferior.

Qualidade de áudio

Outro ponto bem relevante a se pensar na hora de realizar a assinatura de algum serviço de streaming de música é a qualidade de áudio, que pode ser um fator decisivo de escolha para quem é dono de ouvidos mais apurados.

Começamos desta vez pelo Spotify, que oferece quatro níveis diferentes de qualidade de áudio para os assinantes. Armazenando suas canções no formato AAC, o serviço dá a possibilidade — em celulares, tablets e computadores — para que os usuários ouçam suas canções em diferentes taxas de bits.

Reproduzindo suas músicas na taxa padrão de 256Kbps, o Spotify oferece a possibilidade de escolher as qualidades Baixa (~24Kbps), Normal (~96Kbps), Alta (~160Kbps) e Altíssima (~320Kbps). Além disso, é possível ativar a função automática, na qual o aplicativo “escolherá” uma qualidade de reprodução com base na conexão de rede.

Configurações de qualidade de áudio no Apple Music e no Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

No Apple Music, por sua vez, não estão disponíveis tantas opções diferentes de qualidade de áudio e, por padrão, o aplicativo também reproduz músicas no formato AAC, com uma taxa de compressão de 256Kbps.

Porém, o app traz um grande diferencial em relação ao rival: a possibilidade de reproduzir músicas em qualidade Lossless, ou seja, sem perda de qualidade em relação à gravação original.

As músicas são oferecidas no formato ALAC1 (proprietário da Apple) e podem ser executadas em dois níveis de qualidade diferentes, o Lossless (48kHz) e o Hi-Lossless (192kHz), que é ainda mais superior.

O Spotify, mesmo que esteja planejando adicionar suporte a reprodução Lossless, ainda não tirou seus planos do papel. E mais: é grande a possibilidade de que ele seja disponibilizado com um custo adicional, como é o caso do Deezer.

Com esse grande diferencial, mesmo que a maior parte dos usuários talvez nem venha a usar a função de reprodução sem perda de qualidade, o Apple Music sai na frente no quesito.

Disponibilidade

Neste ponto, o serviço de streaming sueco sai na frente. O Spotify está disponível praticamente em todas as principais plataformas disponíveis no mercado, desde sistemas operacionais mobile (iOS e Android), desktops (macOS, Windows e Linux) e consoles (PlayStation e Xbox).

Também é possível acessar o serviço em um grande número de smart TVs (LG, Samsung, Sony, Philips, dentre outras) e em set-top boxes como Apple TV, Android TV, Amazon Fire TV e Roku. O Spotify também está disponível nos principais sistemas operacionais de smartwatches, como o watchOS e o Wear OS.

Spotify no Playstation 5

Com o Apple Music, embora a Apple venha investindo pesado para levar o serviço a cada vez mais dispositivos que não estão em seu ecossistema, a experiência ainda é um pouco limitada. Começamos com o básico: o app está disponível em todos os sistemas operacionais da Apple, como era de se imaginar — o que inclui iOS/iPadOS, macOS, watchOS e tvOS.

Quando falamos do que está para além do ecossistema da Maçã, no entanto, o app ainda não está no mesmo nível do concorrente em termos de disponibilidade — com exceção ao software para Android, que está disponível há muitos anos e traz uma experiência bem semelhante à do para iOS.

Por muito tempo, antes de mudar para o macOS, tive que lidar com o ultrapassado e pesado iTunes para usar o Apple Music enquanto usava um PC com Windows, por exemplo. A experiência não é nada agradável/prática e, mesmo com o app instalado em uma máquina com especificações consideráveis, “capengava” muito em desempenho.

Apple Music no macOS
Apple Music no macOS

A diferença em termos de velocidade em relação ao app pra macOS chega a ser assustadora, além do fato de ele se tornar confuso por ser integrado a um serviço que já foi muito usado, mas que hoje está longe de ser popular e necessário — tanto que nem existe mais no sistema operacional para computadores da Maçã.

Apple Music em PCs com Windows no iTunes
Apple Music no PC

A cobertura quando nos referimos a outros dispositivos também é deveras limitada. Mesmo se esforçando para levar o seu app a um grande número de plataformas, na maioria das vezes ele só está disponível em produtos mais recentes, o que, em se tratando de Brasil, pode ser um problema para muitas pessoas.

Em TVs da Samsung, por exemplo, o app do Apple Music exige suporte ao AirPlay 2, o que o limita a dispositivos lançados a partir de 2018. No caso do PlayStation, ele só está disponível para a PS5. Para o Xbox, até agora, só promessa, e também para versões mais recentes.

Com isso, em termos de disponibilidade, não é difícil concluir que o Spotify sai na frente, já que pode ser instalado em um maior número de dispositivos e sistemas operacionais diferentes em relação ao Apple Music. A menos que você esteja mergulhado fundo no ecossistema da Apple, a experiência com o serviço da Maçã para além dos smartphones pode não ser tão satisfatória como a da concorrência.

Vale notar, obviamente, que o Apple Music está disponível também nos alto-falantes HomePod e HomePod mini, enquanto o Spotify está presente em praticamente todos os alto-falantes inteligentes do mercado (Google, Alexa, Sonos, etc.).

Planos e preços

O Apple Music e o Spotify tiveram, por muito tempo, preços semelhantes para os seus planos disponíveis aqui no Brasil. Recentemente, no entanto, o app sueco surpreendeu ao anunciar um reajuste que diferenciou os valores pagos pelas duas plataformas.

Apple Music

O app da Apple pode ser assinado em quatro modalidades diferentes.

A assinatura tradicional do serviço, o plano Individual, custa R$16,90 por mês; na assinatura Familiar, até seis pessoas têm acesso ao serviço (cada uma com uma sua própria conta) por R$24,90 mensais; na modalidade Universitária, estudantes que comprovem matrícula em alguma instituição de ensino podem ter acesso ao serviço por R$8,50 por mês e ainda ganham acesso ao Apple TV+. Todos esses planos, vale notar, contam com um período de testes de três meses.

Tela do Apple One

A quarta maneira disponibilizada pela Apple para se assinar o Apple Music é através do seu pacote de serviços, o Apple One, no qual os usuários podem pagar valores entre R$26,50 e R$69,50 mensais por um leque de serviços da empresa, incluindo o streaming de música.

Spotify

Assim como o serviço da Maçã, a plataforma sueca conta com um plano Individual, um plano Família e um plano Universitário. Os preços, no entanto, são um pouco acima dos da concorrente americana, com o primeiro custando R$19,90, o segundo R$34,90 e o terceiro R$9,90 — todos valores mensais, obviamente.

Além disso, o Spotify traz outra modalidade de assinatura: o plano Duo. Como o próprio nome já indica, somente duas contas são suportadas e usuários devem pagar R$24,90 por mês para aderir. Tais planos contam com um período de testes de um mês.

O grande diferencial para o Apple Music em termos de planos, no entanto, é o Spotify Free. No aplicativo da Apple, para ouvir qualquer canção, usuários devem aderir a algum dos planos — todos pagos. No Spotify, é possível ouvir músicas de forma gratuita na plataforma — de uma maneira bastante limitada, é claro.

Nessa modalidade é possível ouvir músicas, via de regra, apenas no modo aleatório, além de serem reproduzidas propagandas entre determinado um número de canções reproduzidas. No mais, ainda é possível pular apenas seis faixas por hora, deixando o usuário preso a determinada música que não queira ouvir caso ele já tenha ultrapassado esse limite.

Spotify Free

No Spotify para desktops, a versão Free é um pouco menos limitada, apenas com propagandas e a impossibilidade de baixar as músicas para ouvi-las offline — o que também acontece no aplicativo móvel. A menos que você pretenda utilizar o serviço apenas no seu computador, a modalidade gratuita do Spotify está longe de ser viável, podendo ser usada mais como uma espécie de teste para se familiarizar com o app.

Com preços mais baixos — consideravelmente, se levarmos em conta o plano Familiar —, o streaming da Apple é certamente a melhor opção para quem quer economizar. Se você está imerso no ecossistema da Maçã, a possibilidade de adquirir o serviço com outras plataformas por um preço bem menor é um atrativo a mais para quem quer ouvir música com um melhor custo-benefício.

Social

Como vivemos em um mundo onde as redes sociais exercem um papel fundamental, conectividade entre usuários é sempre um recurso que pode ser diferencial em qualquer tipo de negócio online. Para fisgar esse público, ambos os aplicativos oferecem a possibilidade de pessoas seguirem umas as outras.

No caso do Apple Music, a conectividade entre usuários não vem habilitada por padrão, mas com um simples toque é possível criar um perfil (com direito a nome de usuário) que permite seguir amigos os quais também aderiram ao recurso. Através do Apple Music + Amigos, é possível saber o que seus amigos ouviram recentemente, bem como ver quem eles seguem e as playlists públicas criadas por eles.

Perfis no Apple Music e no Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

O app da Maçã, no entanto, não permite nenhum tipo de interação entre fãs e artistas, recurso que já teve presença forte no serviço com o Apple Music Connect, o qual permitia aos profissionais interagirem diretamente com usuários e funcionava como uma rede social dentro do aplicativo. Com baixa adesão, ele foi descontinuado em 2019.

O Spotify, ao contrário do Apple Music, já cria perfis para seus usuários no momento da criação da conta. Quem faz uso da plataforma é habilitado a seguir amigos (que podem ser encontrados pelo Facebook) e também artistas, o que é uma boa opção para quem gosta de ser notificado assim que algum conteúdo novo é lançado.

Spotify Desktop mostra o que amigos estão ouvindo
Spotify no macOS

Além disso, outra funcionalidade interessante do Spotify (também limitada à versão para desktops) é a possibilidade de acompanhar em tempo real o que seus amigos estão ouvindo — recurso que seria muito bem-vindo na versão mobile dos dois apps.

Embora o Spotify leve ligeira vantagem nesse quesito, a diferença entre os dois na parte social não é gritante, com ambos cumprindo os quesitos básicos de interação entre usuários diferentes — mesmo que o processo se dê de forma mais automática no app sueco.

Catálogo

Embora a maior parte das músicas mainstream esteja disponível nos principais serviços de streaming do mercado, o catálogo pode fazer diferença na hora de escolher um ou outro aplicativo — especialmente para pessoas com um gosto musical mais underground e diferenciado.

Nesse quesito, o Apple Music leva uma boa vantagem em relação ao Spotify, contando com mais de 90 milhões de músicas contra as mais de 70 milhões do serviço concorrente.

Dessa forma, a chance de encontrar canções não tão populares no serviço de streaming da Maçã é maior que no rival, o tornando o claro vencedor nessa disputa. Isso não impede, no entanto, que outras variáveis possam ser analisadas.

Caso o seu gosto musical seja mais pendente por músicas nacionais, no entanto, é capaz que o Spotify leve a melhor, mesmo perdendo no número geral. Isso porque ele é visivelmente mais popular por aqui, sendo maior, dessa forma, a pressão para que tais músicas ou artistas sejam adicionados ao serviço.

Curadoria e recomendações

Além de disponibilizar as músicas no catálogo — que podem ser acessadas através da busca ou da biblioteca do usuário —, os aplicativos de streaming também contam com algoritmos capazes de fazer recomendações musicais.

Eles são direcionados aos usuários basicamente de duas formas diferentes. A primeira delas é na forma de playlists e artistas recomendados, que podem aparecer tanto na aba “Ouvir Agora” do Apple Music, quanto na “Início” do Spotify. Além disso, na página de cada artista (em ambos os apps) há uma área para mostrar os artistas semelhantes.

A outra maneira é através da reprodução contínua (autoplay), que eu, particularmente, considero a maneira mais fácil de descobrir novas músicas e artistas que se adequam ao meu gosto musical. Funciona assim: após determinada playlist ou álbum acabar, o algoritmo dos dois aplicativos procura automaticamente canções semelhantes e continua a reprodução.

Autoplay em execução no Apple Music e no Spotify
Apple Music à esquerda; Spotify à direita

Um dos maiores motivos que ouço como impedimento para uma troca do Spotify pelo Apple Music se dá justamente por causa do sistema de recomendações. Muitas pessoas argumentam que elas são bem mais precisas no app sueco, enquanto que as do app da Maçã não entregariam o mesmo resultado em termos de gosto.

Muito provavelmente esse tipo de experiência é mesmo fatídico quando se faz esta migração, e não há nada de errado nosso. Isso porque, quanto maior o tempo de uso, mais o app conseguirá reconhecer o gosto do usuário e entregará a ele mais recomendações apropriadas.

Dessa forma, a adaptação para o Apple Music teve, sim, suas dificuldades neste sentido — afinal, o algoritmo do app da Maçã concorreu com um aprendizado de mais de três anos do aplicativo rival. Hoje, com mais de um ano e meio de uso diário, já não existe mais essa dificuldade, de modo que não vejo diferença relevante entre o sistema de recomendação deles.

Ambos conseguem sugerir músicas que podem me agradar com maestria, embora haja uma diferença básica entre eles. Enquanto o Apple Music consegue me sugerir melhor músicas estrangeiras, o Spotify faz melhor com as músicas em português (provavelmente por ser exponencialmente mais usado por aqui). Nada que impacte de maneira relevante a ponto de se determinar superioridade entre um e outro.

Recursos exclusivos

Embora o comparativo tenha sido bastante detalhado, é claro que é impossível abranger todas as diferenças e semelhanças entre dois serviços como Spotify e Apple Music. Mas eu ainda vou apresentar alguns recursos extras que estão em um app, mas não no outro — e que podem fazer diferença e influenciar na experiência do usuário.

Apple Music

Áudio Espacial

Sem dúvida, o maior diferencial do Apple Music — além do áudio Lossless, já mencionado na seção de qualidade de áudio — é o recurso Áudio Espacial. Através da tecnologia Dolby Atmos (utilizada em salas de cinema, por exemplo), o usuário tem uma experiência mais imersiva na hora de ouvir sua canção preferida, como se tivesse a sensação de que o som esteja vindo de várias direções diferentes.

Apple Music suporta Áudio Espacial

A função foi implementada em junho gratuitamente para todos os assinantes do serviço e já foi adotada por vários artistas (principalmente internacionais). Para ouvir músicas com Áudio Espacial, no entanto, os usuários devem usar dispositivos compatíveis.

Integração com a biblioteca

Outra vantagem do Apple Music é uma integração completa com a biblioteca do usuário, que permite sincronizar canções compradas por fora do serviço de streaming de modo que todas fiquem em perfeita harmonia e que você não precise utilizar outro player para reproduzi-las.

O Spotify até conta com um recurso que permite importar músicas locais para a biblioteca, mas essa importação se dá de maneira manual e não automática, como no app da Maçã.

Apple Music Replay

Certo que o Spotify lança, todo fim de ano, uma playlist com as músicas mais ouvidas por cada usuário ao longo dos últimos 12 meses, mas o Apple Music faz melhor.

Com o Apple Music Replay, os usuários têm, o ano inteiro, uma lista de estatísticas atualizadas sobre os seus gostos e preferências no app. A página informa quais artistas, álbuns e músicas estão sendo as mais ouvidas durante o ano, bem como o tempo de reprodução de cada uma delas.

Apple Music Replay no Safari

Além disso, o Replay gera uma playlist com as músicas mais tocadas durante o ano que vai se renovando a cada semana, tornando possível acompanhar sua evolução musical ao longo de 12 meses. No fim do ano, a playlist fica salva, tal qual a já mencionada do Spotify.

Reproduzir a seguir

Um dos recursos simples no Apple Music, mas que acabam fazendo falta no Spotify, é mecanismo de fila dupla do app da Maçã.

No app sueco, existe a opção para “adicionar música à fila”, que automaticamente reproduzirá uma faixa imediatamente após a que está sendo reproduzida (caso seja usada pela primeira vez). Se você adicionar outra música, ela será reproduzida após a que já foi adicionada, e assim sucessivamente.

No Apple Music, no entanto, existem as opções de reproduzir por último e reproduzir a seguir. Enquanto a primeira funciona de modo semelhante à fila do Spotify, a segunda reproduzirá a música imediatamente após a faixa atual, mesmo que outras canções já tenham sido adicionadas à fila.

É um recurso que diminui a necessidade que pode existir no Spotify de ter que ir até a fila de reprodução e arrastar a música desejada para a parte superior, caso você queira que ela seja tocada logo na sequência.

Videoclipes

Outro diferencial do Apple Music em relação ao Spotify é a possibilidade de assistir a videoclipes diretamente no aplicativo — sem a necessidade de ser encaminhado para o YouTube, por exemplo.

Os clipes musicais são exibidos no próprio player padrão da plataforma, ocupando o espaço onde ficaria a capa do álbum. Ao girar o iPhone para a orientação paisagem, as imagens passam a ser reproduzidas em tela cheia.

Embora a quantidade de clipes disponíveis nem se compare à do YouTube, é uma boa para quem quer ver determinado videoclipe sem deixar o app — e até em Picture-in-Picture (que está disponível apenas para usuários Premium no app do Google).

Spotify

Spotify Wrapped

O Spotify Wrapped vai um pouco na linha do Apple Music Replay, apesar de ser um relatório mais voltado ao social. E é esse o seu grande diferencial, o que faz usuários do Apple Music ficarem “isolados” todo fim de ano perante milhões de compartilhamentos de infográficos bacanas gerados pelo app sueco nas redes sociais.

Trata-se de uma retrospectiva bem completa de álbuns, artistas, músicas e gêneros que foram ouvidos por usuários ao longo do ano. Porém, ao contrário do recurso semelhante do app rival, o do Spotify pode ser compartilhado de forma nativa e dimensionada especialmente para as redes sociais.

Quem quer fazer isso no Apple Music Replay tem de tirar capturas de tela da página do recurso, o que não é nada prático e o resultado não fica nada agradável visualmente.

Podcasts

Embora eu, particularmente, ache que o Spotify organiza mal seu aplicativo no que diz respeito à existência de músicas e podcasts simultaneamente, me parece algo óbvio que oferecer esse recurso a mais pode ser uma vantagem do aplicativo sueco.

Podcasts no Spotify
Podcasts no Spotify

Enquanto a Apple oferece o seu aplicativo Apple Podcasts à parte, quem é usuário do Spotify não precisa mudar de app sempre que quer ouvir seu programa favorito. Porém, cabe reconhecer que algumas pessoas podem preferir manter cada coisa em separado, mas o fato de existir a possibilidade já pode ser considerado uma vantagem.


Ícone do app Apple Podcasts
Apple Podcasts de Apple
Compatível com iPadsCompatível com iPhonesCompatível com Apple Watches
Versão 3.7.6 (2.9 MB)
Requer o iOS 10.0 ou superior
GrátisBadge - Baixar na App Store Código QR Código QR

Timer

Outro recurso bem simples, mas que pode fazer grande diferença em um aplicativo de música, é um timer. No Spotify, caso você esteja reproduzindo uma música e deseje definir que o aplicativo interrompa essa reprodução em determinado tempo, é só ativar a opção timer nos menu de três pontos no player principal.

É possível fazer o mesmo com o Apple Music, mas de uma maneira nada prática. Você precisa definir um timer no app Relógio e, no campo “Ao terminar”, selecionar “Parar reprodução”.

Não foram poucas as vezes em que eu defini um timer para alguma tarefa em específico no meu cotidiano e acabei não recebendo nenhum retorno sonoro ao final por ter usado anteriormente o Relógio para interromper o Apple Music e esquecido de trocar a opção “Parar reprodução” por algum dos toques existentes no app. 😠

Spotify Connect

Outro recurso muito bom disponível no Spotify é o Connect, uma verdadeira e eficiente funcionalidade que permite controlar a reprodução do Spotify entre diferentes dispositivos que estejam conectados à mesma rede Wi-Fi.

Com alguns poucos toques, o Spotify permite reproduzir, pular músicas, aumentar o volume (dentre outras coisas) diretamente do celular, do navegador ou do aplicativo para desktop, por exemplo.

Spotify Connect em execução

Quem tem um Mac e um iPhone consegue fazer algo parecido no Apple Music através do AirPlay, mas caso você tenha um computador com Windows e deseje controlar a reprodução a partir do iPhone, por exemplo, não consegue (o que é facilmente possível com o Spotify).

Temos um veredito?

Após um comparativo tão grande (ufa!), você deve ter percebido que ambos os aplicativos apresentam destaques tanto positivos quanto negativos. Pode parecer clichê, mas a decisão sobre um vencedor nesta disputa vai depender muito das suas condições (sejam elas financeiras ou relacionadas a dispositivos que você possui), dos seus gostos ou das suas necessidades.

Caso você esteja muito mergulhado no ecossistema da Maçã, por exemplo, o Apple Music é mais do que ideal em funcionalidades e integração entre diferentes dispositivos — além de poder ser adquirido por um preço bem mais em conta, e em conjunto com outros serviços da Maçã. A qualidade de áudio também é um ponto a mais pro app da Maçã, especialmente se você for um audiófilo.

Caso você tenha somente um iPhone, no entanto, pode ser mais difícil ter uma boa experiência ao tentar usar o aplicativo em outros dispositivos — o que pode o fazer optar pelo Spotify se você não costuma ouvir música apenas pelo celular.

Você também pode ser guiado pelo dilema interface vs. funcionalidades. É como usar um computador portátil com a energia da bateria e ter que escolher entre desempenho de bateria e economia. Enquanto o app da Maçã é mais organizado e parece agradável visualmente, o Spotify pode ter alguns recursos simples que podem fazer falta a depender do usuário.


A decisão sobre qual aderir, é claro, é toda sua. De qualquer forma, como informado na parte sobre preços, ambos os aplicativos oferecem opções de teste grátis — o que pode lhe ajudar a escolher entre um e outro sem ter que gastar mais por isso.

Quem aí também já experimentou (para valer) os dois? 🎧


Ícone do app Música
Música de Apple
Compatível com iPadsCompatível com iPhonesCompatível com Apple Watches
Versão 2.5 (1.9 MB)
Requer o iOS 10.0 ou superior
GrátisBadge - Baixar na App Store Código QR Código QR

Ícone do app Spotify: Música em streaming
Spotify: Música em streaming de Spotify
Compatível com iPadsCompatível com iPhonesCompatível com Apple WatchesCompatível com Apple TV
Versão 8.6.98 (160.8 MB)
Requer o iOS 12.0 ou superior
GrátisBadge - Baixar na App Store Código QR Código QR

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