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Conceito de "Apple Car"

“Apple Car” e rivais já despertam preocupações sobre monopólio

Os prospectos ainda são distantes, mas os receios já são deveras reais

Ainda ontem, publicamos aqui uma longa reportagem (ou seria uma proposta de reflexão?) sobre os prospectos do “Apple Car” e o que a Maçã deverá fazer para que sua incursão no universo automobilístico seja realmente disruptiva. Pois hoje, o famigerado carro da Apple chegou às manchetes tecnológicas novamente — e não pelos motivos que Cupertino poderia esperar.

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O POLITICO publicou recentemente uma reportagem detalhando as preocupações (antecipadas) de alguns legisladores em relação a um possível monopólio da Apple e de outras Big Techs, como o Google e a Amazon, conforme os segmentos tecnológico e automobilístico se sobrepõem. Mais precisamente, o receio é de que, dentro do carro, as gigantes possam exercer de forma ainda mais prejudicial seu poder de mercado basicamente ilimitado.

O exemplo atual citado pela matéria é o acordo da Ford com o Google, o qual fará com que, a partir de 2023, todos os carros da montadora venham com o Google Maps, o Google Assistente e a Play Store pré-instalados no seu sistema de infoentretenimento. Os usuários poderão instalar a Siri ou a Alexa nos veículos, mas todo o sistema será desenvolvido e otimizado pelo Google, e apenas o Google e a Ford terão acesso aos dados de usuários gerados pelo sistema.

Extrapolando esse acordo, as gigantes tecnológicas poderão assumir cada vez mais funções do seu carro, culminando até mesmo em um veículo próprio — como o que a Apple está projetando em seus porões. Ou seja, a guerra, agora, é para ocupar o ambiente dentro do seu carro e prender todos os passageiros a um determinado ecossistema.

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O principal problema é que, muito mais do que um smartphone ou mesmo um computador, um carro é quase sempre um investimento de longo prazo. Isto é, um consumidor que adquira um veículo estará “preso” àquele ecossistema pelo tempo que passar com o carro, que pode ultrapassar os cinco ou dez anos, o que torna a competitividade entre as empresas mais complicada.

Apple, Google e Amazon já perceberam que o ambiente veicular é a próxima fronteira (ok, talvez depois da realidade aumentada) para vender seus serviços e estimular seus usuários, gastar dinheiro dentro dos seus domínios e deixar seus dados para anunciantes. Como colocou Jim Heffner, vice-presidente da Cox Automotive Mobility:

O transporte não é mais o ponto principal. Os dados é que são — e a Apple, o Google e outras querem estar no epicentro disso.

Legisladores e ativistas preocupados com as cenas dos próximos capítulos reconhecem, entretanto, que é difícil traçar alguma estratégia contra o “monopólio do ambiente veicular” antes que… bom, antes que as empresas anunciem alguma coisa.

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Ainda assim, Charlotte Slaiman, diretora de políticas de concorrência na ONG Public Knowledge, nota que este momento — em que o novo segmento ainda está engatinhando — é quando novos concorrentes deveriam ter uma chance de entrar no mercado:

Um dos problemas que nós vemos com as plataformas das Big Techs é que elas conseguem manter seu poder mesmo com as mudanças tecnológicas. A transição para novas tecnologias é o momento em que um novo concorrente, inovador, tem uma chance [de entrar no mercado].

Uma coisa é certa: assim como Apple e Google já venceram a guerra dos smartphones, agora ambas as empresas — junto à Amazon — partirão com tudo para vencer também a guerra dos carros. Se legisladores e ativistas terão algo a dizer sobre isso, entretanto, apenas os próximos anos dirão.

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