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Logo da Apple
Ascannio / Shutterstock.com

De Isaac Newton até a maçã mordida: a história do logo da Apple

Afinal, como uma fruta virou um sinônimo de uma das maiores empresas da história da tecnologia?

Todos os dias, onde quer que estivermos, somos bombardeados por uma infinidade de logotipos diferentes. Seja um ícone, um emblema, uma sigla ou uma palavra (ou a combinação de tudo isso), todos esses símbolos buscam cumprir um papel em comum: comunicar a identidade visual de uma marca e torná-la memorável para o público.

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No entanto, são poucas as empresas que, em meio a tantos exemplos, conseguem criar um logotipo verdadeiramente único e indissociável da sua marca. A Apple, por sua vez, pode ser facilmente posicionada no seleto grupo de companhias que alcançaram tal proeza, afinal, é praticamente impossível sequer pensar nela sem que a famosa maçã mordida venha à nossa mente.

Mas afinal, o que faz um logo tão icônico? O que faz a maçã mordida ser tão reconhecível quanto o cavalo rampante da Ferrari, o “M” do McDonald’s ou o Swoosh da Nike?

Neste artigo, iremos dar uma olhada em como se deu o processo criativo que levou até a criação do famoso logotipo da Apple e as diversas mudanças sofridas pelo ícone ao longo dos seus quase 45 anos de existência — a fim de entender não só sua história, mas o que o faz tão marcante.

O primeiríssimo logotipo da história da Apple estava longe de transmitir a mesma simplicidade e objetividade do atual. Criado em 1976 por Ronald Wayne (o terceiro e não tão conhecido cofundador da empresa), o emblema contava com a figura de Isaac Newton no folclórico momento da descoberta da gravidade, quando uma maçã supostamente teria caído sobre sua cabeça enquanto lia um livro debaixo de uma macieira.

O emblema é cheio de detalhes e ostenta, até mesmo, um trecho de um poema escrito pelo poeta romântico inglês William Wordsworth em sua moldura, que diz:

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Newton…uma mente sempre viajando pelos estranhos mares do pensamento.

O nome da companhia, por sua vez, aparece estampado em duas flâmulas que envolvem a moldura central.

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Por motivos óbvios, essa primeira versão não durou muito tempo. Seu alto nível de detalhes prejudicava sua reprodução em produtos e materiais impressos, além de não ser facilmente identificável vista de longe. Steve Jobs também acreditava que o visual vintage do logotipo não conseguia transmitir com precisão a filosofia da empresa, além de não ter um apelo forte com o público jovem.

Dessa forma, o logo newtoniano foi finalmente aposentado por Jobs menos de um ano após a sua criação.

A criação da maçã mordida

A tarefa de criar um logotipo mais moderno e objetivo para a Apple caiu então nas mãos do designer gráfico Rob Janoff, contratado por Jobs em 1977. Após se reunir pela primeira vez com o executivo no começo daquele ano, Janoff passou cerca de uma semana e meia estudando a forma de maçãs reais e desenhando vários rascunhos do que viria a se tornar o seu primeiro e único protótipo.

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Foi muito simples, na verdade. Apenas comprei um monte de maçãs, coloquei-as em uma tigela e as desenhei por uma semana ou mais para simplificar a forma.

Nascia, então, a primeira versão da boa e velha maçã mordida, que na época ainda contava com o clássico arco-íris em alusão ao vindouro Apple II — o primeiro computador pessoal do mundo com um display colorido. O logotipo foi prontamente aprovado por Jobs e adotado em todos os produtos, comerciais e documentos da empresa pelas próximas duas décadas.

Pessoas mais atentas já devem ter percebido que a ordem das cores no ícone não segue exatamente a mesma sequência encontrada em um arco-íris tradicional. Em entrevista, Janoff explicou que, exceto pela cor verde, que foi posicionada no topo por uma exigência de Jobs (já que é onde a folha da maçã está), o padrão adotado para o ícone não possui nenhuma razão específica.

Além disso, existem inúmeras teorias que tentam explicar a existência da mordida na maçã. Alguns acreditam se tratar de uma referência ao suicídio de Alan Turing, matemático considerado pai da computação que se suicidou ao comer uma maçã envenenada. Outros defendem a tese de que o detalhe tem inspiração no fruto proibido do conto de Adão & Eva.

Na verdade, segundo o próprio Janoff, o detalhe foi adicionado ao ícone para diferenciar a maçã de um tomate ou uma cereja, independentemente da distância ou do ângulo.

Janoff também chegou a trabalhar para empresas como IBM e Intel, tempos depois.

Minimalismo e era translúcida

A maçã mordida colorida reinou soberana em todos os produtos da Apple por exatos 22 anos e, exceto por breves ajustes feitos pela equipe da empresa através de softwares para torná-la ainda mais simétrica — algo que não estava disponível na época de Janoff — seu formato permanece praticamente inalterado até os dias hoje.

O ícone só foi sofrer sua primeira alteração em 1998, a pedido do próprio Jobs — apenas um ano após retornar à gigante de Cupertino. A Apple, então, começou a usar uma nova versão monocromática do logotipo em algumas embalagens de produtos, como o PowerBook, embora a maçã colorida ainda estivesse presente em coisas como a barra de ferramentas do Mac OS 9. Essa versão é a única da leva de novos designs do final dos anos 1990 e início dos anos 2000 que permanece, de certa forma, em uso até os dias de hoje.

Além da nova versão monocromática, a Apple também estreou no mesmo ano uma edição translúcida, projetada para fazer alusão ao design colorido do iMac G3 e do iBook G3.

Essa iteração, que contava com a clássica cor Bondi Blue do all-in-one apresentado por Jobs, foi usada de forma bem mais breve pela Apple, limitando-se aos produtos que adotaram a linguagem visual translúcida e a poucos itens de merchandising. O design foi finalmente aposentado em 2000.

R.I.P. Mac OS 9

Em 2001, a Apple apresentou a logotipo Aqua, que contava um com design tridimensional que parecia ser feito de vidro para combinar com a nova identidade visual do recém-lançado Mac OS X.

Essa versão foi adotada de forma hegemônica pela empresa e substituiu de vez o logotipo colorido criado Janoff nos menus do sistema da Apple.

O novo estilo buscava transmitir um certo senso de sofisticação, classe e inovação, já que, nessa época, a Apple começava a assumir postura de “marca de luxo” dos dias de hoje. Para tal, a maçã assumiu um gradiente entre as cores cinza, branco e preto.

A maçã “Aqua” durou sete anos e marcou a transição da empresa daquela linguagem visual colorida e chamativa, do final dos anos 1990, para a filosofia de design mais sóbria da primeira metade dos anos 2000. Foi nessa época, inclusive, que a Apple passou a intensificar o uso do alumínio anodizado em seus designs.

O logotipo cromado

Em 2007, ano de lançamento do primeiro iPhone, a Apple já havia assumido a identidade luxuosa pela qual ela é lembrada nos dias de hoje. Um dos maiores símbolos dessa mudança de tom é a adoção alumínio anodizado e, em alguns casos, do titânio em seus produtos.

Essa mudança de materiais trouxe um aspecto mais sofisticado e minimalista aos produtos da empresa — e o logo, por sua vez, precisava acompanhar essa evolução.

Com isso, a Apple adotou, naquele mesmo ano, um novo logo cromado que chamava atenção por seu visual brilhante e reflexivo, em alusão aos metais usados pela companhia. Durante os anos em que foi usado, o logotipo podia ser encontrado em menus do Mac OS X, na tela de boot do iPhone e no próprio site da Maçã.

O novo estilo também marcou uma mudança de filosofia por parte da empresa que, naquela altura, passou a seguir uma postura mais sustentável ao promover a reciclagem de materiais e o uso eficiente de energia.

Visual atual

Com a queda do esqueumorfismo no iOS em 2013, a Apple foi gradativamente se distanciando daquele visual brilhante e metálico dos primeiros anos do iPhone e passando para algo mais flat e colorido — algo que se mantém firme até os dias de hoje nos produtos e sistemas da empresa.

Dessa forma, o logo cromado foi perdendo cada vez mais espaço dentro da empresa, até que, em 2015, foi completamente substituído pela maçã plana e minimalista que temos até hoje.

Muito parecida com a versão monocromática de 1998, o logotipo atual costuma aparecer não só nas cores preto e branco, mas, também, em um tom de prata/cinza bastante característico. Nos produtos, a nova versão costuma seguir a cor dos aparelhos em que está estampada, e não mais um padrão único.

Também não é raro ver a Apple divulgar versões especiais do design atual em comerciais, convites de eventos e páginas de produtos — algo que tem se tornado bem comum nos últimos anos. Essa variedade toda coloca essa versão como a mais versátil já adotada pela empresa até os dias hoje.

O legado

A maçã mordida da Apple pode ser considerada um sucesso instantâneo. Rob Janoff conseguiu fazer, em 1977 — com apenas um protótipo —, aquilo que muitas empresas demoram anos para fazer e consolidar: um logotipo simples e indissociável da marca.

As mínimas mudanças no formato do ícone garantiram sua atemporalidade e, com certeza, ajudaram a companhia a alcançar o posto de uma das marcas mais valiosas do mundo — sem falar da construção da imagem de marca jovem e inovadora geralmente atribuída à Apple.

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