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iPhone com EarPods e vários apps de música: Apple Music, Spotify, YouTube Music, Shazam, TIDAL, Deezer, Pandora e mais
Tada Images / Shutterstock.com

iPod, iTunes e mais: o impacto da Apple no mercado fonográfico

Não é incomum navegar na internet e se deparar com alguém dizendo que “a Apple revolucionou a indústria fonográfica”. Embora “revolução” possa parecer uma palavra muito forte à primeira vista, não é nada equivocado atrelá-la à Maçã — que, como sabemos, revolucionou não somente esse campo, mas também o de telefonia móvel, o de computadores pessoais, entre outros.

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Tendo lançado aparelhos e serviços que mudaram a forma como as pessoas ouviam e até adquiriam suas canções na primeira metade do século, a empresa pode até ter ficado pra trás em termos de inovação no setor nos últimos dez anos, mas continua impactando em cheio o mercado fonográfico — seja com investimentos pesados no streaming ou até com fones de ouvido.

Neste post especial, vamos percorrer um trecho relativamente pequeno da história da Maçã e mostrar como a empresa se manteve relevante no mercado musical desde o primeiro iPod, passando pela iTunes Store, até os mais recentes Apple Music e AirPods.

Então, senta aí que lá vem história…

Nos primórdios…

Para começar esta viagem, vamos relembrar como era o mercado musical no início do século XXI, época quando a Apple se dedicava prioritariamente à produção e à comercialização de computadores pessoais.

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Arquivos de músicas digitais já existiam, mas a indústria fonográfica como um todo era altamente concentrada em disponibilizar seus produtos em formatos físicos, como os já consolidados CDs e até os tradicionais discos de vinil e fitas cassetes.

O mercado de músicas digitais, por outro lado, estava extremamente contaminado pela pirataria, que ficava cada vez mais popular com o advento de softwares como Napster, LimeWire e eMule, bem como a popularização dos arquivos MP3, que eram executados majoritariamente em programas como o Windows Media Player e o Winamp.

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Muito provavelmente, esse mercado evoluiria de maneira exponencial para um mar de pirataria caso as coisas permanecessem dessa forma. Ora, se as pessoas percebiam a praticidade que é ouvir músicas em formato digital em relação às mídias físicas, obviamente recorreriam à forma majoritariamente disponível para adquiri-las.

Vinis e CDs podem até ser nostálgicos hoje em dia, mas não é muito difícil imaginar a sensação das pessoas quando elas tiveram a nova experiência de escutar suas músicas preferidas com poucos cliques.

Além disso, as pessoas não corriam mais riscos como o de danificar as mídias físicas (o que levava à parcial ou total inutilização delas) ou até de perdê-las — sem falar, é claro, que não seria mais necessário se locomover para comprar um novo álbum.

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Caso o mercado fonográfico (ou algum agente externo) não se mexesse para conquistar logo esse público — sedento por músicas digitais —, a história poderia seguir um caminho de volta, com a pirataria sendo dominante e prejudicando artistas, impedindo novas produções.

O iTunes

Poucos anos após seu retorno à Apple, Steve Jobs sabia que poderia embarcar com força nesse mercado, mas obviamente precisava do produto certo para isso — e da colaboração da indústria musical, obviamente.

No início dos anos 2000, a empresa recontratou Bill Kincaid e Jeff Robbin, dois de seus ex-funcionários que haviam criado nos anos 1990 um software player MP3 chamado SoundJam MP.

A ideia da companhia de Cupertino era trabalhar na produção de um aplicativo nos mesmos moldes para equipar sua linha de computadores. Junto a Kincaid e Robbin, também foi para a Apple o outro criador do player, Dave Heller.

Foi desse trabalho que se originou o iTunes, que foi o primeiro grande passo dado pela empresa para embarcar no mercado musical.

Com uma interface elegante e simplificando a experiência dos usuários, o software chegou para facilitar tanto a gravação de CDs quanto o gerenciamento de músicas digitais, mas isso por si só não era suficiente para concretizar os objetivos da Maçã.

E os MP3 players?

Já falamos sobre como era o mercado de músicas digitais e o sucesso estrondoso de softwares para reproduzi-las em computadores. Mas e quanto aos reprodutores físicos de tais canções? Afinal, desde o saudoso Walkman, ficar preso a um computador ou um tocador de fita/CD já não era mais uma opção.

Reprodutores portáteis de MP3 já existiam desde meados da década de 1990, mas estavam longe de fornecer aos usuários experiência e usabilidade adequadas. Isso porque a maioria deles era construída com base em memória flash, que naquela época suportava tantas músicas quanto… um CD. Além disso, eles geralmente usavam o padrão USB 1.1 para transferência de dados, o que levava até cinco minutos para transferir a quantidade de músicas de um CD para um desses aparelhinhos — transferir milhares de canções, então, levava horas e horas! E isso com softwares péssimos e pouco intuitivos.

Que tal preencher esse vazio? Pode entrar, iPod!

Jobs já tinha o iTunes para reproduzir músicas nos Macs, mas sabia que poderia ir além. Para isso, nada melhor do que um MP3 player físico próprio que se integrasse perfeitamente ao iTunes, não é mesmo? Até como forma de atrair mais clientes para os computadores da Maçã e dar início ao seu forte ecossistema, a partir do chamado “Efeito Halo”.

Com esse objetivo, Jobs designou Jon Rubinstein (que na época era vice-presidente sênior de hardware da empresa) para tirar seu projeto do campo das ideias. Com muitas pesquisas, ele tentava resolver dois problemas: como fazer o menor MP3 player do mercado e, ao mesmo tempo, maximizar a capacidade de músicas no dispositivo (usando na época, claro, um disco rígido convencional).

O nome designado para essa tarefa foi Tony Fadell, o qual foi convidado por Jobs para comparecer à Apple com o objetivo inicial de discutir o projeto de MP3 player da Maçã — como confirmou o próprio executivo em entrevista concedida à Macworld em 2011:

A Apple achava que poderia trazer um [MP3 player] melhor para o mercado e pediu que eu fizesse alguns projetos […] Como ele poderia ser construído, que tipo de componentes, quanto custaria e fazer toda a pesquisa básica e design para o que se tornaria o iPod.

Disposto a cumprir essa missão, Fadell estudou a concorrência, se reuniu com muita gente no mundo dos reprodutores portáteis e construiu três protótipos, futuros candidatos ao título de reprodutor MP3 da Maçã. Só faltava, então, apresentá-los a Jobs e saber se o chefe gostaria dos projetos.

Tendo ficado encantado com o último modelo apresentado, Jobs conseguiu convencer rapidamente o engenheiro a trabalhar com a Apple na construção do produto, mas com um acordo. Segundo revelou à CNET, Fadell perguntou se Jobs estava disposto a ir longe com o iPod.

Ele deu vários exemplos de empresas que lançam produtos e os cancelam nove meses depois, argumentando que são necessárias pelo menos três gerações de um produto para se ter a certeza de que ele engrenou ou não.

Muitas pessoas param no meio da jornada, e eu queria ter certeza de que não faríamos isso.

Com Jobs dando sua palavra de que não investiria em apenas uma geração do dispositivo, Fadell iniciou seus trabalhos. Ele precisou trabalhar com novos componentes, desenvolver um novo software para interface de usuário e também trabalhar com as inovadoras baterias de íons de lítio, que dariam ao dispositivo dez horas de duração de bateria.

Lançado em 2001 em evento histórico, o iPod não foi um sucesso absoluto em sua primeira geração (como previsto por Fadell), mas graças ao acordo feito com Jobs e a insistência da empresa de manter o projeto, o aparelho pôde se consolidar como o player mais popular da história da música digital.

Ele chegou com boas novidades como a capacidade de armazenar mais de 1.000 músicas no bolso, um HDD1 de 5GB que ocupava 20% menos espaço que os players da época e a porta FireWire, que permitia o download rápido de músicas do computador para o aparelho (30 vezes mais veloz que os players com porta USB). Além disso, sua bateria permitia uma reprodução contínua de até dez horas.

Com as novas gerações, uma outra novidade foi essencial para contribuir com a popularidade do dispositivo: a sua compatibilidade com PCs com Windows, que chegou já na segunda geração e não estava entre os planos originais de Jobs (ele queria restringir o player ao Mac OS X). Felizmente ele acabou sendo voto vencido, já que os demais executivos da Apple entenderam que a incompatibilidade com o sistema operacional mais usado para desktops impactaria negativamente (e em cheio) a popularidade do aparelho.

A iTunes Store

Dessa forma, dois produtos certeiros já estavam nas mãos de Jobs e da Apple, mas eles dois por si só não eram suficientes para fazer a indústria musical voltar seus olhos ao mercado digital e, consequentemente, fazer seus dois players (o iTunes e o iPod) se tornarem populares.

Vamos imaginar um cenário em que as gravadoras continuassem investindo somente em mídias físicas. Primeiro: o mercado de músicas digitais muito provavelmente permaneceria inundado na pirataria (como esteve até há pouco tempo no Brasil, país onde a compra de músicas digitais nunca foi algo popular). Segundo: a Apple até poderia emplacar o iPod, mas a simples integração com o iTunes não teria um grande diferencial, inclusive com forte risco de que o novo aparelho poderia ser facilmente ameaçado pela concorrência (que, a essa altura, já saberia bem o caminho a seguir em termos de hardware).

Esse é o cenário que teríamos caso a Apple não tivesse lançado a lendária iTunes Store, uma plataforma construída especialmente para que usuários adquirissem músicas de maneira oficial para o iPod — que, por sua vez, poderiam ser adicionadas (e também executadas) através do player da Apple para computadores.

Mas faltava convencer as gravadoras a disponibilizar suas músicas de maneira digital, já que se tratava de um mercado praticamente “vazio” e não havia nenhuma garantia de que o novo projeto fosse dar certo. Algumas empresas até já haviam tentado lançar suas próprias plataformas, mas nenhuma havia conseguido se popularizar (ao contrário da pirataria, que crescia cada vez mais).

Com seu timing e expertise de sempre, Jobs fez um acordo com as cinco principais gravadoras dos Estados Unidos para que elas vendessem suas músicas pelo iTunes. Mesmo não tão esperançosos, os executivos foram convencidos e entraram nessa empreitada, o que representou um ponto de virada radical e estremeceu as estruturas de um sistema mainstream que há muito estava estabelecido e consolidado (embora ameaçado).

Com o apoio das gravadoras Sony, EMI, BMG, Warner Music e Universal, a Apple conseguiu transformar a iTunes Store em uma fonte oficial e centralizada para obtenção de músicas dos principais artistas do mercado.

Outro fator determinante para o seu sucesso foi o fato de que cada música poderia ser comprada individualmente, e por apenas US$0,99. O preço de cada canção, inclusive, causou uma divergência inicial entre as gravadoras o CEO2 da Apple, que bateu o martelo para que elas fossem disponibilizadas a um valor acessível.

Na época, os executivos da Sony pretendiam cobrar mais de US$3 por cada canção, o que poderia ter inviabilizado a história de sucesso da iTunes Store, já que o valor ultrapassava (e muito) a barreira psicológica dos centavos que foi seguida no limite pela Apple.

O próprio fato de existir a possibilidade de as músicas serem vendidas individualmente já foi algo revolucionário e essencial para a difusão da loja online da Maçã, já que antes isso só era possível ou na problemática pirataria ou através dos famosos singles. Quem queria adquirir uma ou duas músicas isoladas, muito provavelmente teria que investir dinheiro em um álbum (ou CD) completo.

Com o advento da iTunes Store, também se tornaram bastante populares (especialmente entre os jovens) os charts digitais. Se a Hot 100 da Billboard (até então) havia ditado as regras sobre o que estava sendo ou não ouvido no mercado fonográfico, agora a Apple também entrava na parada.

Com as vendas de músicas digitais disparando a cada ano, não é difícil imaginar que rapidamente o iTunes Charts se tornou de grande relevância para analisar as idas e vindas do mundo da música, sendo muito importante para qualquer artista conseguir uma posição no topo (especialmente nos EUA).

Um novo aparelho entra em cena

Embora o iPod, na segunda metade da primeira década de 2000, já fosse uma realidade e bastante consolidada no cenário musical, o aparelho viu sua hegemonia ser cada vez mais ameaçada por um dispositivo cada dia mais popular: o celular.

Se no início do novo milênio eles basicamente faziam ligações e mandavam mensagens de texto, os pequenos computadores portáteis incorporavam cada vez mais recursos de mídia e colocavam em ameaça outros tipos de aparelhos, como as câmeras fotográficas digitais e os tocadores de música.

Prevendo que o iPod muito provavelmente não sobreviveria ao fenômeno celular, Jobs iniciou sua intensa jornada na tentativa de incorporar a Apple nesse “novo” mercado. A primeira cartada do CEO foi uma parceria com a Motorola, com o lançamento do ROKR E1, que se tornou o primeiro aparelho a contar com o iTunes embutido.

Motorola ROKR iTunes

Com um design um tanto quanto robusto e que em nada lembrava o visual premium presente nos produtos da Apple, o aparelho não vingou. Não só por isso: ele tinha limitações como um armazenamento de 100 músicas, o que o deixava bem aquém do iPod e tornava injustificável a troca do player pelo celular.

Mas Jobs não abandonou a ideia de fazer a Apple entrar de vez no mercado de celulares. Se a parceria não deu certo, a ideia agora era a própria empresa fazer o seu aparelho. Era uma iniciativa ousada — já que a Apple nunca havia lançado um celular —, mas ao mesmo tempo, a Maçã já havia sido inserida com sucesso no mercado de dispositivos móveis com o iPod.

Foi seguindo esse objetivo que o iPhone foi lançado por Jobs em 2007. No anúncio, já bem conhecido, o CEO destacou que o novo aparelho era um três-em-um: além de ser um revolucionário telefone celular e um dispositivo de comunicação pela internet quebrador de barreiras, ele também era um iPod com controles touch.

Em suas primeiras gerações, ainda aproveitando o boom da marca, o app de músicas do iPhone era chamado “iPod” (e tinha o ícone de um). Só anos depois é que a Apple mudou para o nome atual, Música.

Mas como o iPhone impactou o mercado fonográfico?

Uma das inúmeras possibilidades que o iPhone trouxe em relação ao iPod foi a conexão Wi-Fi e com rede celular (ou seja, conectividade em todo lugar). Com o avanço da internet, algumas empresas puderam ressuscitar uma ideia antiga e que nunca havia vingado: os serviços de streaming por assinatura, que representariam a próxima etapa da revolução do mercado fonográfico digital.

Nessa revolução, a Apple começou como coadjuvante, já que o Spotify foi o grande responsável por popularizar a “nova” forma como as pessoas passariam a ouvir músicas digitais. Lançado em 2006, o software começou a ganhar muito terreno e conquistar usuários em massa, se transformando em um verdadeiro fenômeno no setor.

Se o iTunes e a iTunes Store mudaram os meios pelos quais se adquiria e consumia músicas, o Spotify veio para mudar o modelo vigente e consolidado há décadas e décadas: aquele em que o usuário adquire um álbum ou uma canção e ele(a) passa a ser de “sua propriedade”.

Com o streaming, passou a não ser mais necessário gastar dinheiro com músicas ou álbuns específicos (muitos dos quais poderiam ser de anseios passageiros), com a possibilidade de pagar um pequeno valor mensal para ter à sua disposição um enorme catálogo de canções.

Pela primeira vez, desde a era iTunes/iPod, a Apple não estava mais na dianteira da revolução, e (obviamente) seus dias de glória ficariam apenas na história caso não se mexesse.

Mesmo com Jobs tendo, no passado, feito muitas críticas ao modelo de assinaturas, Tim Cook e a então cúpula da Apple sabiam que precisavam agir. Assim como o iPod deu lugar a um dispositivo mais poderoso e versátil, o iTunes já se encontrava sob forte ameaça. Não tinha como fugir!

O Apple Music chegou com tudo

Em 2014, a Maçã deu o primeiro passo na sua jornada para recuperar o terreno perdido no mundo da música. Para isso, a empresa adquiriu a Beats, que na época já estava consolidada como uma marca praticamente “de luxo” no que se refere ao mercado de fones de ouvido.

Mas esse mercado não era a única ambição da Maçã com a compra da companhia, já que no pacote estava incluído o Beats Music, serviço de streaming por assinatura (que nunca esteve disponível no Brasil).

Muito se questionou na época sobre quais seriam as intenções da empresa com o serviço, já que, para praticamente todo mundo, a iTunes Store permanecia bastante viva no escopo de serviços da Maçã e, teoricamente, bastaria uma renegociação dos contratos já existentes para viabilizar um serviço de streaming próprio da Apple.

Somente um tempo depois é que os planos da empresa foram revelados, já que o serviço de streaming seria usado apenas como base para a criação um novo aplicativo do gênero — usando a tecnologia já existente, mas o repaginando e adicionando novos recursos. A influência dos dois cofundadores da Beats, Jimmy Iovine e Dr. Dre, também foi fundamental nesse início.

Foi aí que surgiu o Apple Music, que embora não tenha trazido (de início) nenhuma revolução em termos tecnológicos, certamente chegou para causar impacto no mercado fonográfico e na própria Apple — que (a partir daí) passaria a dar uma atenção substancialmente maior aos serviços.

Para se ter uma ideia, o serviço de streaming da Apple conseguiu algo raro no mundo da tecnologia: concorrer e até ultrapassar (pelo menos nos Estados Unidos) o serviço pioneiro e dominante — embora tenha a metade dos assinantes do app sueco no mundo.

Não é muito difícil entender como o aplicativo da Maçã conseguiu esse feito, especialmente porque ele é o app nativo de um dos sistemas operacionais mais utilizados do mundo.

Mas isso não é a única explicação, já que se ser um app nativo de um grande sistema operacional fosse a receita milagrosa do sucesso, players como o finado Google Play Music provavelmente estariam hoje disputando uma vaga no topo dos serviços mais utilizados — assim como o YouTube Music.

Fato é que, além de simplesmente ser um serviço de streaming, o Apple Music é um bom serviço de streaming, o que com certeza contribuiu para que ele conseguisse manter usuários ativamente na plataforma mesmo após o famoso teste gratuito de três meses que implementou.

Além disso, como sabemos, a Apple comanda muito bem seu ecossistema, de modo que (para quem está inserido nele) ter o app proprietário da Maçã pode ser algo mais vantajoso em relação a softwares concorrentes.

Podemos destacar ainda, é claro, parcerias com artistas famosos — como Taylor Swift e Drake — com conteúdos exclusivos para a plataforma e os videoclipes, que não estão presentes no principal concorrente do app da Maçã.

Embora não tenha sido pioneiro em seu gênero, é fácil concluir que o Apple Music causou e continua causando impacto no mercado fonográfico, especialmente por ter balançado um mercado cujo domínio estava basicamente consolidado nas mãos de uma única empresa.

E para manter (e conquistar cada vez mais) terreno, a Maçã continua investindo pesado no seu principal serviço. O grande movimento mais recente aconteceu no ano passado, quando a empresa anunciou que o aplicativo ganharia suporte ao Áudio Espacial e também ao Lossless.

Música no Apple Music com suporte a Dolby Atmos e lossless

A primeira tecnologia vem ganhando grande aderência no mercado desde o anúncio, com artistas lançando novas canções com suporte ao Dolby Atmos e até mesmo remixando as antigas, fornecendo uma experiência bastante imersiva para os usuários (como a que temos ao ver um filme nos cinemas).

A segunda, embora seja uma espécie de “nicho”, tem também seu impacto. Isso porque os serviços que já ofereciam músicas sem perda de qualidade o faziam com planos dedicados (e mais caros).

A Amazon, uma das que ofereciam planos especiais para quem quisesse qualidade Lossless, cortou o custo adicional logo após o anúncio da Maçã. O Spotify, que planejava lançar um plano mais caro com o recurso, teve que recalcular a rota e até o momento não se pronunciou sobre alguma previsão de lançamento. E o TIDAL, que tinha isso como seu principal diferencial até um tempo atrás, está agora mais ameaçado do que nunca.

Não esqueçamos dos AirPods

Hoje em dia, falar em AirPods (ou em qualquer outro fone que segue o mesmo estilo) é algo para lá de normal. Há oito anos, antes de a Maçã lançar seus fones de ouvido Bluetooth, não era bem assim — visto que os fones de ouvido com fio ainda dominavam o mercado.

Mais uma vez olhando para o futuro (que caminhava cada vez mais para um mundo wireless, a Apple ousou (e foi bastante criticada) ao retirar a entrada P2 dos iPhones e (coincidentemente) apresentou ao mundo seu mais novo produto causando um certo reboliço.

Eram basicamente os tradicionais EarPods sem os fios (como bem descreveu o The Verge na época), mas o aspecto visual e a comodidade de colocar um fone sem ter que manipular fios estava longe de ser a única novidade no produto.

AirPods 3 e Estojo fundo madeira

A exemplo do que fizeram os controles remotos no século XX, os AirPods eliminaram a necessidade de dar play/pause em uma canção sempre que os fones eram retirados e colocados na orelha, bem como permitiu falar com a Siri dando alguns poucos toques no produto.

Pode soar um tanto quanto forçado falar nesse tipo de recurso em pleno 2022, mas para a época eram, sim, tecnologias “surpreendentes” para usuários comuns. Obviamente, a aposta arriscada da Maçã deu (muito) certo, já que é bastante raro ver alguém com fones de ouvido com fios andando por aí na rua atualmente.

E quanto ao futuro?

Tudo aponta para que a Apple continue apostando todas as suas fichas tanto no Apple Music quanto nos AirPods, com um servido ao outro e vice-versa (a exemplo da “parceria” bem-sucedida entre iPod e iTunes).

De acordo com excelente artigo publicado pela Bloomberg no ano passado, a Maçã entende que o sucesso e o futuro dos serviços de streaming será determinado por três fatores em específico: metadados, qualidade e descoberta.

Foi por isso que a empresa adquiriu no ano passado o Primephonic, um aplicativo de streaming dedicado a música clássica de capital fechado que contava com algumas dezenas de funcionários e nenhuma grande inovação tecnológica conhecida.

Totalmente desinteressante, não? Para a Apple, muito pelo contrário, já que o serviço conseguiu muito bem aliar os três fatores descritos acima: uma excelente composição de metadados para identificar as canções, uma excelente curadoria (que dá de dez a zero em qualquer serviço de streaming tradicional) e áudio de qualidade.

A Apple entende que foi a música clássica a grande responsável por ditar as regras e tendências do mercado fonográfico, e que com o streaming não será diferente. Para se ter uma ideia, o gênero tanto impulsionou o padrão estéreo para o mainstream quanto foi responsável pelo surgimento dos CDs (planejados especialmente para atender os anseios dos ouvidos exigentes dos amantes de música clássica).

Os AirPods, por sua vez, entram em cena justamente no quesito qualidade de som. Tudo indica que a Apple pretende levar esse aspecto muito a sério em todos os seus produtos de áudio modernos — justamente por isso, investiu pesado no Áudio Espacial e no Lossless.

Para que isso seja possível, a empresa tem que se “livrar” de um inimigo: o Bluetooth. Vice-presidente da divisão acústica da Apple e responsável por produtos de áudio da empresa, Gary Geaves destacou algumas limitações da tecnologia, como a latência e a pequena largura de banda.

É possível imaginar que a Apple tenha planos para superar tais limitações, seja mudando para um formato como o aptX Lossless (da Qualcomm) ou até mesmo para alguma alternativa própria ao Bluetooth, que poderia estar sendo desenvolvida pela Maçã, ou até mesmo levando a sua tecnologia AirPlay à linha AirPods.


Será que veremos uma substituição ao padrão tão popular como o Bluetooth nos próximos anos? Qual será o próximo passo da Apple nesse mercado? O Spotify continuará líder isolado no mundo do streaming de música?

Bem, isso tudo, só o futuro dirá…

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