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Monitor USB-C Dell P2422HE

Review: Dell P2422HE, monitor USB-C (relativamente) acessível

Não foi nada intencional, mas ao longo dos últimos meses vocês acompanharam por aqui a minha saga em busca de uma nova estação de trabalho mais confortável e flexível.

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Primeiro veio o Keychron K2, teclado mecânico que eu uso neste exato momento para escrever este texto. Em seguida foi a Geniodesk Pro, a mesa motorizada que neste momento apoia o teclado, e o terceiro — e, ao menos até segunda ordem, último — ato desta trilogia de renovação: o monitor Dell P2422HE.

Apenas como um breve prelúdio, desde que abandonei os desktops e passei a usar computadores portáteis, nunca senti particular necessidade de um monitor externo — para meu trabalho no MacMagazine e minha vida acadêmica, as 13 polegadas dos dois MacBooks que tive ao longo da última década eram mais que suficientes.

Isso começou a mudar quando, nesse último ano, resolvi cuidar mais da saúde: investi numa cadeira de escritório melhor, mais ergonômica, me acostumei a passar alguns períodos do dia trabalhando em pé e ganhei um suporte para elevar o MacBook à altura dos olhos, como mandam os guias de ergonomia. O monitor, então, seria o próximo passo nessa saga, para forçar menos a vista e poder trabalhar numa posição mais relaxada, sem me curvar para a frente.

Em busca de um monitor para chamar de meu, baseei-me em dois fatores principais: preço — afinal de contas, como bem sabemos, tudo está pela hora da morte — e conectividade USB-C. Como vocês provavelmente já sabem, eu sou um pouco neurótico em relação a cabos e ambientes desorganizados, então um monitor que pudesse receber a imagem (e som) do MacBook Air e carregá-lo, tudo ao mesmo tempo com um único cabo, seria essencial para minha sanidade.

Ao iniciar minha pesquisa em meados do ano passado, logo vi que a tarefa não seria trivial: monitores USB-C ainda são relativamente raros no Brasil1, e os modelos que oferecem o recurso estão todos numa faixa superior de preço, geralmente acima dos R$3 mil — algo que, no momento, estaria além do meu orçamento.

Foi quando me deparei com o Dell P2422HE. O modelo, de 23,8 polegadas, foi lançado em alguns mercados em meados do ano passado, e chegou ao Brasil no último trimestre de 2021 sem grande alarde; no site da fabricante e na Amazon ele sai atualmente por R$1.870, mas frequentemente há ofertas com valores mais baixos — ou seja, no geral, um preço bem mais baixo do que as demais opções de monitores USB-C vendidos por aqui.

Obviamente, nem tudo são flores. O P2422HE é somente 1080p, o que logo me causou preocupação: será que a diferença na densidade de pixels — 93ppi no monitor contra 227ppi no MacBook Air que me acostumei a olhar todo santo dia pelos últimos anos — seria um empecilho decisivo? Para essas e outras respostas, vamos conferir as minhas impressões logo abaixo.

Unboxing e montagem

Nas primeiras impressões, nada particularmente digno de nota: o monitor vem bem protegido na caixa da Dell, com todos os acessórios devidamente embalados.

O cabo de força com a tomada no padrão brasileiro veio separado, em um outro pacote, já que o cabo incluído na caixa do produto tem o padrão americano — entendo que o pacote deve ter vindo “pronto” dos EUA e foi necessário despachar o cabo brasileiro separadamente, mas fica o puxão de orelha para que a Dell altere essa prática e evite o gasto de material desnecessário (tanto do cabo em si quanto da embalagem de envio).

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Quanto à montagem do monitor, ela não poderia ser mais simples: o encaixe das duas peças da base é muito fácil, exigindo somente que você aperte um parafuso na parte inferior do conjunto (com a ajuda de uma alcinha embutida que dispensa o uso da chave de fenda). Em seguida, basta colocar o monitor deitado com a tela para baixo numa superfície plana — vale usar a própria espuma que antes embalava a tela como proteção — e encaixar a base na peça principal. Não há necessidade de apertar parafusos nem nada: com um clique, tudo já está devidamente preso e seguro.

Design e hardware

Monitor montado e, logo de cara, o seu design chama atenção: a parte superior monolítica, com bordas quase inexistentes e um discretíssimo queixo inferior (sem nenhum logo, o que sempre me agrada), complementa perfeitamente a base prateada — quase toda de plástico, mas com uma superfície levemente texturizada que dá um ar bastante sofisticado e minimalista ao conjunto.

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Nem todos podem ser um Studio Display, claro, mas o P2422HE complementa perfeitamente, do seu jeito mais espartano, o visual do MacBook Air ao seu lado — por um valor significativamente menor.

O pé do monitor é relativamente avantajado — nada que ocupe espaço significativo na minha mesa, mas é algo a se considerar caso seu espaço de trabalho seja mais reduzido. Por outro lado, a superfície plana permite que você apoie objetos por ali e dá uma estabilidade muito bem-vinda ao conjunto. Vale notar que, caso você prefira, o P2422HE permite a instalação de bases alternativas com fixação VESA padrão.

Particularmente, eu até pensei em adquirir um suporte articulado para liberar espaço na mesa e dar uma liberdade maior ao posicionamento do monitor, mas desisti dos meus planos após usar a base nativa do monitor por alguns minutos — sim, ela já é bastante flexível por conta própria. É possível ajustar a inclinação e a altura da tela (desde quase encostada à mesa até uma posição bastante elevada), bem como girar a base no seu próprio eixo.

A própria tela em si também pode ser rotacionada, permitindo que você use o monitor em modo retrato caso necessário — algumas áreas, como a programação, são particularmente afeitas a esse modo de uso, e o macOS permite que você mude rapidamente para o “modo vertical” quando quiser.

Sobre isso, minha única consideração é que o P2422HE poderia incluir algum mecanismo (talvez algo como um clique ou um sistema de pesos) que certificasse que o monitor estivesse sempre perfeitamente na horizontal ou vertical — como o giro é “livre”, pessoas que alternem frequentemente entre os dois modos podem ter alguma dificuldade em manter a tela perfeitamente nivelada sem um acessório externo (como o app Medida, para iPhones e iPads). Imagino que não haja uma grande quantidade de pessoas por aí que goste/precise usar o monitor torto, afinal de contas.

Na parte de trás, encontramos uma boa seleção de portas, todas viradas para baixo: além da famigerada USB-C, temos uma HDMI, uma entrada e uma saída DisplayPort (a saída é para daisy-chaining, isto é, conectar um monitor adicional), duas USB-A de 5Gbps e uma Ethernet. No queixo inferior, também voltadas para baixo e com acesso mais fácil, temos mais duas portas USB-A — sim, o P2422HE é também um hub, mas falaremos mais sobre isso à frente.

Experiência de uso

Monitor devidamente montado e ligado, hora de tratarmos do “X” da questão: e aí, uma tela 1080p realmente faz diferença para quem está acostumado com os painéis retina dos Macs atuais? A resposta, devo dizer, é um grande e sonoro sim — embora a perda não chegue a ser um empecilho fatal.

Não nego que, ao conectar o monitor ao MacBook e ligá-lo pela primeira vez, a sensação geral foi de decepção: tudo parecia um pouco menos definido, até mais “borrado”, em relação ao que eu estava acostumado. O texto, tão suave na tela Retina do portátil, é ligeiramente serrilhado; os ícones também perdem sua vivacidade e as imagens deixam de parecer uma fotografia impressa. Os pixels, basicamente falando, ficam a todo momento lembrando-lhe da existência deles.

Que fique bem claro: não faria sentido colocar esse aspecto como um ponto propriamente negativo do P2422HE, uma vez que eu (assim como qualquer pessoa que compre o produto) sabia exatamente que estava adquirindo uma tela 1080p com densidade de pixels relativamente baixa. Entretanto, especialmente para alguém que (como eu) não tenha a oportunidade de dar uma olhada ao vivo no monitor antes da aquisição, é importante explicitar essa “má impressão” inicial.

A boa notícia é que, depois de alguns dias de uso, essa má impressão se dissipa parcialmente. Conforme você se reacostuma com os pixels maiores, eles tornam-se menos indesejáveis e passam a ser simplesmente um detalhe. Claro, eu ainda uso bastante a tela integrada do MacBook Air — diria que meu trabalho é feito 60% na mesa, plugado no monitor, e 40% fora dela — e, por isso, a transição entre os dois painéis nunca é completamente suave, mas não chega a ser particularmente drástica.

Além disso, a perda de resolução é facilmente compensada por dois outros fatores — resolução aparente e ergonomia.

Sobre o primeiro aspecto: a tela integrada do MacBook Air, ainda que tenha uma resolução nominal de 2560×1600 pixels, redimensiona o conteúdo para que os elementos em tela não fiquem espremidos. Na opção “padrão”, que é a que eu utilizo, a resolução aparente do computador é de 1440×900; você pode aumentar um pouco esse ajuste nas Preferências do Sistema e chegar a uma resolução aparente de 1680×1050 — ainda assim, abaixo dos 1920×1080 nativos do monitor Dell.

Toda essa sopa de números acima serve apenas para dizer que, no P2422HE, eu tenho mais “espaço” para organizar janelas e visualizar múltiplos conteúdos simultaneamente do que no MacBook Air — algo muito bem-vindo para pessoas que, como eu, gostam de trabalhar com várias fontes de conteúdo ao mesmo tempo. E olha que eu nem estou considerando aqui a possibilidade de usar, ao mesmo tempo, a própria tela do MacBook durante o uso do monitor — algo que até faço às vezes, quando há necessidade, mas evito no dia a dia pelo simples movimento do pescoço.

A ergonomia da minha estação de trabalho também melhorou sensivelmente, como é possível imaginar: ao manter a cabeça numa posição reta, com o terço superior do monitor na altura dos meus olhos, eu evito curvar o pescoço para baixo e forçar a coluna cervical — posição que, mesmo na juventude, já me causa dores caso mantida por algum tempo. Apenas ganhos aqui, portanto.

Recursos

Por fim, há de se falar sobre os recursos incluídos no P2422HE. Devo admitir que, como um usuário sem cenários de uso muito específicos ou avançados, não usei vários deles — não testei a possibilidade de daisy-chaining, não cheguei a usar o software Dell Display Manager nem fiz uma medição profissional das cores exibidas pela tela, por exemplo. Seguem, portanto, as impressões sobre o que de fato me chamou atenção e me ajudou no cotidiano.

Gostei muito, por exemplo, do fato de que o monitor tem um hub embutido. Isso significa que, ao conectar seu monitor via USB-C, você tem à disposição algumas portas extras: temos uma Ethernet, para conectar-se à internet via cabo, e quatro USB-A para conexão de periféricos e acessórios, como impressoras e pendrives.

Para quem tem um MacBook Air/Pro apenas com portas USB-C/Thunderbolt, isso é uma dádiva: é possível conectar HDDs/SSDs externos, pendrives ou outros acessórios USB-A diretamente no monitor, sem necessidade de um adaptador adicional, e sem perda significativa na velocidade.

O controle dos recursos do monitor é bem básico, mas não deixa a desejar: na parte de trás do produto, um pequeno joystick direcional permite que você navegue pelos menus e ajuste aspectos como brilho, contraste e sinal.

Ali atrás também está posicionado o botão liga/desliga do monitor, que é um pouco menos côncavo do que eu imaginava — em alguns casos, preciso tatear por alguns segundos para encontrá-lo, mas prefiro esta solução do que um botão frontal atrapalhando o design elegante do conjunto. Um LED indicador quase imperceptível na borda inferior dá o sinal de vida necessário ao produto sem incomodar ou chamar atenção.

Ah, um bônus extra para quem tem alguns smartphones mais avançados da Samsung: o monitor é compatível nativamente com o recurso DeX. Isto é, basta conectar o monitor ao smartphone via USB-C e este último transforma-se num “computador” completo — a interface se adapta à tela grande, e você pode conectar mouse e teclado sem fio para desfrutar de uma experiência desktop gerada diretamente do dispositivo móvel.

Veredito

No fim das contas, portanto, meu saldo com o P2422HE é positivo. Claro, sua definição pode não ser lá essas coisas para quem se acostumou com as telas Retina dos Macs, mas a comodidade da conexão USB-C, o hub que amplia seriamente a quantidade de portas do seu computador e o pedestal extremamente versátil compensam, e muito, a resolução relativamente baixa do produto — ao menos para mim, é claro. Dito isso, cabe a você pesar esses fatores e decidir se a escolha vale no seu caso para economizar algum dinheiro.

Falando em dinheiro, no momento da escrita deste review, o P2422HE pode ser adquirido na loja oficial da Dell ou na Amazon por R$1.870 à vista ou em 10x sem juros — vale, entretanto, pesquisar os preços em varejistas parceiras, pois o produto frequentemente é oferecido por valores menores nessas outras lojas.

A tempo, convém não confundir o P2422HE com o P2422H, que pode ser encontrado por algumas centenas de reais a menos e omite a conexão USB-C — que é, ao menos na visão deste que vos escreve, o principal trunfo do modelo mais caro.

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