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Relatório: americanos podem ser rastreados 747 vezes ao dia

Privacidade
Foto de Tim Mossholder no Unsplash

Um relatório [PDF] publicado pela organização não governamental Conselho Irlandês de Liberdades Civis (Irish Council for Civil Liberties, ou ICCL) mostra o nível da massiva violação da privacidade dos usuários que atualmente acontece. A instituição considera que uma ferramenta utilizada é considerada a maior captação de dados já ocorrida.

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O referido meio de vigilância é chamada de real-time-bidding (RTB), algo como lance (ou leilão) em tempo real, em tradução livre. Ela consiste no rastreamento da atividade online e localização de alguém, mais especificamente na venda desses dados. Esse trâmite costuma ter fins publicitários, embora possa gerar ainda violações de direitos.

O ICCL compilou dados bastante preocupantes. No total, o RTB capta dados 294 bilhões de vezes nos Estados Unidos e 197 bilhões na Europa… diariamente. Em média, cada americano é rastreado 747 vezes por dia, enquanto cada europeu sofre com o problema 376 vezes por dia.

Além da violação que é o rastreamento por si só, outra questão é o tratamento dos dados obtidos. Muitas vezes, eles são enviados para centrais em países como Rússia e China, ficando à mercê de aparatos de Estados autoritários. Com isso, mesmo em países abertos, ativistas, opositores ou mesmo qualquer pessoa pode ser rastreada por meio desses dados.

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A questão fica ainda pior porque, diferentemente dos EUA, a União Europeia tem uma legislação bastante estrita no que tange à privacidade do usuário, em especial o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (mais conhecido pela sigla em inglês GDPR). Assim, com o relatório mostrado pelo ICCL, esse regramento vem sendo desrespeitado de maneira sistemática, sem encontrar obstáculos por parte de instrumentos de aplicação da lei.

Outro ponto é o da transferência de dados, tendo em vista que o que é captado é transmitido entre diferentes países. O GDPR, por exemplo, afirma que os dados só podem ser enviados para locais com os mesmos padrões da UE em matéria de proteção de privacidade. O Tribunal de Justiça da União Europeia já barrou uma transferência de dados para os EUA por causa da falta de regulação dos americanos.

O TechCrunch, que publicou um artigo sobre o tema, contatou o Google e a Microsoft e pediu para as empresas prestarem esclarecimentos sobre o relatório do ICCL, em que elas foram citadas. A segunda não respondeu, enquanto a primeira afirmou que não compartilha dados que identifiquem usuários pessoalmente, além de ressaltar seu compromisso com a privacidade.

Esse assunto gera discussões bastante profundas há algum tempo, e assim continuará por muitos anos. Regular a internet é uma ação complicada, pois além de gerar polêmica, tem eficiência questionável, visto a dificuldade em garantir que regras sejam seguidas pelas empresas.

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