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Homem usando iPhone 6s com um Mac fechado na frente
Foto de Marjan Grabowski no Unsplash

iPhone 6s: o derradeiro do iOS 15 ainda é uma opção em 2022?

Autor(a) convidado(a)

Jonatas Rodrigues

Mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Juiz de Fora, atualmente trabalha no setor de Telecomunicações e reside em Campos (RJ). É casado e entusiasta em tecnologia, se rendeu ao sistema móvel da Apple lá em 2010, quando teve um iPhone 3G. De lá para cá, já foram uns dez modelos diferentes de iPhones e iPads. E conseguiu converter a esposa pro lado da Maçã, também. Devido aos softwares do trabalho, ainda utiliza um PC mas, com a chegada da família M1, provavelmente se renderá ao macOS. Conheceu o MacMagazine em 2015, e como curte muito podcasts nas horas livres!

Se é que existe um ponto em que amantes e haters da Apple concordam, ele provavelmente será a longevidade dos aparelhos no tocante às atualizações do sistema, sejam de segurança ou de novas versões do iOS.

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Focando nisto, em pleno 2022, na iminência do lançamento do iOS 16, temos o resiliente iPhone 6s, lançado em 2015 e que, mesmo contra todas as expectativas, em 2021 recebeu o iOS 15 — após quase seis anos de estrada, tempo este que, talvez para outras marcas, já faria o aparelho ter status de obsoleto, nem sequer apto mais a assistência técnica oficial.

Então, como dono de um iPhone 6s, decidi compartilhar com vocês se ainda é possível usá-lo de forma plena (ou quase isso) em 2022. Já adianto que ele não é meu aparelho principal, e confesso que esse nunca foi o objetivo, mas sim utilizá-lo com a linha corporativa da empresa na qual trabalho — que, inicialmente, me cedeu um aparelho com sistema Android, porém decidi tentar uma forma de manter o ecossistema Apple em que eu já estava inserido, mesmo tendo certa familiaridade com o robozinho verde.

Logo decidi por ressuscitar das cinzas meu velho e esquecido 6s, que havia pertencido à minha esposa e estava lá guardado em alguma gaveta do armário desde que foi trocado por outro modelo mais recente.

Usando um iPhone 6s como segundo aparelho

Uma leve flanelada com álcool isopropílico, chip inserido, atualizações feitas, aplicativos da empresa instalados e mais de um ano de uso; e agora? Como o derradeiro do iOS 15 se comporta em seu (provável) último ano de sistema atualizado?

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Vou analisar quatro pontos que considero cruciais (não necessariamente nesta ordem de importância), focando mais na experiência de uso que nos termos técnicos em si: aparência, sistema, câmeras e bateria, sempre que possível comparando com meu aparelho principal, da linha 12 (de leve, claro, para tentar ser minimamente justo com as limitações do nosso quase aposentado e “mais experiente” combatente).

Aparência

Bem… considerando que em pleno 2022 a Apple lançou a terceira geração do iPhone SE, visualmente idêntica à segunda geração e ao iPhone 8 — que por sua vez tem um design semelhante ao do iPhone 7, que veio do iPhone 6s, que era igual ao finado iPhone 6… então podemos até concluir que o iPhone 6s ainda mantém uma aparência coerente com um modelo vendido atualmente no site oficial da Apple, pelo menos se visto de frente.

Usando um iPhone 6s como segundo aparelho

Ele não tem uma tela “infinita” como o iPhone 12 (bordas talvez sim), sua tela HD de 4,7 polegadas está longe de empolgar qualquer um e o brilho não é lá essas coisas, mas ainda segue o bom padrão da Apple de cores e definição para um display LCD1. E não, você não vê os ícones pixelados, mostrando que os 326 pixels por polegada ainda são, no mínimo, suficientes. E nada de notch/entalhe na tela por aqui, mas em compensação duas tarjas pretas em cima e embaixo — a parte inferior abrigando o botão Touch ID, que nessa geração ainda afunda se pressionado.

Seu corpo é todo em metal (o que garante uma sobrevida maior em caso de quedas, que são sempre os piores inimigos dos vidros), com cantos arredondados (que ainda têm seu charme). Apesar de não ter nenhuma proteção contra água, ainda mantém a boa e a velha conhecida qualidade de construção da Apple.

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Ele cabe bem até nos menores bolsos, e não dobra com a pressão por estar ali dentro, como acontece com seus parentes 6/6 Plus. Então, se você ainda aceita o design do iPhone SE, o 6s está na briga. Tipo o “copia, mas não faz igual” na época da escola, lembra?

Sistema

Aqui, fora o fato de ainda estar recebendo atualizações, nenhuma surpresa. É o mesmo iOS 15 dos outros modelos, porém “capado” em algumas funções.

Usando um iPhone 6s como segundo aparelho

Apesar da idade, o iPhone 6s ainda consegue lidar bem com o iOS 15.4.1 (versão que eu estava rodando enquanto escrevia este artigo). Mas aqui não tem milagre, gente: você vai sim perceber uma menor fluidez no uso diário — os aplicativos demoram 2-3 segundos a mais para abrir que no iPhone 12 —, a rolagem entre as telas não é tão rápida, e até para ligar/desligar ele vai “no tempo dele”.

Porém, como um aparelho auxiliar, ele ainda é capaz de entregar boa usabilidade se você for paciente em alguns momentos.

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E o Touch ID? Amado por uns e odiado por outros (este que vos escreve tende a pertencer ao segundo grupo), ele funciona quase sempre como deveria funcionar, reconhecendo bem a minha impressão digital — desde que ela esteja perfeitamente limpa, sem suor e afins. Ele requer paciência, às vezes, unida a uma leve lustrada da ponta do dedo na camisa mais próxima antes de uma nova tentativa. Mas olhe pelo lado bom: pelo menos assim você nunca irá esquecer seu código de acesso, pois precisará utilizá-lo com certa frequência (lapso este que me ocorreu quando ainda usava somente o Face ID do iPhone 12).

Considerando as limitações de processamento neural do chip A9 e dos (milagrosos) só 2GB de RAM2, obviamente o sistema teve de abrir mão de algumas coisas para suportar o iOS 15. O que mais senti falta? A ausência do recurso Texto ao Vivo (Live Text), que de longe é o novo recurso que mais utilizava no dia a dia. Sua ausência no 6s me fez falta, principalmente no uso corporativo, em que o simples fato de apontar a câmera para o texto já faz você ganhar minutos cruciais ao enviar um email.

Esqueça também o modo Retrato e o Áudio Espacial no FaceTime, assim como uma navegação mais aprimorada no aplicativo Mapas (que já não funciona lá muito bem fora das capitais). Já outros recursos, como a Área de Transferência Universal, funcionam muito bem e são uma boa pedida no uso diário, principalmente quando quero copiar imagens e textos entre dispositivos.

Jogos? Na-na, não recomendo… sua tela, seu processador e sua bateria (como veremos a seguir) não serão boas companhias se a sua jogatina for qualquer coisa acima do leve/casual.

Bateria e câmeras

Se você chegou até aqui, é agora que sua fé no iPhone 6s será provada. Pois bem, tirem as crianças da sala, pois é onde o bicho pega, onde o filho chora e a mãe não vê…

Lembram da história de Aquiles, herói da mitologia grega? Assim como Aquiles tinha dois calcanhares, o mesmo ocorre com o iPhone 6s. Nosso guerreiro se mantém de pé na luta, mas a bateria e as câmeras são seus calcanhares de Aquiles, e vão dizer se ele ainda pode se sair vencedor na guerra do uso diário.

Lá em 2015, a fama da Apple em longevidade de bateria dos iPhones não era grande coisa. E para piorar, seu principal lançamento do ano, a linha iPhone 6s, só prometia boa bateria no irmão maior, o 6s Plus, com seus 2.700mAh de capacidade (1.000mAh a mais que a do seu irmão menor).

Agora, se lá em 2015 a bateria não era suficiente, imagine em 2022! Conta a seu favor a tela menor, de baixo brilho, e a leve otimização do iOS 15 que a Apple diz que fez, mas nada disso vai garantir que você chegue sempre ao fim do dia com bateria.

Depois da minha jornada de trabalho, se não recarregá-lo durante o dia, são raríssimas as vezes que chego em casa com a bateria acima dos 10% no iPhone 6s, mesmo dividindo o seu uso com o iPhone 12 — este sim, sem dores de cabeça com bateria, por enquanto.

Então esteja sempre munido de uma tomada por perto (ou de uma boa powerbank), ou se prepare para terminar o dia só com seu aparelho principal. E nada de carregadores sem fio, pois não são suportados pelo iPhone 6s e seu pequeno corpo de metal — o que foi um inconveniente para mim no início, pois tive de voltar a deixar um cabo Lightning ao alcance.

Por fim, não há como comparar a sua câmera às dos aparelhos atuais, sejam iPhones ou Androids intermediários. Ela sairá perdendo, inevitavelmente. A câmera única traseira, com seus 12 megapixels, só entregará uma qualidade básica na presença de muita luz. Nada de fotos noturnas, nem modo Retrato. A frontal, com seus 5MP, lhe entregará o básico para uma videoconferência aceitável em ambiente iluminados. Na presença de muita luz, o 6s ainda faz o básico; mas em pouca luz, não espere muita definição de cores.

Então se o seu objetivo é tirar fotos também com o seu aparelho secundário, invista em um mais recente ou trate as câmeras do 6s como uma boa ferramenta para uma reunião por vídeo rápida ou para escanear documentos. Simples, assim.

Conclusão

Assim, vamos relembrar a premissa aqui: um aparelho da Apple secundário, com baixo investimento inicial, ainda atualizado, que garanta uma mínima boa experiência de um usuário já inserido no ecossistema da Maçã, usado como uma linha corporativa (aplicativos mensageiros, de transporte e afins) e, de preferência, podendo trabalhar com ele próximo a uma porta USB e sem foco em fotografia.

Se considerar esses fatores limitantes, que não são poucos, o iPhone 6s ainda pode se encaixar na rotina de muitos, tornando-o uma boa opção se você quer gastar pouco e não está habituado ao Android dado pela sua empresa, como foi meu caso. Ele é bem construído, mantém a interface atualizada, aceita todos os aplicativos mais recentes e ainda se integra bem ao ecossistema da Apple, mostrando que envelheceu bem mesmo após quase sete anos desde seu lançamento. Ele só terá sua fraqueza na tela pequena, no cuidado que você deverá ter com a bateria e câmeras para uso nada além do básico.

Seja aquele modelo esquecido na gaveta (como era meu caso) ou comprando um seminovo, já inclua no seu orçamento a troca da bateria, pois será muito difícil encontrar um 6s com mais de 80% de saúde de bateria.

Espero, com minha experiência de uso, ter ajudado alguns a decidir se um iPhone 6s ainda se encaixa, ou definitivamente não, à sua realidade atual, como um segundo iPhone. E que a Apple continue a produzir aparelhos com boa longevidade, como nosso herói grego de Cupertino.

E que venha o iOS 16 — ou é pedir demais? 😉

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