E a Apple mais uma vez mostra seu lado megalomaníaco, cada vez mais demonstrando que a iTunes Store e o iPod foram duas tacadas de mestre, mas que podem ter sido por acaso.

Como noticiado por John Herrman, do Gizmodo, o novo formato de venda de conteúdos digital iTunes LP, que poderia ser a segunda fase da revolução digital iniciada pela iTunes Music Store há seis anos, não vai decolar. Tudo porque a Apple acha que pode controlar o mercado e ditar as regras da internet, veja você. Isso mesmo, a internet, aquela que cresceu na base da anarquia e auto-organização de conteúdo.
O que está acontecendo é que nem todo mundo está recebendo convites para a festa do formato iTunes LP. Muito pelo contrário: apenas pouquíssimos discos de platina foram selecionados. Coincidentemente, todos eles pertencem às maiores gravadoras presentes na loja online de música e são as mesmas das quais a Apple depende para fazer a iTS ser um negócio viável.
Por outro lado, nenhuma das outras gravadoras, menores e independentes, poderá vender seu conteúdo dessa forma, por dois simples motivos: primeiro, a Apple não quer e não autorizou; segundo, a produção dos LPs só pode ser feita pela própria Apple, que cobra uma taxa de US$10 mil (!) pelo serviço.
Não apenas isso, mas, como bem ilustrou Pete Mortensen para o Cult of Mac, o iTunes LP pode ser apenas uma forma de publicidade dentro de sua loja, oferecida às grandes gravadoras para lhes dar mais visibilidade perante as menores. Para se ter uma ideia, no dia do lançamento tínhamos apenas 6 LPs disponíveis na iTunes Store, e esperava-se que tal número se multiplicasse exponencialmente. Não foi o que aconteceu: um mês se passou e temos apenas 13 opções.
Entre a cauda longa do gráfico, que faz a iTunes Store ser o sucesso que é pela quantidade de produtos que oferece e a facilidade de encontrá-los, comprá-los e tocá-los no iPod, e os hits de sucesso, que chamam a atenção momentânea do público alvo, críticos, etc., a Apple escolheu o segundo time e deixou o primeiro ao relento. Se isso vai dar certo, eu não sei, mas que é muito injusto e arbitrário, disso eu tenho certeza.
Enquanto isso, os concorrentes estão se mexendo. Virtualmente todos os smartphones concorrentes lançaram suas próprias App Stores. Enquanto a Palm briga com a Apple para sincronizar o Pre com o iTunes, a Research In Motion lançou um aplicativo próprio para BlackBerries — um exemplo a ser seguido. E a Amazon.com, que é a maior concorrente da Apple na venda de música digital, acaba de ganhar de presente o doubleTwist, aplicativo que faz com que a Amazon MP3 Store fique muito parecida com a iTunes Store no Mac e tem as vantagens de ser totalmente livre de DRM e sincronizar com qualquer MP3 player, inclusive o iPod.
E com o anúncio do Kindle sendo vendido internacionalmente, quem duvida que a loja da Amazon chegue ao Brasil antes da loja da Apple?
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