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China: Apple censura gravação de termos políticos em produtos

São mais de 1.000 palavras censuradas na China continental, em Hong Kong e em Taiwan
Gravação a laser (engraving) em iPad, Apple Pencil, iPod touch e AirPods Pro

Que a Apple bloqueia termos ofensivos, palavras chulas e certas combinações de emojis de serem gravadas em seus dispositivos, nós já sabíamos. Agora, parece que a empresa está aumentando ainda mais essa censura e cobrindo também termos de cunho político. Pelo menos é o que está acontecendo na China, em Hong Kong e em Taiwan.

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O Citizen Lab, um grupo de pesquisa da Universidade de Toronto, publicou hoje uma estudo que revela diversas palavras/termos específicos que a Apple não permite serem gravados em seus produtos, desde AirTags a iPads. A lista possui 1.105 palavras-chave censuradas, mas o site acredita que a proibição varia, dependendo da região.

Colocando isso perspectiva, na China a Apple censura quase a mesma quantidade de termos políticos quanto aqueles relacionados a conteúdo sexual explícito ou vulgaridade (como acontece em outros países).

Por lá, 43% de todos os termos censurados (458 deles) referem-se ao sistema político do país, ao Partido Comunista no poder, aos altos funcionários do partido, ao governo ou a dissidentes. Dessas palavras, 174 delas também se aplicam em Hong Kong e 29 em Taiwan.

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No total, Hong Kong tem 542 palavras censuradas; já Taiwan tem 397. Um exemplo é a tradicional frase chinesa que se traduz como “liberdade de imprensa”, que é censurada na China continental e em Hong Kong.

Em uma carta enviada ao Citizen Lab, a chefe de privacidade da Apple, Jane Horvath, disse que a empresa não permite solicitações de gravação que “seriam consideradas ilegais de acordo com as leis, regras e regulamentações locais dos países e regiões”.

Horvath acrescentou que a Apple lida com determinadas palavras de acordo com cada região, e que não há uma lista global de termos proibidos. Ela ainda disse que, além de respeitarem as leis e regras locais, a Apple também avalia termos que possam ser culturalmente sensíveis para alguns grupos. A carta da Apple, no entanto, não deixou claro como essa triagem de palavras é feita.

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A maioria das palavras censuradas aplica-se à China continental, uma vez que Pequim atribui o ônus da censura às empresas privadas. O estranho, aqui, é que algumas das palavras censuradas por lá também estão sendo censuradas em Hong Kong — onde as leis locais não exigem tais omissões.

Mesmo fazendo parte da China, Hong Kong é administrada de maneira diferente, o que confere à sua população algum grau de autonomia e liberdade a mais. A principal observação da equipe do Citizen Lab, portanto, é que a Apple parece não entender, de fato, o conteúdo implícito nos termos que censura — um exemplo disso é o sobrenome Zhang, que por algum motivo, não pode ser gravado em seus produtos.

Talvez a Maçã precise dar uma avaliada melhor nos termos que censura e verificar aqueles que não condizem com o seu significado. Vale notar, também, que esse tipo de gravação a laser em produtos não é oferecido no Brasil; em Portugal, sim.

via BBC

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