Ainda não temos uma lei sobre a herança digital, sejam bens digitais (como filmes e músicas compradas) ou todo o seu conteúdo na nuvem (sua biblioteca do iCloud, seu Gmail ou um canal grande e monetizado no YouTube). Uma coisa é você ter a senha da pessoa, outra é você herdar ou, pelo menos, ter a escolha de facilitar o acesso às pessoas nas quais você confia.
Deixei de lado a discussão ética e filosófica sobre exercer o direito de ser deixado em paz, de sermos esquecidos, de ceder à saudade de outros ou simplesmente de repassar seu “patrimônio virtual”. Trouxe, hoje, apenas por curiosidade e sem nenhum desejo de pensar sobre, algumas ferramentas que facilitam essa “portabilidade de dados”.
Vamos logo com isso antes que fique mais estranho.
Herança digital (Google vs. Apple)
O Google tem um “Gerenciador de contas inativas” no qual você basicamente define a partir de quanto tempo a sua conta será considerada inativa como, por exemplo, após três meses de inatividade — mas uma notificação é enviada por email e SMS 1Short message service, ou serviço de mensagens curtas.. Depois, você pode escolher até 10 pessoas para serem notificadas e cada pessoa pode receber uma cópia dos seus dados, personalizando cada escolha do que compartilhar individualmente entre uma lista de 60 itens que vão desde o básico (contatos, calendário e lembretes) até livros, filmes e basicamente tudo o que envolve a sua conta no Google.
Em nenhum momento fica claro, durante a configuração, se esse serviço é para ser usado de forma póstuma. Mas, durante a parte acima de escolher as pessoas para compartilhar, você pode adicionar uma mensagem de até 8.190 caracteres. Mas também encontrei, na parte de ajuda da Conta do Google, que “o Gerenciador de contas inativas é a melhor maneira para você nos informar quem deve ter acesso às suas informações e se você deseja que sua conta seja excluída”.
Para decidir o que fazer com o seu legado digital, toque/clique nesse link para abrir o Gerenciador de contas inativas do Google.
Apple
A Maçã chama de “Contato de Legado” a pessoa que você designa para receber suas informações após o seu “último logoff”. A configuração inicial você pode fazer agora mesmo, pelo seu iPhone:
- Acesse Ajustes e toque em seu nome.
- Toque em “Início de Sessão e Segurança”.
- Role para baixo e selecione “Contato de Legado”.
- Agora, basta seguir as instruções para configurar e escolher a pessoa — que não precisa nem ter um dispositivo ou Conta Apple, basta ter mais de 13 anos de idade.
Na prática, o funcionamento é bem diferente ao do Google em vários sentidos:
- No Google, basta esperar o período escolhido (3, 6, 12 ou 18 meses) e tudo será compartilhado. Aliás, você poderá fazer o download de tudo, mas você não tem acesso à conta em si.
- Na Apple, você precisa fazer uma solicitação de acesso (pelo mesmo caminho que criou ou nesse link), compartilhar a chave de acesso que você gerou quando escolheu o contato e fazer upload da certidão de óbito.
Após aprovação da Apple, a Conta Apple do titular deixará de funcionar, o Bloqueio de Ativação será removido de todos os dispositivos e você receberá uma nova Conta Apple de Contato de Legado para acessar em iCloud.com ou no seu próprio aparelho. Essa nova conta tem um tempo limitado: três anos a partir da aprovação da primeira solicitação de conta herdada. Após isso, a conta é apagada definitivamente.
Com o acesso, você poderá visualizar (mas não apagar) as Fotos do iCloud, além das informações nos apps Notas (Notes), Mail, Contatos (Contacts), Calendário (Calendar), Lembretes (Reminders), Mensagens (Messages). Saúde (Health) e Gravador (Voice Memos). Além disso, você tem acesso ao histórico de ligações, ao iCloud Drive, aos favoritos do Safari e ao backup do iCloud — que pode incluir mais informações dependendo do aplicativo, como o histórico do WhatsApp.
Você não conseguirá acesso pelo Contato de Legado da Apple às seguintes informações:
- Mídias licenciadas/compradas (filmes, músicas e livros);
- Compras dentro de um app ou assinaturas;
- Informações de pagamento, como Apple Pay ou cartões salvos;
- Senhas.
Claramente, os propósitos são diferentes — e eu trouxe apenas o comparativo entre Google e Apple pensando nos dispositivos Android e iOS, sem pensar em possíveis fins legais de obter acesso.
Você já tem alguém em mente para receber seus dados? Ou acha muito cedo para pensar no assunto?
Bluesky encontrando o Koo
Seguindo o obituário, a rede Bluesky está em declínio no Brasil. O aplicativo, que já chegou a ter mais de 200 mil downloads por dia, que esteve no topo na App Store e que ultrapassou a marca de 10 milhões de usuários há menos de um mês, hoje não está nem nos 100 apps gratuitos mais baixados. Na categoria “Redes sociais” da App Store, está atrás do Messenger e do Discord.
Você já viu um fenômeno parecido: o app da rede social Koo teve sua ascensão graças ao Brasil, que abraçou a alternativa ao X (e ao nome inusitado para nós), mas acabou encerrando suas atividades em julho desse ano. Não quero dizer que o Bluesky deixará de ser usado, ou que ele corre o risco do mesmo destino da rede social indiana — até pelas métricas supracitadas e pela experiência de seu criador, assim o julgo. Mas tenho um receio.
O site AppMagic mostra que o nosso país é responsável por 88% dos downloads do Bluesky nos últimos 30 dias. Com o vai e volta do X (ou Twitter, se preferir) e com Elon Musk aparentemente colaborando com o governo brasileiro, esse número tende a cair e mais uma vez ficará claro que boa parte dos brasileiros que uma vez abraçaram, abandonarão mais uma rede.
O cenário das redes sociais é volátil e as preferências do público podem mudar a qualquer momento, seja por inovação, tendência ou decepção com mudanças de uma plataforma. O Brasil, em particular, tem a propensão de abraçar novas redes, mas também não hesita em abandoná-las.
Independentemente da sua preferência e dos recursos disponíveis em cada uma, uma coisa é certa: as redes sociais são ambientes vivos, e o seu sucesso depende diretamente do quanto elas conseguem oferecer um valor contínuo aos seus usuários.
Aos olhos deste que vos escreve, o Bluesky deveria aproveitar mais sua oportunidade de brilhar, antes que se apague com o tempo. Mas o que nos resta é apenas observar como essa dança digital se desenrola — afinal, na internet, nada é definitivo.
Meus jogos preferidos do Apple Arcade
O Apple Arcade caberia bem no tema da coluna até agora, mas mudando a cena um pouco, trouxe meus três jogos preferidos do serviço da Maçã e algumas dicas que vocês deram em minhas redes.
Uma das coisas que eu mais amo nos jogos abaixo é poder começar e parar a qualquer momento. Afinal, você está com o celular praticamente o tempo todo, você consegue dar uma olhada rápida no seu game em uma fila, no banheiro ou no tédio mesmo.
Slay the Spire+
Com mais de 100 horas jogadas, é um dos meus preferidos. Parece bem simples: controlar um guerreiro e atacar, ou se defender dos oponentes com cartas. Mas são 350 cartas diferentes, combates únicos e uma combinação que pode fazer você chegar ao topo da torre.
Balatro+
Também de cartas, mas esse mistura pôquer com paciência. Conforme as rodadas passam, é possível aprimorar seu baralho adicionando cartas coringas ou até transformando suas atuais em materiais diferentes. Por exemplo, uma carta de vidro adiciona mais pontos que as comuns, mas tem 25% de chance de quebrar. Se você curte pôquer, fica o alerta: é viciante!
Oceanhorn 2
Um RPG 2Role-playing game, ou jogo de interpretação de papéis. belíssimo de se ver, cheio de missões, itens e chefes para testar seus reflexos. São mais de 20 horas de jogo, além de dezenas de missões opcionais, que vão lhe proporcionar um bom entretenimento.
E você, curte o Apple Arcade? Quais são os seus preferidos?
Até a próxima Tech Mix!
Notas de rodapé
- 1Short message service, ou serviço de mensagens curtas.
- 2Role-playing game, ou jogo de interpretação de papéis.




