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Epic Games
Konstantin Savusia / Shutterstock.com

Epic cobrava taxa de 60% nos anos 1990, aponta Apple

A Maçã também sugeriu que a luta da sua rival tem razões unicamente financeiras

Conforme Apple e Epic se preparam para disputar o julgamento do ano no mundo tecnológico, marcado para o dia 3 de maio, a imprensa especializada deita e rola nos documentos entregues pelas duas empresas à justiça.

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Já falamos aqui sobre as principais argumentações de ambas as companhias (Apple e Epic), mas ainda há aspectos a serem tratados.

Taxa de 60%!

Como informou o MacRumors, a Maçã notou, na sua documentação, uma certa hipocrisia nas reclamações da Epic: a desenvolvedora se queixa dos 15-30% cobrados pela Apple na App Store, mas a própria Epic cobrava 60%(!) de outras desenvolvedoras nos anos 1990, quando começou a distribuir jogos de outros estúdios.

A documentação traz até mesmo uma declaração de Tim Sweeney, fundador e CEO1 da Epic, na época:

Veja bem, você coloca um esforço enorme no desenvolvimento de um programa. Se você tem que vendê-lo, você precisa basicamente dobrar esse esforço, por causa de todo o polimento e toda a documentação necessária. Então, a não ser que você vá fazer muito dinheiro com isso, não vale a pena.

A Apple já tinha defendido, anteriormente, que as taxas cobradas na App Store estão na média do mercado e são significativamente inferiores ao padrão da indústria uma ou duas décadas atrás. Caro, alguém poderá trazer à mesa o fato de que o mercado tecnológico era muito diferente nos anos 1990 (o que é verdade), mas ver a Epic praticando exatamente aquilo que hoje ela condena não cria o melhor dos cenários para a desenvolvedora.

Privacidade

A documentação da Maçã anexa, ainda, tweets de Sweeney elogiando a política de privacidade da Maçã e comparando-a positivamente com a do Google (sim, pelo visto o CEO da Epic é favorável à App Tracking Transparency). Os advogados da Apple afirmam, então, que os pedidos de Sweeney — de abrir o iOS para outros sistemas de pagamento e lojas de aplicativo — ameaçam justamente essa privacidade.

Até mesmo os engenheiros da Epic já concordaram que o sideloading de apps (isto é, a instalação deles por métodos irregulares ou não oficiais) representa um risco de segurança. A Apple incluiu o seguinte trecho na sua documentação, falando sobre um episódio envolvendo o jogo Fortnite para Android:

Uma série de vazamentos nos binários para o instalador de Fortnite ocorreram depois que a Epic o lançou no Android via sideloading, em 2018, o que levou a vários malwares e fraudes. Como um desenvolvedor notou em uma outra ocasião, eles ficaram “no geral um tanto preocupados com o aspecto da segurança — muitos malwares circulando e se passando pelo app Fortnite”.

Epic Games Store

Por fim, a Apple trouxe dados financeiros da Epic para sugerir que a luta contra as taxas da App Store tem uma outra razão: o fato de que a Epic Games Store simplesmente não estaria gerando muito lucro. Para comprovar esse ponto, a Maçã lembrou que a desenvolvedora perdeu cerca de US$181 milhões em 2019 e projetou perder mais US$273 milhões em 2020; além disso, a empresa prometeu US$444 milhões aos desenvolvedores no último ano, mas pagou apenas US$401 milhões.

O próprio Sweeney afirmou no Twitter que isso não significa que a Epic está vazando dinheiro — segundo o executivo, a desenvolvedora está simplesmente fazendo investimentos drásticos para melhorar a sua estrutura e oferecer um serviço ainda melhor para estúdios e usuários. A Epic também já repetiu várias vezes que sua luta contra a Apple não gira em torno de dinheiro — se a frase é uma jogada de marketing ou uma afirmação real, entretanto, fica a gosto do freguês.


O fato é que as informações e os números estão aí — a Apple está contra-atacando como pode, e veremos o que a justiça dos Estados Unidos achará de todas essas informações a partir do mês que vem.

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